Abram alas para as guitarras

De Bom Jesus do Itabapoana, Lírica faz sua primeira apresentação no Carnarock
Ziriguidum telecoteco no balacobaco. Chora, cavaco. Segura a marimba. Dez, nota dez. Durante o carnaval, estes são alguns dos termos mais conhecidos por quem curte a folia de Momo até a Quarta-feira de Cinzas. Mas há cidades como Juiz de Fora, entretanto, em que surdos, cuícas e tamborins dão lugar ao peso de guitarras, contrabaixos e baterias para a galera que não se liga se “Sonhar com rei dá leão” ou se conseguiram pegar o Ita no Norte: para estes, a opção é a terceira edição do Carnarock, que acontece neste sábado e na segunda-feira no Galpão Lounge e Bar. Na programação, espaço para o metal, o pop rock e o reggae.
O primeiro dia será reservado para as vertentes mais pesadas do rock, com as apresentações das locais Tuka’s Band, Sobrecarga, Chains of Dystopia, NxDxUx, Mecena, Caos Corp e Os Calhordas, além das visitantes Dracon (Muriaé), Órion (Santos Dumont), Offroad (Tocantins) e Lírica (Bom Jesus do Itabapoana – RJ). Na segunda-feira, sobem ao palco Fya Roots, A Outra, Casa Roots, Joh Play – todas da cidade – e Elevador-Sul, de Ubá. Uma das organizadoras do evento – ao lado do vocalista Tuka, da Tuka’s Band, Marta Andrade diz que a vertente menos pesada do evento era um pedido do público que enfim pôde ser atendido.
Marta diz, ainda, que ela e Tuka já tinham a vontade de realizar o festival há algum tempo, pois tanto eles quanto pessoas que conheciam tinham a necessidade de ter uma opção para o período. “Eu morei cerca de dez anos em Brasília antes de voltar, e lá havia um festival do tipo, inclusive com o mesmo nome. Conseguimos fazer a primeira edição em 2013, na cara e na coragem, pois não sabíamos o que ia rolar, afinal há essa tradição de o pessoal viajar no carnaval”, conta. “Mas foi surpreendente, tivemos um público médio de 200 pessoas por dia.”
Quem vai ter sua primeira oportunidade na “passarela do rock” e em Juiz de Fora neste sábado são os fluminenses do Lírica, que misturam na mesma baciada sonora o metal core, death core e progressivo em seus cinco anos de atividades, preparando-se para entrar em breve no estúdio. Guitarrista do grupo, Dinossauro conta que ficaram sabendo do festival por intermédio de amigos e entraram em contato com Marta, conseguindo espaço no line-up do evento. “Foi surpreendente saber desse festival durante o carnaval. Foi até o principal motivo para ficarmos interessados em participar, movimentos como esse não acontecem sempre. Essa é uma época em que nós, do mundo do rock, sempre somos martirizados” (risos).
Já Cássio Arbex, guitarrista de Os Calhordas, já participou do Carnarock quando tocava em outras bandas. “A Marta e o Tuka vivem o rock no dia a dia e sentem que tem muita gente que não gosta das músicas tocadas no carnaval e de tudo que envolve a festa. Gostamos de rock e queremos nos divertir ouvindo rock; essa é a trilha sonora do nosso carnaval, de quem não gosta de samba mas gosta de festa”, resume.
Foi um bloco que passou em minha vida
Apesar de hoje estar integralmente ligada ao rock (além de produzir eventos do gênero, ela é proprietária de uma loja que vende artigos para quem se liga no estilo), Marta Andrade tem história para contar de carnavais passados. “Meu pai e meu tio participavam do (bloco) Domésticas de Luxo, quando era criança vivia nos ensaios de blocos. Conforme fui crescendo, porém, fui tomando gosto pelo rock e me afastando. Mas até curto algumas coisas daqui, como o Parangolé Valvulado, o bloco mais rock and roll de Juiz de Fora”, relembra.
Dinossauro, por sua vez, afirma que “nunca foi do carnaval”. “Às vezes, eu só passava pela folia nas ruas ou movimentos de colégio quando ainda estudava, mas meio que contra a minha vontade ou porque estava no caminho ou não podia faltar aula… Nasci envolto pelo rock, então o carnaval nunca fez parte da minha vida diretamente.”
E se não houvesse o Carnarock? Marta não titubeia em responder: “Provavelmente ficaria em casa, assistindo a uma maratona de filmes e séries” (risos).
CARNAROCK
Neste sábado, às 14h, e segunda-feira às 16h
Galpão Lounge e Bar
(Avenida Vereador Laudelino Schetino 16 – Democrata)








