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Histórias que não podem ser esquecidas


Por JÚLIO BLACK

14/04/2015 às 06h00- Atualizada 14/04/2015 às 09h40

'Osvaldão' retrata a trajetória do ex-boxeador que foi para o Araguaia liderar a luta contra o regime militar

‘Osvaldão’ retrata a trajetória do ex-boxeador que foi para o Araguaia liderar a luta contra o regime militar

Há quem tente relativizar a repressão, as mortes, as torturas e a censura que, por quase 21 anos, mancharam a história do Brasil durante os anos de chumbo da ditadura militar; ao mesmo tempo, não falta quem lute para que algumas das mais tristes páginas escritas pelos filhos desta terra não sejam apagadas pelo esquecimento: é o caso do Instituto Cultura em Movimento (Icem), organizador do projeto “Cinema pela verdade”, que chega à sua quarta edição e pela primeira vez terá exibições em Juiz de Fora de documentários ligados ao tema. A primeira delas será nesta terça-feira, com o documentário “Osvaldão”, tendo continuidade na quinta e sexta-feira com “Em busca de Iara” e “Democracia em preto e branco”, sempre acompanhado de debates com pesquisadores do tema e pessoas atuantes em causas sociais na cidade. Um dos objetivos do evento é – a partir da exibição dos filmes – informar o cidadão e aproximá-lo desse momento histórico, além de promover a reflexão sobre o tema e promover a consciência cidadã. Toda a programação em abril acontecerá no Museu de Arte Murilo Mendes (Mamm), com sua repetição em maio programada para a Universidade Estácio de Sá.

A responsável pelas sessões em Juiz de Fora é a estudante de cinema da UFJF Júllia Aranha Amaral. Ela conta que este será o primeiro ano em que o “Cinema pela verdade” sai de Belo Horizonte e vai para o interior do estado (ainda há a possibilidade de a capital mineira receber os documentários após a passagem por Juiz de Fora). “Este é um projeto nacional em que os universitários podem enviar currículos para organizar as exibições, e como estudo em Juiz de Fora e fui a escolhida para Minas Gerias, a mostra passa automaticamente a ser realizada aqui”, explica. Com a escolha, Júllia passou cinco dias no Estado do Rio, em março, a fim de se preparar para o evento, acompanhando palestras, workshops e conversas com os diretores dos filmes. “Eu pensava que sabia muito sobre a ditadura, mas então percebi que não sabia. Como cada filme tem uma perspectiva diferente, você consegue montar um quadro sobre a época, ampliar a visão e fazer questionamentos que não sabia que existiam.”

Histórias sob diversos ângulos

O primeiro documentário, a ser exibido nesta terça-feira, será “Osvaldão”, sobre a vida do mineiro de Passa Quatro chamado Osvaldo Orlando Costa, um ex-campeão de boxe que se tornou o comandante da Guerrilha do Araguaia, ação armada que lutava contra a ditadura a partir do interior do Pará. Na quinta-feira, “Em busca de Iara” traça a trajetória da guerrilheira Iara Iavelberg, que foi casada com Carlos Lamarca. Maria Pamplona, que dirigiu o longa com Flávio Frederico, é sobrinha da ex-guerrilheira. Por fim, na sexta-feira, “Democracia em preto e branco” vai mostrar um dos raros momentos em que o futebol e política ocuparam o mesmo “gramado”. É a história da célebre Democracia Corintiana liderada por jogadores como Sócrates, Wladimir e Casagrande, que adotou no clube o sistema democrático de decisões. A cada sessão, cientistas políticos, professores de história, integrantes da União Nacional dos Estudantes e da Comissão Municipal pela Verdade vão debater com o público os temas dos filmes.

Para Júllia, o projeto é importante – principalmente – para as gerações mais jovens. “Acho que todo mundo deveria participar para que a gente entenda a nossa história e de onde viemos, além de compreender o que levou a polícia e a política a serem como são atualmente. Somos de uma geração que pensa pouco, que recebe as coisas prontas, que é imediatista, que vê a manchete e já compartilha sem ler. Se nem todos vão concordar ou discordar não importa, pois não queremos verdades prontas”, opina a estudante, acrescentando que o cinema é importante nesse processo pela facilidade de acesso ao que é produzido. “Ele (o cinema) tem poder de apresentar e criar opiniões, e os cineastas têm um papel muito importante nisso.”

FESTIVAL CINEMA PELA VERDADE

OSVALDÃO

Nesta terça-feira, às 14h30

EM BUSCA DE IARA

Quinta-feira, às 14h30

DEMOCARCIA EM PRETO E BRANCO

Sexta-feira, às 14h30

Mamm

(Rua Benjamin Constant 790)