Aos 30 anos, Quadrilha do Trombone mantém tradição junina viva em Juiz de Fora
Grupo realiza ensaio aberto neste domingo (14), na UFJF, com apresentação inspirada em ‘Auto da Compadecida’

Com a melhor roupa estilizada e uma apresentação temática a cada ano, a Quadrilha do Trombone celebra três décadas de existência participando de arraias e festas juninas em Juiz de Fora. Nascida de um grupo de jovens na Igreja Matriz de São Pio X, no Bairro Ipiranga, que desejava fazer algo pela comunidade, a quadrilha estilizada busca homenagear a cultura sertaneja e, ao mesmo tempo, inovar em suas apresentações anuais.
Neste domingo (14), é possível conferir um pouco do que eles produzem no ensaio aberto que acontece na Praça Cívica da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), às 16h. Inspirado em “Auto da Compadecida”, de Ariano Suassuna, o grupo neste ano reúne 16 casais e é presença confirmada em alguns festejos. As informações podem ser conferidas nas redes sociais da Quadrilha do Trombone.
Do salão da Igreja aos arraiás
No começo, ainda na Igreja do Bairro Ipiranga, a quadrilha servia como um momento de lazer para a comunidade local. E o trabalho não se limitava aos ensaios e às apresentações: também era produzido um jornal, o Boca do Trombone, que chegou a distribuir cerca de três mil exemplares no bairro.
Sem esquecer do seu início e dos ensaios que eram realizados nos salões da Igreja, hoje a Quadrilha atua de forma independente, preenchendo a agenda para os meses de junho e julho em festas juninas e arraiás privados e em instituições espalhadas pela cidade.

Além dos passos de dança
Para além dos passos de dança, a quadrilha promove o tradicional casamento a partir de um teatro, inclusive colocando em cena personagens queridos dos brasileiros. Como foi o caso do professor Girafales e a Dona Florinda que, na Quadrilha do Trombone, se casaram.
Neste ano, com o tema de o “Auto da Compadecida”, os noivos serão Chicó e Rosinha. “A gente banca os casamenteiros”, brinca Anderson.
O grupo ainda homenageia pessoas que consideram importantes a partir do enredo. “A gente sempre teve a proposta de ir além da quadrilha e sempre quis levar informações sobre a pessoa homenageada. Além disso, sempre leva em conta o cuidado com a representação do sertanejo, não reduz a apresentação a estereótipos.”
Isso porque, segundo o coordenador, a representação feita na maioria das quadrilhas é errônea: “O sertanejo usa a sua melhor roupa para ir à missa ou a um casamento, por exemplo, mesmo que seja uma camisa verde e uma calça amarela. Então, no nosso figurino, não usamos remendos ou dentes podres”.
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No caminho da festa
Com ao todo 16 casais para compor a quadrilha, a apresentação deste ano conta com uma particularidade: ao invés dos tradicionais três meses de ensaio, o grupo contou com apenas um mês e meio.
A rotina para a realização dos encontros exige comprometimento e organização dos participantes. Para o fisioterapeuta João Batista de Souza, que participa desde 2018, a partir de um convite de seu sobrinho, é possível conciliar. “Apesar de morar longe do local dos ensaios, eu consigo conciliar e incluir na minha rotina. Até porque, para mim, dançar quadrilha é uma terapia e me faz bem, muito bem.”

As expectativas para esse ano estão altas. “Minha expectativa é muito boa, já que nosso grupo é grande, e quanto mais casais, mais lindo ficam os passes. Foi pouco tempo de ensaio, mas o suficiente, já que muitos integrantes dançaram no ano passado e os que entraram este ano se entrosaram rapidamente”, complementa João.
A Quadrilha do Trombone já possui quatro apresentações marcadas e segue na expectativa de outras. Os jogos da Copa do Mundo mudaram um pouco a dinâmica de apresentações, e Anderson relata que ainda não sabe se vão suspender parte da agenda ou se seguirão o cronograma planejado.
O grupo ainda tem datas disponíveis para apresentações. O coordenador explica que o contato é feito de forma passiva, assim como para aqueles que desejam dançar na quadrilha: basta uma conversa nas redes sociais. Mas, para fazer parte mesmo do grupo, isso fica para o ano que vem.
*Estagiária sob supervisão da editora Cecília Itaborahy









