Samba ‘Tristeza pé no chão’ se torna patrimônio imaterial de Juiz de Fora

Canção estreou no Festival de Música Popular Brasileira da cidade em 1972


Por Beatriz Bath*

13/03/2026 às 14h12

O samba “Tristeza pé no chão”, composto por Armando Fernandes de Aguiar e cantado na voz de Clara Nunes, agora integra o Livro de Registro de Bens Imateriais de Juiz de Fora. A música, que foi lançada em 1972 e apresentada no Cine-Theatro Central, durante o Festival de Música Popular Brasileira da cidade, tornou-se parte da memória coletiva juiz-forana. Com o reconhecimento oficial como patrimônio imaterial, o samba poderá receber ações de preservação, valorização e difusão. A canção ajuda a contar a história e a identidade cultural do município.

‘Vai manter a tradição, vai meu bloco tristeza e pé no chão’

tristeza pé no chão mamão
(Foto: Felipe Couri)

Em entrevista à Tribuna em 2023, Mamão, como é conhecido, conta que começou a compôr por influência dos amigos e, em seguida, passou a concorrer no Festival de Música Popular Brasileira, ficando em quinto lugar na primeira vez. Ele também concorreu em outros festivais, mas foi em 1972 que o samba, hoje tombado patrimônio, nasceu: em uma noite de boemia, em meio a uma roda improvisada.

“E eu falei: ‘Oh, meu amigo, dá um aperto nesse tamborim. Um aperto de saudade’. Na mesma hora, eu pedi para um amigo meu, que trabalhava na FEEA comigo, anotar esse verso, para eu não esquecer, porque a gente ficou a noite toda lá. No outro dia, eu pedi a ele, e ele tinha guardado. A partir disso, eu compus ‘Tristeza, pé no chão’’, contou, na entrevista.

“Tristeza pé no chão” ganhou não só Juiz de Fora, mas o país todo. Mamão conta que escolheu três cantoras para performar o samba: “Mostre para Elizeth Cardoso, Elza Soares e Clara Nunes. Se nenhuma delas quiser, eu estou fora.” Clara topou e a canção se mantém como uma das mais famosas da artista.

Em processo para se tornar um bem cultural de natureza imaterial do município de Juiz de Fora desde 2025, a canção, que ganhou espaço na MPB, ainda é relevante. Mamão conta que, onde quer que vá, as pessoas cantam: “Dei um aperto de saudade no meu tamborim…Molhei o pano da cuíca com as minhas lágrimas”.

Confira a lista de bens imateriais de Juiz de Fora:

  • Festa Alemã
  • Receita do Pão Alemão
  • Centro de Estudos Teatrais – Grupo Divulgação
  • Batuque Afro-brasileiro de Nelson Silva
  • Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga
  • Concurso Miss Brasil Gay
  • Banda Daki
  • Apito do Meio-dia
  • Hino ‘Oh! Minas Gerais’
  • Roda de capoeira

*Estagiária sob supervisão da editora Cecília Itaborahy