Graveola faz show em Juiz de Fora neste sábado
Banda belorizontina lança o disco “In silence”; abertura fica por conta de Laura Conceição e Amanda Fie


São seis álbuns. Cada um de um jeito. Tentei, insistindo, escolher uma entre as tantas músicas que definisse o trabalho de um grupo que, em um piscar de olhos (mais precisamente em 2024), completa 20 anos. “Lindo toque”, música do disco “Eu preciso de um liquidificador”, de 2011, é, pois, esse resumo que buscava. Graveola, realmente, desde sempre, concebe a poesia em um pedaço de pão, como sugere a música. Faz das ideias um momento de improvisar um som. “Vale a pena porque vais até o fim”, sim. Graveola é mesmo um ser, como se tivesse vida, alma e corpo, e é também o que acredita Bruno Oliveira, baixista da banda desde 2009. Isso se confirma porque, apesar de tanta coisa, ela se mantém sendo Graveola: banda independente belorizontina, que arrisca, arrisca, sem pudor. Encontra o motivo de tudo na própria música. De volta a Juiz de Fora neste sábado (15), o grupo faz show no Sensorial, a partir das 20h. Laura Conceição e Amanda Fie fazem a abertura da noite.
Quando começou, a banda foi um encontro proporcionado pelos corredores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). José Luis Braga, Luiz Gabriel Lopes e Flora Lopes, despretensiosamente, faziam música juntos. Tocavam pelas festas da faculdade. Graveola, naquela época, tinha sobrenome: Lixo Polifônico. Isso porque, com um som percussivo acima de tudo, Flora, que assumia a função, tirava som daquilo que poderia ser considerado lixo, balde, por exemplo. Quando o baterista Yuri Velasco entrou, em 2007, Bruno, que não estava lá mas sabe essa história de cor, conta que foi quando a banda se tornou, realmente, uma banda.
Banda grave
O primeiro disco foi o “Graveola e o lixo polifônico”, de 2008. Naquela época, Graveola não tinha baixista, por isso, a banda toda tocava meio tom abaixo, na tentativa de suprir a falta do instrumento. “Soava mais grave”, diz Bruno. Ele até participou da gravação, mas não como instrumentista. Só estava ali. Sua entrada, então, foi oficializada em 2009.
As transformações
Os álbuns que viriam a seguir (“Um e meio”, de 2010, “Eu preciso de um liquidificador”, de 2011, “Vozes invisíveis”, de 2012, “London Bridge”, de 2015, “Camaleão Borboleta”, de 2015 e “In silence”, de 2021) são, cada, o retrato do que era o ser Graveola nas épocas. As formações foram diversas. E as personalidades de cada integrante novo estão impressas na sonoridade. “A banda foi mesmo mudando. Mas cada um que entra a gente faz questão de colocar a personalidade da figura na banda. Porque isso traz um refresco. Uma renovação mesmo. Garante novas possibilidades. A banda já tem um conceito. Quem entra, entra conhecendo isso. Por isso que o Graveola é quase um ser, independente dos integrantes, ele tem personalidade dele. É tipo a nossa vida mesmo: tem o nosso DNA, mas as coisas vão mudando e a essência se mantém”, garante o baixista. Hoje, a banda é formada por, além de Bruno, Luiza Brina, José Luis, Gabriel Bruce e Thiago Correa.
O que não se manteve foi o sobrenome. Lixo Polifônico caiu em desuso. Agora, é apenas Graveola. O motivo dessa transformação é, também, a mudança dos integrantes. “O Lixo Polifônico não existe mais. Isso era, basicamente, por causa da percussão. Mas, agora, a gente nem usa percussão mais. Outra coisa que aconteceu é que, no começo, os nossos arranjos eram muito cheios, traziam muitas informações. Hoje, a gente tem uma concepção menos cheia. O som mudou também”, explica. Graveola também teve uma mudança no pensamento das letras. A banda sempre manteve uma cultura de compositores em sua formação muito forte. E era um método fazer como costuras com pedaços de músicas de outros compositores que são referência para eles. É o que Bruno chamou de “estética do plágio”. O que Tom Zé e Itamar Assumpção já faziam.
Entre “Camaleão Borboleta” e “In silence” foi o maior tempo que Graveola ficou sem fazer um disco. Eles romperam o silêncio trazendo um disco que investe nas guitarras, com os pitacos e ajustes do produtor, Chico Neves, que trouxe a “eletrificação da banda”. É, também, a concretização do que Bruno já tinha falado: arranjos menos complexos, colocando as letras mesmo à frente. “É um disco mais maduro”, resume Bruno. Entre as músicas, está “Tão tá”, de Luiza Brina, que já havia lançado em seu disco que leva exatamente o mesmo nome. Mas, em “In silence”, ela ressurge em uma roupagem toda diferente.
Bruno explica que, antes de ter a gravação de um disco em vista, eles se reúnem para pensar: “Quem somos nós agora? O ser Graveola está ali. Mas quem somos? Qual é a personalidade da nossa formação?”. A partir disso, revisita-se a própria obra da banda, além da dos músicos e suas composições até mesmo guardadas, para pensar no que faz sentido ser gravado naquele momento. Eles prezam mesmo pelo disco. No entanto, ser uma banda independente é sinônimo de dificuldades para viabilização dessas gravações. “Gravar envolve um mundo. A sociedade muitas vezes não faz ideia do que é um espetáculo e o que envolve desde subir a um palco a gravar um disco. Acaba que, muitas vezes, a gente não se basta. Mas decide gravar mesmo assim, da forma que dá. Por isso, então, aqueles discos que a gente chama de “meio”, que são discos, sim, mas menores e feitos por nós mesmos”, desabafa.
Show quente
Sobre o show deste sábado, Bruno diz que é uma experimentação para eles mesmos. Eles estão refazendo os arranjos de algumas músicas, ensaiando com frequência e vêm quente da turnê que fizeram na Europa.











