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Portas abertas ao passado


Por Tribuna

11/12/2012 às 19h00

A Universidade Federal de Minas Gerais inaugura nesta quarta-feira (12) o Campus Cultural de Tiradentes, o primeiro do gênero no país, com a reabertura do Museu Casa Padre Toledo. Com sede na residência do padre inconfidente Carlos Correia de Toledo e Melo, considerada uma das edificações urbanas históricas mais valiosas do Brasil, o museu, em restauração desde 2010, além de sediar exposições temporárias, abrigará o rico acervo que retrata o ambiente religioso do século XVIII.

Local onde os inconfidentes mineiros tiveram seu primeiro encontro, em 1788, o museu é um dos quatro imóveis localizados em Tiradentes que pertencem à Fundação Rodrigo Mello Franco de Andrade (FRMFA), controlada integralmente pela UFMG desde 2008. Além da casa, os prédios da Câmara Municipal, da Cadeia Pública e do Centro de Estudos, Galeria e Biblioteca Miguel Lins vão integrar o Campus Cultural da UFMG na cidade do interior mineiro.

Cerca R$ 4 milhões, montante dividido entre a UFMG e o BNDES, foram gastos na restauração arquitetônica e artística do imóvel e na concepção do projeto museológico. O processo de restauração, realizado por profissionais do Centro de Conservação e Restauração de Bens Culturais Móveis (Cecor), ligado à Escola de Belas Artes da UFMG, revelou pinturas de grande valor artístico e histórico nas paredes e forros, sob camadas de massa e tinta que cobriam as obras.

"Cada forro que conseguimos restaurar continha um elemento identificador. A maior parte era mesmo do século XVIII, mas também haviam pinturas do século XVII e, talvez, do século XIX. Esse trabalho de identificação das obras ainda será feito por profissionais da UFMG", destaca a professora da Escola de Belas-Artes da instituição, Betânia Veloso, diretora do Cecor.

 

 

Características peculiares

Aspectos marcantes de uma residência dos inconfidentes, típica moradia civil do final do século XVIII, foram destacados na seleção de objetos e documentos daquele período. "Poucas edificações desse tipo resistiram ao tempo. Não se trata de uma igreja, mas sim de uma residência, o que torna seu caráter muito íntimo e pessoal", explica Rodrigo Minelli, professor do departamento de Comunicação da UFMG e um dos responsáveis pela implantação do novo museu, que existe desde a década de 1970. O museu sempre contou com doações da comunidade, que sedia objetos pessoais e familiares. Como não havia muito critério na seleção desses itens, o acervo era muito heterogêneo, com artigos datados desde o século XVIII ao XXI. "Fizemos um recorte mais preciso para essa exposição, privilegiando apenas os objetos do século XVIII. Os outros itens vão compor uma reserva técnica que será usada em outras exposições", conta Rodrigo. Outro destaque do projeto é o espaço para exposições temporárias que, no início, contará com o acervo da Coleção Brasiliana, doada à UFMG por Assis Chateaubriand e que possui peças e objetos do Império, além do mais completo conjunto de aquarelas do Brasil Colônia.

Os demais imóveis vão abrigar um museu de arte sacra e um centro de experimentação para a produção de conteúdos culturais e didáticos multimidiáticos. Localizada no prédio da antiga Câmara Municipal de Tiradentes, a biblioteca, que terá acervo inicial de cinco mil itens, com expectativa de que possa triplicar em dez anos, pretende ser um grande centro de referência sobre o barroco mineiro.