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Morre Delegado, símbolo da Mangueira


Por Tribuna

13/11/2012 às 07h00

O mestre dos mestres-salas, Delegado, da Mangueira, ontem, aos 90 anos. Reverenciado como o maior da história do carnaval carioca, ele estava internado havia seis dias em uma clínica na Baixada Fluminense. Há três sábados, ainda era visto no ensaio na quadra da escola de samba – o Palácio do Samba, onde na noite desta segunda seria realizado o velório. O enterro está marcado para a manhã de hoje. A família não quis divulgar detalhes sobre a morte.

Nascido no morro em 29 de dezembro de 1921, companheiro de muitos carnavais de Cartola e Nelson Cavaquinho, Hégio Laurindo da Silva era o presidente de honra da Mangueira. Havia sido escolhido por baluartes ano passado, em substituição ao intérprete de sambas da escola, Jamelão, que morreu em 2008. O cargo, simbólico, é ocupado por figuras históricas da Verde e Rosa, com décadas de serviços prestados. No caso de Delegado, foram 36 anos só recebendo notas 10 dos jurados – o último foi em 1984, quando o Sambódromo foi inaugurado.

Delegado morava sozinho numa casinha bem simples de fachada verde e rosa num dos acessos à favela; na sala, reunia um monte de troféus e placas comemorativas concedidas pelo mundo no samba. Passava parte dos dias sentado à porta, observando o vaivém da favela.

O apelido Delegado foi dado a Hélio por Mané Araújo, irmão do juiz-forano Geraldo Pereira, ícone da música popular brasileira. Segundo Régis da Vila, presidente do Instituto Cultura do Samba, de Juiz de Fora, estava sendo preparada uma homenagem para o mestre-sala para o dia 22 de dezembro na cidade, onde ele receberia um troféu com seu nome. Em 22 de dezembro de 2004, Delegado nos presenteou com uma bandeira da Mangueira. Ele tem uma forte ligação com Juiz de Fora. Motivados por essa doação, enviamos à Câmara Municipal um pedido para que essa data fosse reconhecida como Dia Municipal do Mestre-sala e Porta bandeiras. Em janeiro de 2011, a data foi instituída por meio da lei municipal 12.214.