TrupEncanta celebra trajetória de 10 anos dedicada à transformação social por meio da cultura em Além Paraíba
Projeto de Além Paraíba atende gratuitamente cerca de 120 alunos com aulas de música, dança, teatro e outras atividades culturais

A TrupEncanta comemora dez anos de atuação em Além Paraíba, na Zona da Mata mineira, neste ano. A organização sem fins lucrativos, que fica no Morro da Conceição, atualmente atende gratuitamente cerca de 120 alunos em aulas de violão, teclado, percussão, dança, balé, teatro, tambor mineiro, entre outros.
“A história da TrupEncanta é a história da minha vida”, afirma Pedro Rocha, fundador do projeto. Segundo ele, tudo começou ainda na sua infância, no mesmo bairro onde hoje a organização recebe as crianças, quando teve contato com projetos sociais culturais que foram divisor de águas na sua trajetória.
Foi ainda pequeno que ele passou a integrar um coral como barítono – momento que a música se fez totalmente presente e nunca mais saiu de vista. Mas conhecer o teatro foi igualmente importante. “Me ver no palco foi fundamental”, afirma, contando ainda que chegou a fazer, inclusive, oficinas e cursos no Rio de Janeiro.
Nessas viagens que já tinham o intuito da profissionalização, ele e sua esposa, Valéria, que é artesã, conheceram o projeto carioca Contando Histórias, em que narrativas inteiras são contadas por meio de tecidos e tapetes. Esses contatos com ações sociais e culturais e as próprias trajetórias fizeram a TrupEncanta de fato nascer.

Criatividade para seguir
Mesmo já com alguns anos de atuação, foi a pandemia que ajudou a TrupEncanta a ser o que ela é hoje. Isso porque Pedro conta que buscou se profissionalizar em educação musical ainda mais nesse tempo. As aulas que oferecia eram ministradas de forma on-line, usando a criatividade para levar a música para sua comunidade.
Para as aulas de percussão, usava baldes; de teclado, o desenho das teclas. Com a ajuda de seu sobrinho e outros profissionais, Pedro buscava soluções fora da caixa para ensinar, mesmo sem os instrumentos e de forma remota.
Ele percebe sua trajetória com um misto de admiração e surpresa: tudo o que fez e faz se liga àqueles momentos de sua infância, em que teve o primeiro contato com diferentes formas de arte. E motivado por isso, buscou editais que pudessem financiar a ONG, como a Lei Aldir Blanc.
Com esses editais, conseguiu financiamento para compra de equipamentos, custeio da sede da Trupe e benefícios para as famílias filiadas ao projeto. Quando o tempo do primeiro edital acabou, a organização precisou se manter criativa, mas o financiamento das atividades, segundo Pedro, é a maior dificuldade.
Como não tinham como pagar os professores, faziam uma divisão entre si: cada um doava um pouco do seu tempo de forma gratuita para manter as atividades funcionando.
Oficinas de tambor mineiro

A TrupEncanta também possui um trabalho de pesquisa e estudo dos congados mineiros e as tradições rítmicas afro-mineiras. O resgate dessa cultura é voltado totalmente para a parte artística, ou seja, sem qualquer cunho religioso. E, para isso, o grupo estuda principalmente os ritmos marcha grave, ijexá, moçambique serra acima, moçambique serra abaixo e congo.
A inspiração para isso veio do Ingoma, grupo artístico e de pesquisa de música popular em Juiz de Fora. Ao visitar a cidade e participar de algumas atividades promovidas pelo grupo, a TrupEncanta se apaixonou pelos tambores.
Motivado, Pedro entrou em contato com Guilherme Oliveira, artesão responsável pela fabricação de alguns tambores utilizados pelo Ingoma.
Guilherme possui o próprio ateliê, a Tum Tambores, e apresentou o universo do tambor mineiro para Pedro, além de recomendar uma oficina realizada pelo Ingoma, para uma maior imersão em relação aos congados e moçambiques, que são tradições africanas muito presentes na cultura mineira.
A Trupe, então, passou a encomendar mais tambores e a realizar mais atividades voltadas para essa tradição, como sua primeira ação pública no Dia das Mães de 2026, realizada na Praça Elias Fadel Sahione, em Além Paraíba, marcando a primeira aparição pública da Oficina de Tambor Mineiro da TrupEncanta.
Atualmente, o grupo possui oficinas semanais de tambor e busca segmentar as aulas em grupos femininos, mistos e de jovens.

Acolhimento como pedagogia
O que começou como um pequeno projeto de aulas voltadas para a cultura e arte no Morro da Conceição, hoje também é ponto de referência: com aulas artísticas e de reforço escolar, a sede da TrupEncanta também serve como lugar de acolhimento.
Pedro também estudou musicoterapia, para atender melhor à comunidade e suas demandas. A meta da ONG, para ele, é poder oferecer escolhas para seus alunos, focando na cultura e na arte como formas de ampliar perspectivas sociais.
A TrupEncanta também realiza projetos em escolas, hospitais e instituições de caridade, tendo como missão unir forças para construir comunidades com mais oportunidades, dignidade e participação social.
*Estagiária sob a supervisão da editora Cecilia Itaborahy









