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Umbigo das Américas


Por BRUNO CALIXTO Repórter

12/10/2011 às 07h00

Cusco (Peru) – A união das culturas inca e espanhola resultou no país chamado Peru. Entre ruas de pedras, igrejas e museus, Cusco, a 3.700m de altitude, é a cidade imperial mais importante da nação, que já foi vice-reinado espanhol. Em seu entorno, é possível conhecer uma zona arqueológica monumental, sobretudo o maior e mais misterioso vale sagrado e santuário inca: Machu Picchu.

Imagem mais representativa – e vendida – da América Latina, Machu Picchu, cem anos após o início de sua exploração científica, é a porta de entrada para o turista interessado em percorrer o Novo Continente. O ideal é iniciar a caminhada – que pode durar entre 3h e 4h em média – antes das 13h30. Para começar, a dica é subir ao Huayna Picchu, de onde se apreciam a imensidade do vale sagrado e um dos únicos habitantes vivos do local, as llamas.

Com a presença de um guia, o passeio se torna mais ilustrativo, principalmente se o objetivo é entender o quanto os detalhes de cada ruína foram meticulosamente pensados. Todas as portas e janelas, por exemplo, encontram-se em posições estratégicas voltadas para a entrada e a saída do Sol. Subir a estreita escada de pedra denominada Putucusi denota valentia. Após entrar e sair das casas construídas pelos incas, pode-se contemplar Pedradas, um templo do Sol que guarda a tumba real, e a grande área de espetáculos, onde, segundo relatos históricos, animais eram sacrificados.

Credita-se o descobrimento de Machu Picchu ao historiador norte-americano Hiram Bingham, que, a mando da National Geographic, empreendeu diversas expedições pela América Latina no início do século XX. Acredita-se que o vale sagrado tenha sido finalizado em meados do século XV, sobrevivendo à dizimação ibérica e permanecendo escondido do olhar humano até 1911. No dialeto quechua, Machu Picchu significa montanha velha, mas na linguagem universal, a cidade perdida dos incas permanece mais renovada que nunca.

História viva

Partindo de Cusco, o traslado até Machu Picchu pode ser feito de trem seguido de ônibus, o que pode levar cerca de quatro horas. No caminho, entrecortado pelo Rio Urubamba e a Cordilheira dos Andes, é possível admirar a zona rural peruana, onde o cultivo de arroz e milho é a base da economia da região. Quem preferir pode optar pela trilha inca, cujo trajeto foi feito pelos nativos durante a construção do vale sagrado. A via estreita assegura o argumento de que o transporte das pedras foi feito sem auxílio de veículos sob rodas e/ou animais de grande porte, como o cavalo.

Mas há outras opções nos arredores de Cusco, que, na linguagem quechua, quer dizer umbigo, como o Vale Sagrado dos Incas, localizado às margens do Rio Vilcanota. O típico mercado de artesanato de Pisac é a base para quem pretende subir rumo às ruínas. Seguindo adiante, encontram-se povoados de Calca e Urubamba, a Fortaleza Inca e a Cidadela de Ollantaytambo, onde o tempo parece não ter passado. As ruas de pedras estreitas são margeadas por construções imperiais e lamparinas coloniais.

As ruínas de Chinchero, Tambomachay, Quenqo, Pucapucara e Sacsayhuaman formam outro conjunto arqueológico, mais próximo a Cusco. Em qualquer um dos acessos, é possível comprar todas as entradas juntas.

Mas é dentro de Cusco que o passado e o presente tomam a mesma forma. A Plaza de Armas (ou Praça Central) está no epicentro cultural da cidade de 510 mil habitantes, sendo 99% indígenas. A Catedral, o Museu Inca, o Templo do Sol (Koricancha) e o Convento de Santo Domingo são os principais atrativos para o dia. À noite, a praça se rende ao sabor dos restaurantes e ao charme das casas noturnas, opções modernas de entretenimento no entorno imperial, credenciando, dessa forma, esse pedaço da costa andina como um circuito capaz de ser muito mais que o umbigo das Américas retratado nos livros de história.