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Miscelânea de memórias


Por BRUNO CALIXTO

12/04/2012 às 06h00

Reunião desordenada de pessoas ou, simplesmente, confusão, o termo anguzada tem sentido de arte no Centro Cultural Bernardo Mascarenhas (CCBM) a partir de hoje. Com recursos da Lei Murilo Mendes, a exposição Anguzada – Fábulas de abás entra em cartaz no Espaço Alternativo do local a partir de hoje. O artista plástico Lúcio Rodrigues e a jornalista e pesquisadora Aline Junqueira assinam a proposta, que envolve 13 telas (spray de grafite e tintas diversas), uma videoinstalação, fotos e objetos iconográficos pertencentes aos personagens de uma história marcada pelo trabalho e pelo preconceito.

A pretensão, segundo Rodrigues, é resgatar a cultura dos negros do Bairro Benfica e da região. Isso já vem arraigado na gente, essa questão do negro é intrínseca em nosso trabalho, destaca Lúcio Rodrigues, autor das pinturas que tratam, sobretudo, de alguns dos personagens capturados por Aline Junqueira. Toda a concepção partiu das filmagens executadas por ela, principalmente o documentário ‘Benfica da gente’ (também viabilizado pela Lei Murilo Mendes). O desdobramento foram os prêmios anuais que passamos a distribuir no Centro Cultural Benfica há três anos, completa Rodrigues, sobre a Medalha Escravo Antônio, entregue, aleatoriamente, a afrodescendentes da região. De acordo com dados históricos locais, após a fuga do escravo Antônio, seu senhor havia anunciado sua procura no jornal.

Juntos, os personagens das gravações de Aline e os agraciados lembrados por seus feitos formam o retrato social inserido na coleção inédita de Lúcio Rodrigues. Através dos depoimentos destas pessoas à Aline, optei por colocar na tela minha leitura sobre seus afazeres, destaca. Paralelo às telas, um videomapeamento, feito com o auxílio do cinegrafista Leonardo Teixeira, projetará dez fragmentos de entrevistas em janelas adquiridas especialmente para a mostra. Também estará em exposição objetos que, de um certo modo, fizeram ou ainda fazem parte do cotidiano em destaque, como tacho, bacia, varal e, porque não, peças de honraria, como medalhas.

Anguzada é uma miscelânea de relatos e linguagens, combinando passado com tecnologia, objetos com telas, mas é, essencialmente, livre por envolver personagens, artistas e público.

ANGUZADA – FÁBULAS DE ABÁS

Abertura hoje, às 20h. De terça a sexta, das 9h às 21h, sábados e domingos, das 10h às 16h. Até 29 de abril

CCBM

(Av. Getúlio Vargas 200)