Conclusão à vista

Vista do palco para a plateia do Teatro Paschoal Carlos Magno (Marcelo Ribeiro/10-07-15)

Cerimônia reuniu artistas, políticos e empresários ontem (Marcelo Ribeiro/10-07-15)
Vera Lúcia mal conseguia falar. A emoção tomava conta pelas muitas lembranças que o momento lhe trazia. Viúva de Francisco Antônio de Mello Reis, prefeito de Juiz de Fora de 1977 a 1983, ela se recorda daquele 26 de fevereiro de 1981, quando o marido deu início às obras do Teatro Paschoal Carlos Magno, então o segundo maior da cidade. “Era um grande sonho dele ver esse espaço concretizado”, comentou, bastante emocionada, a esposa, convidada da cerimônia de assinatura da ordem de serviço para a conclusão das obras no complexo cultural. Retomada imediatamente, a empreitada orçada em R$ 6 milhões, financiados pela Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig), por meio do Governo do Estado de Minas Gerais, mostra-se o fim de uma novela que se estendeu por mais de 30 anos, após Mello Reis se ver obrigado a paralisar a obra por problemas geológicos no terreno.
Completamente limpa, a área de pouco mais de 2.000m², localizada na Rua Gilberto de Alencar 888, atrás da Igreja São Sebastião, dará espaço a um teatro para 400 assentos, auditório, sala multimeios, além de uma galeria de arte e café. “Vi o início dessa obra. Era criança, e observava da varanda da casa da minha avó. Desde então, sempre discutíamos a importância da continuidade”, ressalta o prefeito Bruno Siqueira, apontando que sua prioridade, depois de alcançada a restauração do museu, era o espaço cultural central. “Conseguimos sanar questões emergenciais do museu. O teto podia, até, cair. Daí pudemos trabalhar para a finalização do Paschoal Carlos Magno, que dá à cultura da cidade um novo marco, uma nova direção.”
À frente da Funalfa desde 2008, o superintendente Toninho Dutra sempre se viu em meio às questões sobre o teatro. E foram muitas as vezes em que o reinício das obras foram ensaiados. Desde o momento em que assumiu a pasta, quando o então prefeito José Eduardo Araújo apontou seu interesse em repassar o espaço para o Estado ou para a União, Toninho se viu às voltas com um dos maiores desafios da cultura local. Emocionado durante o evento de assinatura da ordem de serviço, expressou seu contentamento em ver o processo chegar ao fim. “Como homem das artes agradeço ao prefeito pelo empenho pessoal que teve para que isso se tornasse uma realidade”, disse, fazendo de seu discurso um momento pontuado apenas por agradecimentos.
Cultura é a base
“Hoje, muitos grupos vão para as ruas por falta de opção, não por linguagem. Essa é uma batalha longa, de muito tempo. Ficamos muito esperançosos de que seja um lugar aberto tanto para nós, artistas, quanto para o público”, comemora Cintia Brugiolo, representante das artes cênicas e vice-presidente do Conselho Municipal de Cultura. “Um dos simbolismos que vejo hoje é o da maturidade política que permitiu dar continuidade a um projeto tão antigo e tão importante”, pontua o presidente da Câmara, Rodrigo Mattos (PSDB), destacando, ainda, a tomada de auto-estima que essa conclusão oferta aos juiz-foranos. De fato, o prédio de aparência abandonada, utilizado pela Funalfa como depósito por longos anos (uma forma de ocupar e proteger o endereço), mostra, com sua futura transformação, que nenhuma guerra está perdida.
Em peso, os artistas, ao lado de políticos e representantes da classe empresarial, marcaram presença no ato que aponta para um novo momento nas artes locais, já que um teatro público de médio porte sempre foi uma demanda na região. De acordo com Toninho Dutra, ainda não há decisões fixadas sobre o funcionamento do lugar, mas a democratização do acesso é a principal premissa. “O ideal é conseguir trabalhar com editais. Espero tornar esse espaço o mais plural possível”, destaca. Para Fernanda Machado, diretora de Fomento à Indústria Criativa da Codemig, é fundamental a existência de espaços de cultura geridos pelo governo. “Antes de trabalhar com qualquer fator da economia, é necessário fortalecer a cultura, porque ela é a base, é um princípio”, diz.
Com previsão contratual de conclusão em um ano e a cargo da empresa paulista Vero Construções e Engenharia, a obra segue projeto elaborado pelo arquiteto da Secretaria de Obras da PJF, Leonardo de Paula, junto ao escritório Skylab Arquitetos, com suporte da Fundação Nacional de Artes (Funarte). Arrojado e equipado, o complexo cultural não apenas reavivará a região central, levando consigo o próprio Parque Halfeld, mas todo o fazer local. “Hoje é um dia muito importante, mas o que quero mesmo é ver chegar o próximo ano, a inauguração”, diz, ansioso, o prefeito. Expectativa – do governo, do público, de todos – ainda é o nome daquele que, num futuro próximo, ostentará no letreiro: Teatro Paschoal Carlos Magno.








