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Arte que provoca


Por MARISA LOURES

15/08/2013 às 23h00

O nu ainda choca. Retratá-lo é uma provocação, ainda que a sociedade do século XXI apregoe a derrubada dos pudores. Quando exploro o corpo, exploro o erotismo. Gosto de tocar na hipocrisia desta nossa relação com a nudez. Meus ensaios estão aí para levantar questionamentos dos tabus sociais, comenta o fotógrafo atuante no Rio de Janeiro Fabiano Cafure, que vem a Juiz de Fora para um bate-papo gratuito hoje, às 19h, no CCBM, dentro da programação do projeto Foto 13. Na forma de um ensaio, o artista falará sobre O amor como fio condutor na fotografia de arte. Farei um traçado da evolução do amor dentro da minha linha de pensamento. Quando trabalho o corpo, trabalho o erotismo, falo do ser humano, afirma. Quero que as pessoas venham para trocar experiências. É uma conversa de quem produz de forma independente.

Fotógrafo, cineasta, artista plástico, empresário e formado em psicologia, tendo estudado fotografia, pintura e desenho no Washington College Liberal Art School (EUA), Cafure define sua arte através do tripé APP (Art + Psychology + Photography). Para percorrer o caminho da discussão, que começará com o processo de pintura, desenhos em pastel e carvão até chegar à fotografia dos dias atuais, apresentará O vermelho. O erótico e a maçã, sua primeira série, Em busca de Narciso (uma ode ao amor por si mesmo), Madalena revelada (um discurso poético sobre o amor de Madalena e Jesus) e Abstrato amor (onde sentimento e forma criam uma solução estética).

Aberto na última terça-feira, o Foto 13 tem como objetivo promover o debate e a reflexão crítica acerca do trabalho fotográfico. Pretendo suscitar uma conversa sobre fotografia de arte, um trabalho que ainda é pouco praticado no Brasil e que envolve produção e modelos. Estou me referindo a um processo criativo em que você tem que produzir para fotografar. Não é um registro único e exclusivamente da imagem capturada. Acho importante fomentar essa produção no país.

Ele está abrindo portas para outros trabalhos, gerando retornos que não são necessariamente monetários. Foi um investimento, afirma Cafure, fazendo referência ao filme Eu te amo Renato, lançado em abril e produzido exclusivamente para a rede. Ele está disponível para acesso gratuito no Canal O Cubo – portal voltado para a divulgação independente em cinco categorias: entretenimento, ficção, animação, doc e vídeoarte+fotografia. A curadoria é de Cafure.

Como já de início o interesse era pela rede, Eu te amo Renato é adaptado para o pequeno tamanho da tela de um computador, contando com poucos planos. Ambientado em 1996, ano em que o vocalista da banda Legião Urbana – e fonte de inspiração para o projeto – morreu, o filme retrata a história de um triângulo amoroso formado por uma jovem e dois rapazes, que vivem as descobertas do amor na pequena cidade de Valença (RJ). Em 15 dias, a produção contabilizava 44 mil visualizações, com 28 mil compartilhamentos.

Longe das galerias

Além das 13 mostras expostas no CCBM, o Foto 13 também leva a arte para a rua. Quem passar pela Rua Halfeld nesta sexta, das 10h às 12h30, ao já conhecido cenário se misturará a intervenção urbana Paisagem alterada. A proposta é reforçar os laços entre a cidade e seus moradores, que poderão revelar seus talentos artísticos utilizando guache, pincéis, canetinha hidrocor, lápis colorido e cera. A iniciativa volta a ser realizada na Praça Antônio Carlos neste sábado (das 10h às 17h) e no domingo (das 10h às 13h). O mesmo local abrigará as intervenções O Estendal (sábado das 10h às 17h e domingo das 10h às 13h) e Foto Escambo (sábado, das 10 às 17h). Enquanto a primeira consiste em uma exposição de fotografias numa espécie de varal a céu aberto, a segunda incentiva a troca de imagens entre profissionais e público leigo. Encerrando a programação paralela do sábado, está previsto um encontro com o artista visual e professor do IAD/UFJF Afonso Rodrigues, às 19h, no CCBM, com entrada gratuita. De acordo com a Funalfa, a oficina com o fotógrafo e jornalista de São Paulo Fernando Schmitt, neste sábado no Anfiteatro João Carriço, está com vagas esgotadas.