Encontro com você mesmo

Flávia Crizanto fotografada por Maria Barral
Um encontro com você mesmo. Com essa definição, o fotógrafo e curador Sérgio Neumann explica a essência da exposição “Uma luz, um sentimento”, com abertura nesta quinta-feira, às 19h30, no Centro Cultural Bernardo Mascarenhas. A mostra reúne 20 imagens em preto e branco, clicadas pelos alunos da oficina de fotografia realizada dentro da programação do projeto “Foto 14”, promovido pela Funalfa: André Ferreira, Flávia Crizanto, Flávio Motta, Isa Arcuri, Luísa Toledo, Maga Bastos, Malu Machado, Marcelo Gama e Maria Barral. “Grandes descobertas internas e muitas revelações se apresentam nas imagens produzidas.
Os integrantes da mostra conseguiram imprimir na fotografia os seus mais profundos sentimentos e, consequentemente, o que realmente são, aliando beleza e arte aos retratos imagéticos de cada personalidade. Eles superaram os limites da técnica para mostrarem sua essência, de modo a encantar os olhares de quem a contempla.”
Logo na inscrição, os interessados eram orientados a trabalhar o sentimento mais forte de si mesmos. O primeiro momento era individual, e cada um, devidamente mascarado, devia viajar em seus próprios pensamentos e se expressar com liberdade, tendo como aliados um quarto escuro e uma música ambiente. Nada de celulares. Os cartazes avisavam que a ausência total de comunicação era obrigatória a partir da entrada. Segundo o curador, a dinâmica continuou em dupla. Um colega tinha como meta conhecer o outro através do toque e do tato. “O objetivo era criar algo mais íntimo entre os dois. Sem que um aluno falasse, o outro tentava descrevê-lo: se triste, alegre, feliz, qual era a profissão e o comportamento”, ressalta Sérgio, destacando que as fotos foram tiradas quando todos já haviam “visitado” seu próprio eu.
Os registros expostos revelam como cada pessoa se viu naquele quarto escuro do início, conforme imagens que ilustram essa reportagem. Dessa vez, o desafio era se descrever e descrever o seu sentimento mais forte para o colega fazer o registro.”A única forma que eu me enxerguei, que vi dentro daquele quartinho escuro, foi de peito aberto com as mãos desarmadas. De peito aberto para a vida. Venha o que vier”, disse Flávio Motta em depoimento para o projeto. “Como boa geminiana, sou um turbilhão de emoções. Mas a coragem e a dúvida são sentimentos marcantes na minha vida e me enriquecem. Uma enorme coragem mora nas entranhas do meu ser. Coragem de desafiar o mundo e tomar decisões que por vezes deixam perplexos os que me cercam”, sentenciou Maria Barral. As fotos, acompanhadas dos relatos, ocuparão as paredes da galeria Galeria Narcisse Szymanowski até 5 de abril.
“Depois que se abraçaram e tiraram a venda dos olhos, a distância entre eles já havia se quebrado. Como professor na área de fotografia publicitária e social, queria trabalhar com base em fotografias antigas, trazer a concepção de retrato que fala algo, que seja expressivo. Um retrato que tenha a característica de cada um. Uma menina chegou a dizer que conseguiu fotografar a alma”, afirma Neumann.
UMA LUZ, UM SENTIMENTO
Abertura nesta quinta, às 19h30. Visitação de terça a sexta, das 9h às 21h, sábados e domingos, das 10h às 18h
CCBM
(Av. Getúlio Vargas 200 – Centro)








