Fim das portas fechadas
A Secretária de Estado de Cultura, Eliane Parreiras, garantiu que, até 2014, o Museu Mariano Procópio será reaberto à visitação pública, mesmo que parcialmente. O anúncio oficial foi feito na manhã de ontem, durante a apresentação do programa Minas Território da Cultura, realizado na quarta e quinta-feira, na UFJF. De acordo com ela, em breve, o governador Antonio Anastasia divulgará o montante que será repassado para o término das obras de restauração da Villa Ferreira Lage e início de trabalhos prioritários no Prédio Mariano Procópio. As iniciativas para o levantamento dos recursos envolveram os governos federal, estadual e a administração municipal. "A primeira providência foi montar um grupo para desenhar um plano de ação com a finalidade não só de apoiar, mas principalmente colocar o museu aberto no menor tempo possível. A partir daí, foi possível diagnosticar o que seria fruto desse objeto de convênio", diz Eliane.
Segundo a secretária, o conjunto não será reaberto neste ano por ainda existirem questões legais a serem resolvidas. "O processo deve ser tratado com cuidado porque o prédio é tombado e precisa de um acompanhamento, mas há um compromisso pactuado com Juiz de Fora e que será formalizado com a vinda do governador", assegura. " Assim que forem concluídas as obras da fachada e a restauração do sistema estrutural, vamos entrar na etapa do decorativismo interno. Nesse momento, lançaremos o restauro visitável, em que o público vai poder acompanhar os trabalhos. Hoje vamos ter uma última reunião para finalizar o plano de ação", conta o diretor-superintendente da instituição, Douglas Fasolato.
No dia 25 de março, o deputado federal Marcus Pestana havia publicado, no Facebook e no Twitter, que o Governo de Minas decidiu investir R$ 5 milhões para a modernização e reforma do Museu Mariano Procópio, após reunião técnica para a definição do plano de trabalho para a iniciativa. Contudo, o diretor-superintendente e a secretária preferiram não falar de valores.
Ações práticas em Juiz de Fora
Levar aos municípios de Minas Gerais as produções e mecanismos culturais que hoje o estado dispõe, acabando com a centralização em torno de Belo Horizonte. Esse é o objetivo do programa Minas Território da Cultura, lançado no início de março, abrangendo as dez macrorregiões do estado, chamadas de Territórios Culturais. "Concluímos que os projetos que vínhamos realizando durante o ano não eram distribuídos de maneira articulada. Por isso, decidimos juntar tudo numa causa em conjunto. Isso significa manter uma relação de diálogo permanente com os municípios, que vão estar representados de maneira coletiva, nos apoiando na elaboração de políticas públicas e avaliações. O resultado é um trabalho bastante amplo", comenta Eliane.
A proposta é que sejam 54 dias com mais de 186 atividades ofertadas entre seminários, palestras, espetáculos, oficinas de empreendedorismo cultural, capacitação de agentes culturais e mostras de cinema. Apesar de as intenções estarem bem definidas, ainda não há nada agendado para Juiz de Fora. "Inicialmente não tem nada programado, mas tudo depende do interesse do município. Se houver a intenção de trazer, por exemplo, a mostra de filmes que foi exibida em Leopoldina, ou a exposição literária da Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa, não há problema algum. Esse acervo é nosso. A ideia é disponibilizar para que seja usufruído. Não precisamos ficar restritos ao período do Minas Território da Cultura", garante a secretária.
"Nós fomos apresentados oficialmente ao programa ontem. De uma certa maneira, já utilizamos as ações quando recebemos os grupos artísticos da Fundação Clóvis Salgado, a Orquestra Filarmônica de Minas Gerais e a companhia de dança do Palácio das Artes. A cidade está focada na reabertura do museu, mas, a partir do oferecimento do cardápio de atividades, também vamos nos candidatar a parcerias de circulação", afirma o superintendente da Funalfa, Toninho Dutra.
Incentivo às produções locais
"Já foi aprovado em primeiro turno na Assembleia Legislativa uma mudança na lei que reduz a contrapartida obrigatória das empresas por um período de seis anos. Entendemos que essa redução será um facilitador para mobilização das empresas de pequeno e médio porte que sempre deram retorno para o governo de que não investiam por causa disso. Essa medida automaticamente beneficia o interior", opina a secretária, deixando claro que combater a deficiência na captação de recursos que atingem cidades como Juiz de Fora também está dentro das metas do Minas Território da Cultura. "A gente tem um resultado de captação na Zona da Mata que não é tão ruim. O problema é que existe uma demanda muito maior."
Conforme ela, não há como garantir que a produção local seja beneficiada, porém é possível traçar mecanismos de avaliação. "As empresas de grande porte não investem no local por terem uma necessidade de comunicação diferenciada, que, muitas vezes, passa por ícones da cultura ou por projetos já consolidados, deixando ressentidos os que não têm visibilidade. Acreditamos que, ao se beneficiarem da redução temporária da contrapartida, as empresas de pequeno porte optarão por iniciativas que são legitimadas por suas comunidades. Temos o compromisso de fazer uma grande avaliação, caso o projeto seja mesmo aprovado, mas o produtor também tem que ter uma conduta profissional adequada e saber vender o seu trabalho."









