Exposição ‘Textura do orgulho’ discute identidade e ancestralidade da mulher negra a partir da moda
Em cartaz na Galeria Nívea Bracher até 1º de fevereiro, a mostra da juiz-forana Stéphanie Magalhães coloca o cabelo crespo como protagonista e linguagem política na construção da autoestima feminina negra

A identidade e a ancestralidade da mulher preta ganham destaque a partir do olhar da moda e da fotografia na exposição “Textura do orgulho”. Com o cabelo crespo e cacheado assumindo o papel de protagonista, símbolo de força, resistência e beleza, a fotógrafa Stéphanie Magalhães apresenta uma produção que investiga estética, identidade e ancestralidade a partir da experiência da mulher negra. A mostra está em cartaz na Galeria Nívea Bracher, localizada no segundo piso do Mercado Municipal, na Rua Paulo Frontin, 170, no Centro da cidade.
Juiz-forana, Stéphanie é formada em Cinema e Audiovisual pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), atua com fotografia desde 2016 e atualmente finaliza sua graduação em Moda também pela UFJF. A exposição surge como um desdobramento de seus estudos acadêmicos e investiga a influência do cabelo na autoestima e na autoimagem da mulher negra. Em “Textura do orgulho”, segundo a artista, o cabelo crespo e cacheado ocupa o centro da narrativa, apresentado como signo de força. Mais do que um elemento estético, ele se afirma como uma linguagem política e cultural, capaz de reafirmar identidades historicamente silenciadas e de propor novas narrativas de pertencimento.
A fotógrafa conta que teve, desde cedo, o apoio dos pais para seguir as áreas pelas quais sempre demonstrou interesse. Esse incentivo, que ela reconhece como um privilégio, foi determinante para que pudesse construir seu percurso artístico e investigar, por meio da fotografia e da moda, temas que atravessam sua própria trajetória.
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Foto: Arquivo pessoal
O cabelo crespo, em especial, surge como uma experiência pessoal e coletiva. Ao refletir sobre sua transição capilar e aprofundar a pesquisa para a exposição, Stéphanie identificou relatos semelhantes ao seu: memórias marcadas por estigmas, tentativas de controle e pela associação do cabelo natural a algo que deveria ser escondido ou corrigido. Esse reconhecimento reforçou o desejo de transformar suas próprias vivências, compartilhadas por tantas outras mulheres pretas, em uma narrativa aberta ao olhar de todos.
Na exposição, o cabelo deixa de ser apenas um elemento estético e passa a ocupar um lugar político, associado à afirmação, ao pertencimento e à reconstrução da autoestima da mulher negra. As imagens evidenciam o corpo como espaço de resistência e autenticidade, dialogando com referências do dandismo negro, movimento histórico e cultural no qual homens e mulheres negras utilizam a elegância, a alfaiataria e o vestir refinado como forma de afirmação identitária e contestação social, e da alfaiataria latino-americana. Ao articular moda, memória e identidade, a mostra propõe novas leituras visuais que celebram a diversidade e ressignificam códigos historicamente excludentes.
O projeto foi selecionado em primeiro lugar no Edital Estudante de Moda e Novos Criadores, lançado pelo Governo de Minas Gerais com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) 2025. A conquista viabilizou o desenvolvimento da produção, que agora ganha uma versão para o espaço expositivo da Galeria Nívea Bracher, onde a exposição permanece em cartaz até 1º de fevereiro.
*Estagiária sob supervisão da editora Cecília Itaborahy









