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A espetacular sinfonia da destruição


Por JÚLIO BLACK

14/05/2015 às 06h00- Atualizada 14/05/2015 às 09h13

Tom Hardy foi o escolhido para substituir Mel Gibson na nova versão de 'Mad Max', clássico do cinema de ação e ficção científica

Tom Hardy foi o escolhido para substituir Mel Gibson na nova versão de ‘Mad Max’, clássico do cinema de ação e ficção científica

'A Estrada 47' mostra os pracinhas da FEB durante a Segunda Guerra Mundial, em uma das raras produções do gênero no Brasil

‘A Estrada 47’ mostra os pracinhas da FEB durante a Segunda Guerra Mundial, em uma das raras produções do gênero no Brasil

Jogando a poesia para escanteio, podemos afirmar que nostalgia é aquela coisinha que gruda em nossa memória e nos faz afirmar que “antigamente era bom” (mesmo que o bom senso diga o contrário), provocando narizes torcidos, revolta e até mesmo ameaças quando alguns dos nossos filmes e seriados favoritos ganham os famigerados remakes. Para estes, é exemplo de “heresia” o clássico “O vingador do futuro”, em que não há criatura capaz de dizer que a versão com Colin Farrell possa ser superior à protagonizada pelo nosso querido Arnoldão Schwarzenegger nos anos 80. Poderiam entrar na lista, facilmente, “Robocop” e “A hora do pesadelo” – mas o mesmo não vale para a trilogia “Mad Max”, que volta aos cinemas nesta quinta-feira com “Estrada da fúria”, 30 anos após a produção de “Além da Cúpula do Trovão”.

Para os puristas mais renitentes, fica o aviso: a volta do diretor George Miller ao universo criado por ele em 1979 é a exceção que não confirma a regra. Aos 70 anos de idade, ele mostra que não perdeu a mão e entrega ao público um filme com cenas de ação alucinantes, explosões e o mesmo clima de “no future” da célebre trilogia.

Apesar de todo apelo que um “Mad Max” causa, a produção passou por vários contratempos nos cerca de 12 anos entre sua idealização e o corte final. Mesmo assim, George Miller tenta entregar para o público um filme que mantém o espírito dos originais, sem esquecer das novas gerações. Outro desafio foi encontrar um substituto para Mel Gibson, que não pôde repetir o papel do ex-policial “Mad” Max Rockatansky. O escolhido para a tarefa foi Tom Hardy (“Batman – O Cavaleiro das Trevas” e “A origem”), escolha ideal para um papel que exige muito mais um olhar alucinado que talento shakesperiano para as poucas falas do personagem.

Com tanto tempo entre “Além da Cúpula do Trovão” e “Estrada da fúria” – e um protagonista bem mais jovem -, George Miller prefere não situar temporalmente o novo “Mad Max”. Ele não chega a ser um reboot, remake ou continuação, evitando citar o passado ao mesmo tempo em que parece se passar num futuro ainda mais distante: de acordo com o diretor, ele se situa cerca de 45 anos após o evento apocalíptico que transformou o mundo num grande deserto, em que a água se junta ao petróleo como bem escasso e motivo de guerras entre os poucos humanos restantes. Até mesmo o passado de Max Rockatansky é levemente alterado, mas nada que cause estranheza.

Na trama propriamente dita, Max é capturado por um grupo de desajustados e levado para a Cidadela, comandada com mão de ferro pelo impiedoso déspota Immortal Joe (Hugh Keays-Byrne, que interpretou o vilanesco Toecutter no primeiro “Mad Max”). O sujeito vive acima da ralé, ao lado de seus soldados (os Garotos de Guerra), da Imperatriz Furiosa (Charlize Teron), filhos, amas de leite e as parideiras escolhidas para gerar seus filhos. Sem querer, Max é envolvido nos planos de Furiosa, enviada por Joe para negociar um carregamento de combustível para outra cidade e que resolve fugir com algumas das concubinas do tirano.

