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‘Maluquices’ de Ziraldo


Por MARISA LOURES

13/08/2015 às 07h00- Atualizada 13/08/2015 às 14h14

Ziraldo convesa com o público e autografa livros no sábado

Ziraldo convesa com o público e autografa livros no sábado

Primeira edição da Festa Literária de Rio Novo reuniu cerca de 6 mil pessoas em 2014

Primeira edição da Festa Literária de Rio Novo reuniu cerca de 6 mil pessoas em 2014

A intenção era fazer uma homenagem a Oscar Niemeyer, pelos seus cem anos de vida comemorados em 2007. O arquiteto aceitou, mas pediu que cada cavaleiro seguisse a viagem com um livro nas nãos. “A partir daí, criamos a Associação Cavaleiros da Cultura e desenvolvemos o projeto de incentivar a leitura”, recorda-se o presidente da entidade e neto de Niemeyer, Carlos Oscar Niemeyer, que não se conteve e decidiu partir para ações mais amplas, lançando, no ano passado, a Festa Literária de Rio Novo. Desta quinta, 13, até domingo, 16, o pequeno município de pouco mais de oito mil habitantes e localizado a 50km de Juiz de Fora sedia mais uma edição do evento, rendendo reverências a Ziraldo. Na lista de atrações, entre shows, lançamentos, palestras e espetáculos ao ar livre, está o encontro com Mary e Eliardo França, dupla de mais de 300 obras publicadas em quase meio século de carreira.

A presença mais aguardada está agendada para sábado, às 9h: Ziraldo faz palestra voltada para alunos da educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental, seguida de seção de autógrafos. “Eles me convidaram para assistir à chegada dos cavaleiros a Rio Novo para a distribuição de livros, e eu vou. Só não vou a cavalo, porque não aguento. Não sei nem montar”, brinca o também caricaturista, chargista e dramaturgo. “Velho mistura tudo, e homenagens para a gente já virou bagunça, mas é a melhor coisa do mundo, é o reconhecimento do seu trabalho. Imagina lançar a quantidade de livros que lancei e o tanto que trabalhei?”, diz.

Figura constante nos festivais literários do país, Ziraldo aporta em Rio Novo com uma certeza. “Sempre que participo de eventos assim, surge uma ideia. Sei que vai nascer um livro daqui a pouco”, projeta ele, ressaltando que a produção brasileira voltada para a meninada é a melhor do globo.

O casal de escritores Mary e Eliardo França fazem bate-papo, às 15h, também no sábado. “Será um momento mais que especial, porque vamos ter a oportunidade de encontrar com nossos leitores. Mais que isso, precisamos aproximar os livros de todas as pessoas. Todo movimento como esse é bem-vindo”, afirma Mary, em entrevista para o “Sala de leitura”, que vai ao ar neste sábado, às 10h30, na Rádio CBN Juiz de Fora (AM frequência 1.010), com reprise na segunda-feira, às 14h30.

Sucesso do mercado editorial brasileiro, com publicações em várias idiomas e inúmeras premiações, Mary e Eliardo trabalham atualmente no lançamento do livro “O que é que te diverte” (editora Caramelo) e no relançamento de “A árvore e os bichos”.

Entre os shows dos quatro dias de festa, estão Lúdica Música!, Flavinho da Viola e Sandra Portella. A programação completa está disponível em www.cavaleirosdacultura.org.br.

Tradição literária e cultural

Paulino de Oliveira, um dos autores que se dedicaram à história de Juiz de Fora, é apenas um dos escritores que têm Rio Novo como berço. Nesta lista, também estão a poeta Eugênia Maria Rodrigues, que promoveu, durante décadas, encontros nacionais de trovadores, e o memorialista Quincas Fernandes, responsável pelos manuscritos publicados com o título “Memórias de Rio Novo”, lançado no ano passado pelo Instituto Cultural Amílcar Martins – ICAM.

“Esse lado cultural é grande e pouco explorado. Muitos nomes que se destacaram na literatura são de Rio Novo. Sinto a vontade das pessoas de ajudar e participar desses eventos. Com o livro, os jovens podem ter uma perspectiva de um futuro melhor”, afirma Carlos Oscar Niemeyer.

Na primeira noite do evento, às 19h30 desta quinta-feira, o jornalista e escritor João Pedro de Sá Roriz é o convidado especial da conferência “Para gostar de ler”. De sexta a domingo, seguem abertas as exposições “Ziraldo – Homenagens”, em que artistas locais e regionais apresentam suas leituras do escritor mineiro e de seus personagens, e “Reinações de Emília”, concebida pela Secretaria de Estado da Cultura, por meio da Superintendência de Bibliotecas Públicas de Minas Gerais.