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Para ficar na memória


Por MÁRCIO CORINO

14/11/2012 às 07h00

Um dos maiores nomes da música juiz-forana, o sambista Armando Toschi, o Ministrinho, completaria, se estivesse vivo, 100 anos em 2014. Em função de sua importância para a cultura local, o músico e pesquisador Márcio Gomes prepara, para essa data comemorativa, a biografia de um dos maiores compositores da história da cidade. Márcio conviveu com ele desde meados da década de 1970 até seus últimos anos de vida (Ministrinho faleceu em 22 de dezembro de 1996, aos 82 anos).

Nascido em 4 de maio de 1914 e um dos quatro irmãos da família Toschi, Ministrinho foi responsável pela criação, em 1932, do bloco "Feito com má vontade" que, mais tarde, em 1934, se transformaria na Escola de Samba Turunas do Riachuelo, a primeira de Minas Gerais e a quarta agremiação mais antiga do Brasil ainda em atividade. "No meu entender, Ministrinho é o nome mais importante do samba juiz-forano. Era um compositor bissexto, mas foi o guardião e o divulgador da música da cidade. Sem ele, grande parte dessas canções teria se perdido", afirma Márcio.

O apelido Ministrinho vem da época em que Armando era o meia-direita do Tupynambás. Nesse mesmo momento, destacava-se no Palmeiras, então Palestra Itália, um jogador da mesma posição de nome Ministrinho. Anos mais tarde, em visita a Juiz de Fora, o atleta do clube paulistano fez questão de conhecer o xará de Juiz de Fora e com ele dividir uma macarronada na casa do compositor mineiro.

Finalizada a atuação nos gramados, Ministrinho levou para a carreira musical o apelido conquistado nos campos. O primeiro instrumento foi o cavaquinho, com o qual ele se apresentava nos desfiles da Turunas. Porém, quem o consagrou foi violão, seu companheiro pelo resto da vida. Em 1967, o músico gravou, com seu conjunto, o LP "Samba é povo", produção da Prefeitura de Juiz de Fora, apresentando seis sambas da escola Turunas do Riachuelo. Em 1996, pouco antes de seu falecimento, Ministrinho participou do CD "Nosso ídolo", produzido por Márcio, mas cujo lançamento ocorreu apenas em 1998. "Passados 16 anos do seu falecimento, começo a perceber que as novas gerações não sabem quem foi Ministrinho e nem conhecem sua importância. Justamente ele, cuja maior preocupação era a preservação da memória musical da cidade. Nada mais justo que, em 2014, a escola de samba por ele fundada em 1934 o traga como enredo do desfile, que outros blocos carnavalescos da cidade também o homenageiem, que os sambistas da cidade relembrem as músicas de Ministrinho e de seus contemporâneos e que a praça do Jardim Glória, cujo nome é Praça Armando Toschi, possa ostentar seu busto, ideia que até hoje não foi efetivada", afirma.

O pesquisador pretende usar, como material de pesquisa, os exemplares do "Diário Mercantil" e da "Tribuna de Minas" do período de 1930 a 1996, o que requer leitura e consulta a mais de 20 mil edições jornalísticas. Além disso, no tempo em que conviveu com o compositor, Márcio teve acesso a partituras e anotações sobre músicas e locais onde ele se apresentou entre 1970 e 1993. "Meu objetivo é que a biografia possa estar pronta em maio de 2014, mas para que o livro não apenas se torne realidade, mas seja também o mais completo possível, quero contar com informações de pessoas que tiveram algum tipo de convívio com Ministrinho e que possam me municiar de informações adicionais." Quem quiser colaborar no trabalho pode enviar e-mail para [email protected].