Viagem por ‘não-lugares’
Após cinco anos sem expor em Juiz de Fora, o artista plástico Petrillo assina a inédita Imaterial, a obra de Petrillo, no Espaço Cultural Correios. Quem for à mostra encontrará uma produção bem diferente dos últimos trabalhos que passaram pela cidade. O repertório ganhou mais cores e deixou de lado as linhas retas. Para reforçar o tom de experimentação, o artista brinca também com artifícios que vão da costura à utilização de espelhos e acrílicos. E todos esses recursos guardam um objetivo em comum: recriar um espaço que jamais possa existir.
Reflexões acerca do espaço têm sido uma constante no repertório do artista, que discute o tema desde 2005, quando realizou a mostra Landscapes, seguida por Lugares possíveis e Etéreas. Apesar da cronologia, ele frisa que a nova exposição reflete algo ainda em construção, que, provavelmente, irá desencadear em trabalhos bem diferentes nos próximos anos. A questão é buscar lugares em todos os lugares. Isso é o que tem me feito perseguir o que está além, e não uma paisagem pura e simples, mas uma paisagem enigmática. Em Imaterial, o interesse em demarcar a inexistência dos espaços propostos, inclusive, é denunciado já pela falta de título em todas as telas. Desejo que o público fique livre. Pode ser que os expectadores encontrem outros locais dentro do meu trabalho. A obra é aberta.
Para chegar até a nova exibição, Petrillo começou a pesquisar, há cerca de dois anos, mapas de levantamentos topográficos, que mostram terrenos por meio de curvas de nível. O material, classificado por ele como plasticamente muito rico, possibilitou uma nova visão sobre seu objeto de discussão. Petrillo passou a observar as áreas de cima. Até então, em suas produções, imperava o olhar por meio do horizonte. Após o amadurecimento das ideias, foi preciso um ano para que a produção ganhasse corpo, até se transformar na exposição, que já tem exibição confirmada no Rio de Janeiro, após a passagem por Juiz de Fora.
Arte-educação
De olho na formação de novos públicos para a arte contemporânea, a exposição contará com um projeto de arte-educação, coordenado pela professora Andréa Senra. A proposta é que, a cada sexta-feira, jovens estudantes possam visitar a sala de exibição para entender e discutir a produção artística atual, acompanhados por monitoras. Seis escolas da rede pública local terão transporte e alimentação financiados pelo projeto.
IMATERIAL – A OBRA DE PETRILLO
De segunda a sexta,
das 10h às 18h; sábados, das 10h às 14h.
Até 17 de setembro
Espaço Cultural Correios
(Rua Marechal Deodoro 470 – Centro)









