Obcecado pela forma humana
Sou um obcecado pela forma humana e, desde criança, gosto de desenhar os amigos, as empregadas de casa, revela o artista plástico, Cesar Balbi, que, a trabalho em terras italianas, recebeu o desafio de fazer um portrait da atriz Sophia Loren, no auge dos seus 76 anos. Ela faz parte do meu inconsciente adolescente. Sempre fui apaixonado por ela, pelos filmes e pela Itália. Natural de Ubá, contando com mais de 30 anos de carreira, Balbi vive um momento de transição. Seus traços, que antes se dedicavam ao figurativo, agora buscam o abstrato. Não cheguei totalmente lá. Sinto que minhas pinceladas vão ficando independentes, mais soltas, e o medo está se transformando em prazer de errar, conta, deixando claro que a arte com os retratos segue paralela ao trabalho que desenvolve.
A ideia de pintar Sophia não partiu do artista. Segundo ele, a encomenda foi feita por um gerente de marketing de uma empresa internacional, que tem a atriz na lista de suas campanhas publicitárias. Conhecê-la, praticamente, exige um protocolo a seguir. Meu desafio foi tentar seduzi-la e enfrentá-la. Preciso do cheiro da pessoa para retratá-la. A partir de uma foto escolhida por ele, utilizando acrílica sobre canvas, a obra intitulada Retrato de Sophia ganhou forma. Um quadro, com 110 x 90 cm de dimensão, encontra-se na residência da italiana que atingiu fama internacional, com o Oscar de melhor atriz pelo filme Duas mulheres, em 1962.
Atração, uma conversa e muitas fotos. Assim começa o processo criativo de Balbi. Até conseguir visualizar o quadro mentalmente, é necessário doação. Tenho que superar o imaginado e lidar também com os traços de personalidade que a leitura do corpo, geralmente o rosto, vai me revelando à medida que estudo. É muito mais difícil do que se trancar no atelier com uma tela em branco. Para os retoques finais, a exigência é estar frente a frente com a modelo. Entre os projetos futuros, está a exposição de portraits, que deve trazer para Juiz de Fora em 2013.









