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A ambição sonora do Foo Fighters


Por JÚLIO BLACK

11/11/2014 às 07h00

Foo Fighters volta com novo álbum três anos após o sucesso de

Foo Fighters volta com novo álbum três anos após o sucesso de “Wasting light”

Quando estourou a cabeça com um tiro, em abril de 1994, Kurt Cobain não apenas saiu da vida para entrar na história. Ele pôs fim ao Nirvana, a banda que recolocou o rock, o Guns n’ Roses e Michael Jackson em seus devidos lugares, e também deixou o então baterista Dave Grohl sem saber para onde ir. Depois de dizer “não, obrigado” ao convite para assumir as baquetas dos Heartbrakers de Tom Petty, resolveu criar um tal de Foo Fighters. Vinte anos e um punhado de sucessos depois (“Monkey wrench”, “Everlong”, “Times like these”, “Long road to ruin” e dezenas de etceteras), ele e seus colegas chegaram ao ápice com o fenomenal “Wasting light”, de 2011. E tamanha é a moral do sujeito que Grohl chega às lojas, no início da semana, com o seu mais ambicioso projeto, o álbum “Sonic highways”, a mais superlativa de suas intenções musicais e que também é o mesmo nome do documentário que ele dirigiu e será transmitido pela HBO.

Com produção de Butch Vig (o mesmo de “Nevermind”), “Sonic…” possui apenas oito canções e passou por igual número de estúdios em seu processo de gravação, sendo uma música para cada cidade (pela ordem, Chicago, Washington, Nashville, Austin, Los Angeles, New Orleans, Seattle e Nova York, e todos os estúdios vão aparecer no documentário). O trabalho também teve a participação de diversos artistas, de Joan Jett e Gary Clark Jr. à New Orleans Preservation Hall Jazz Band, e o resultado de tamanha ambição é um bom álbum, consistente com as pretensões artísticas do FF, mas que fica – na falta de expressão melhor – “meio limão” abaixo do furacão que foi o trabalho anterior do quinteto.

Musicalmente, o oitavo trabalho de estúdio do Foo Fighters é menos agressivo que “Wasting light”, mas com os cinco senhores que compõem a banda (além de Dave na guitarra e vocais, os também guitarristas Pat Smear e Chris Shiflet, o baixista Nate Mendel e o baterista Taylor Hawkins) fazendo aquilo que sabem. “Sometihing for nothing”, que abre os trabalhos, começa lenta para depois ficar a meio caminho de um bom hard rock dos anos 70 e encerrar pesada e furiosa; a faixa seguinte, “The feast and the famine”, é a que mais se aproxima do álbum anterior; “Congregation” é mais pop, assim como a dobradinha ouça-duas-pague-uma “What did I do?/God as my witness”.

O álbum segue com outras faixas que devem fazer a alegria dos fãs até chegar ao final, com “I am a river”, que é o melhor momento de “Sonic highways”. Com mais de sete minutos de duração, a canção épica é a melhor tradução dos esforços do Foo Fighters em busca de alcançar os parâmetros colocados na mesa antes de a primeira guitarra ser plugada nos amplificadores.

O senão para o disco, porém, são algumas das letras de Grohl, que nunca foi o maior dos poetas, mas que, desta vez, parece ter se preocupado mais com os sons e menos com as palavras. Por essas e outras razões, pode-se afirmar que “Sonic highways” é um daqueles álbuns de rock que dá gosto de ouvir, mas que ainda precisa de muitas e muitas audições para se eliminar a margem de erro entre o “bom”, “muito bom” e “genial”. Será uma tarefa agradável de se cumprir.