A partir daí, “Mad Max: Estrada da fúria” transforma-se em um alucinante filme de perseguição pelo deserto (as locações foram na Namíbia), com vilões insanos, explosões, capotamentos e tiros a mil, numa espetacular sinfonia de destruição embalada pela grandiosidade da música clássica e o poder sonoro da música eletrônica, cortesia do projeto holandês Junkie XL. E não podemos esquecer, claro, do visual dos carros utilizados pela produção, com um visual pós-punk de criatividade ímpar e que põe no chinelo os carangos de “Velozes e furiosos”.

Se o roteiro do filme não exige maiores arroubos intelectuais, “Mad Max: Estrada da fúria” mostra que George Miller consegue entregar uma produção que tem tudo para se tornar um dos clássicos modernos do cinema de ação – isso se os outros três filmes previstos para dar seguimento à franquia não superarem o “novo original”. Serão anos bem interessantes.

MAD MAX: ESTRADA DA FÚRIA

UCI 3 (3D/dub): 13h10, 18h10 (todos os dias) e 23h10 (sexta-feira e sábado). UCI 3 (3D): 15h40 e 20h40. UCI 4: 13h50, 16h20, 18h50, 21h20 (todos os dias) e 23h50 (sexta-feira e sábado). Cinemais 2 (dub): 14h e 18h50. Cinemais 2: 16h30 e 21h20. Cinemais 4 (3D/dub): 14h30, 17h, 19h30 e 22h. Palace 1: 14h, 16h30, 19h e 21h30 (exceto segunda-feira). Santa Cruz 1 (dub): 16h15, 18h45 e 21h15

Classificação: 14 anos

Inspirado no melhor de Hollywood

O termo “cinema brasileiro” tem como sinônimo, nos dias atuais, a cópia rasteira das comédias comerciais produzidas por Hollywood, tendo como (maus) exemplos “Loucas pra casar”, “O candidato honesto”, “Até que a sorte nos separe”, entre outros. Por isso mesmo, é uma pena que uma produção como “A Estrada 47” (vencedora do Festival de Gramado em 2014) seja lançada justamente na mesma semana de “Mad Max”, e ainda na esteira do sucesso do novo filme dos Vingadores.

A produção, dirigida por Vicente Ferraz, é um daqueles filmes de guerra levemente inspirados em fatos reais e concentrados nos dramas particulares de um grupo de soldados da Segunda Guerra Mundial – no caso, quatro dos mais de 25 mil homens que o Brasil enviou para a Itália em 1944 para auxiliar os Aliados (Estados Unidos, Inglaterra, França e Rússia) na derrocada do Eixo, formado por Alemanha, Itália e Japão.

Especialistas em engenharia, Piauí (Francisco Gaspar), Tenente (Júlio Andrade), Laurindo (Thogun Teixeira) e Guima (Daniel de Oliveira) sofrem um ataque de pânico antes da subida ao Monte Castelo e acabam se separando do batalhão, ficando em dúvida se retornam para seus companheiros – sob risco de serem julgados por deserção – ou tentam fazer algo para limpar seus nomes. A solução acaba surgindo por meio da fictícia Estrada 47: eles resolvem retirar todas as minas colocadas pelo inimigo na via, o que permitirá aos aliados ter um acesso vital para o triunfo sobre os italianos e alemães.

Com excelente apuro técnico e críticas entusiasmadas, “A Estrada 47” talvez seja o primeiro filme brasileiro a mostrar com qualidade e de forma digna a participação dos pracinhas da FEB (Força Expedicionária Brasileira) no conflito em solo europeu, sem partir para o patriotismo barato ou desmerecer os esforços de pessoas que, com poucos recursos, sem treinamento e desacostumadas ao tenebroso inverno europeu, arriscaram suas vidas em defesa do mundo livre.

Pelo bem do cinema nacional, é um filme que precisa ser conhecido.

A ESTRADA 47

UCI 5: 13h, 15h20, 17h40, 20h e 22h20

Classificação: 12 anos