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Para saudar o eterno Rei Momo


Por BÁRBARA RIOLINO

14/02/2015 às 07h00

Zé Kodak mostra a camiseta do desfile de 2015

Zé Kodak mostra a camiseta do desfile de 2015

O ambiente circense, bem como o centenário de George Savalla Gomes, o palhaço Carequinha, foi amplamente explorado pelas escolas de samba de Juiz de Fora e blocos neste 2015. A figura do palhaço, ladeada por elementos carnavalescos, iria estampar as camisetas deste ano da Banda Daki. Porém, com a morte inesperada do eterno Rei Momo juiz-forano, Júlio Guedes, a ideia precisou ser abortada e transferida para o próximo ano, conforme anunciou o general da Banda, Zé Kodak. “Já estava tudo pronto, mas quando recebemos a notícia de seu falecimento, não pensamos em outra coisa, afinal, é justa a homenagem”.

Com o tema “Quem foi rei sempre será majestade!”, Zé Kodak e a Banda Daki prometem levar, mais um vez, a alegria e o espírito carnavalesco a centenas de foliões, ansiosos por mais um cortejo da banda, que chega, neste ano, a seu 43º desfile.

“Temos uma história entrelaçada com o carnaval de Juiz de Fora, afinal, foram mais de 40 anos dedicados aos desfiles dos blocos e das escolas de samba. Sua ausência ainda é forte, mas sinto-me honrado e satisfeito por receber tanto carinho, respeito e atenção das pessoas” , confessa, emocionado, Carlos Guedes, irmão gêmeo do eterno Rei Momo Júlio Guedes. As honrarias à figura do rei estarão estampadas nas camisetas dos foliões e nos carros que farão o cortejo da Banda Daki.

Embora ainda sinta muito a falta do irmão, Carlos confirmou que estará presente no desfile deste sábado, dando continuidade ao legado deixado por Júlio, que é o da alegria de folião, de saber brincar no carnaval de rua. “Meu irmão gostaria de me ver por lá, afinal, a vida precisa seguir em frente.”

Para Zé Kodak, Júlio foi a alegria do carnaval. “Foi o rei perfeito, animado e espontâneo. Ele era tão querido que uma vez ele demorou quase quatro horas para se deslocar da minha loja até o Sindicato dos Bancários, na Rua Batista de Oliveira, onde iria fazer uma apresentação como Rei Momo. Ele parava com todos para conversar. Ele vivia a Banda Daki desde o nascimento dela”, destaca o general, amigo de Júlio desde a década de 1960. Júlio Guedes morreu em dezembro do ano passado, aos 63 anos, vítima de infarto. Esteve por 12 anos à frente da corte carnavalesca local. Já seu irmão, Carlos, ocupou o posto por dois anos.

Com muito confete, serpentinas e marchinhas, o general espera que, em 2015, todos os participantes aproveitem muito a festa. “É uma emoção muito grande ver aquela multidão brincar o carnaval num país como nosso, onde tudo é difícil. Não se tem saúde, educação, segurança, entre outras coisas. É o momento em que todo mundo se traveste e vem pular o carnaval.”

Folia abençoada

Para Zé Kodak, a estrutura do desfile tem melhorado muito nos últimos tempo. Segundo ele, a festa tem sido encerrada de forma positiva, sem ocorrências graves. “Não nos preocupamos mais em reunir uma grande quantidade de pessoas, mas sim com a qualidade, que vai do cortejo até o repertório. É tudo uma grande brincadeira”, avalia o general, que considera o desfile da Banda Daki “abençoado”, por se concentrar em frente à Igreja de São Roque, na Avenida dos Andradas, e dispersar na Catedral Metropolitana, na Avenida Rio Branco.

A concentração começa, às 10h, no Largo de São Roque, na Avenida dos Andradas, e, às 12h30, acontece a clássica entrega da chave da cidade feita pelo prefeito Bruno Siqueira (PMDB) ao Rei Momo e à Rainha do Carnaval, decretando, assim, o início do desfile.

Fundada para ser um bloco de carnaval em 1972 por um grupo de estudantes, a agremiação logo ganhou proporção e se tornou uma banda. Zé Kodak passou a liderá-la em 1979. De uma dezena de participantes, em um ano, o grupo se transformou na principal atração carnavalesca de Juiz de Fora. Para chegar aos milhares que hoje acompanham os trios, não demorou muito. Ao longo das mais de quatro décadas, tornou-se programa mais aguardado pelos foliões, que não perdem a oportunidade de abusar da criatividade. No ano de 2005, a Banda Daki foi declarada patrimônio cultural do município.

Políticos ganham as ruas

Nestor Ceveró, Graça Foster, Dilma Rousseff e Lula, além de outras personalidades da política brasileira, devem marcar presença, em tom de crítica e ironia, neste sábado durante o desfile da Banda Daki. O general adianta que muitos outros personagens caricatos ainda estão por vir, como a Isabelita dos Patins. “Esperamos ver todos os tipos de fantasias. No ano passado, para se ter uma ideia, até o Mr. Bean nos prestigiou. Pense bem, ele veio da Inglaterra de carroça!”

Mudanças no trânsito

O trânsito nas principais vias do Centro será modificado. Segundo a Settra, a partir da meia-noite deste sábado, haverá a inversão de mão de direção da Rua Rei Alberto, entre a Avenida Rio Branco e Rua Santo Antônio, e proibição de estacionamento em algumas ruas. A partir da 8h30, as seguintes vias terão interdição total de fluxo: Avenida dos Andradas, entre as ruas Barão de Cataguases e Silva Jardim; Avenida Rio Branco (pista central), entre a Rua Barão de Cataguases e Avenida Dr. José Procópio Teixeira. A Avenida Barão do Rio Branco, na pista lateral no sentido Manoel Honório/Bom Pastor, o bloqueio acontece entre as ruas Barão de Cataguases e Espírito Santo. Já na outra pista lateral, no sentido Bom Pastor/Manoel Honório, a interdição será entre as ruas Espírito Santo e Barão de Cataguases, a Rua Santa Rita, entre Batista e Rio Branco, Rua Fernando Lobo e Rua Floriano Peixoto, entre Rua Santo Antônio e Avenida Getúlio Vargas.

Segurança

Além do efetivo da Polícia Militar que estará empenhado durante o desfile, a segurança dos foliões também ficará a cargo da Guarda Municipal de Juiz de Fora. Quarenta guardas estão escalados para atuar na área do Parque Halfeld, dando apoio à fiscalização de posturas e na prevenção ostensiva nas praças públicas de domínio do município, localizadas no trajeto do cortejo, de forma a preservar bens, serviços e instalações.