Democratizando o sentimento
Jazz que vira samba, choro que dá em baião, salsa que flerta com funk. Em seu CD de estreia, lançado hoje no Mamm, o power trio Triunvirato, formado pelo maestro Sylvio Gomes (piano) e os músicos Pedro Crivellari (bateria) e Claudimar Maia (contrabaixo) desmitificam a música instrumental, fazendo um som sem rótulos, sem amarras e sem restrições. "A música instrumental sofre tanto o preconceito de ser taxada como som de ambiente como o de ser considerada elitista, quase ao ponto de ser erudita, para poucos. Música é sentimento, são as sensações que você tem ao ouvi-la, tenha letra ou não. E um dos nossos objetivos com este trabalho foi o de democratizar o som", observa Pedro Crivellari.
Como Pedro, Sylvio e Claudimar integram a Orquestra de Jazz Pró-Música, a reunião do trio se deu em função da necessidade de fazer música autoral em formato diferente. "Em uma orquestra, cada músico tem uma pequena participação que resulta em um desempenho de grupo, e tínhamos todos uma necessidade de expressão individual maior, possível no trio", explica o músico.
Viabilizado pela Lei Murilo Mendes, o álbum traz nove faixas, seis compostas pelo maestro Sylvio Gomes, que passeiam por musicalidades e intensidades diversas. "Triunvirato" é introduzida por piano e acaba caindo em um sambinha, enquanto "Botando pra F…" tem uma pegada quase rock’n’roll, e "Alma" flerta com ritmos latinos. "As músicas vieram quase prontas das mãos do Sylvio, mas no trio é muito fácil cada um imprimir sua personalidade por meio de seu instrumento, então o disco ficou bem a cara de todos nós." As outras três canções são de André Neiva, autor da acelerada "Cumbaiá", Aécio Flávio, que assina a vibrante "Chico Hipocondria", e Pascoal Meireles, compositor da delicada "Ela".
Segundo Pedro Crivellari, ainda há quem torça o nariz para a música autoral – sobretudo instrumental -, mas a perseverança da classe artística e a qualidade dos trabalhos vêm revertendo – ou, ao menos, iluminando – este cenário. "A falta da música instrumental e de lugares onde ela possa ser ouvida é muito sentida, e isso serve como estímulo para quem está produzindo. Por isso também tivemos preocupação em levar este trabalho a todos, em espaços públicos, praças e bairros mais afastados do Centro."
Para que o custo do CD também não limite o acesso às faixas, parte das cópias será comercializada em um sistema diferente de precificação. "Ao fazer um cadastro via e-mail, o consumidor poderá pagar o preço que puder pelo disco, e, em contrapartida, nós teremos um mailing de pessoas interessadas em música instrumental", pondera Pedro.
Depois do lançamento, o álbum também será vendido em estandes montados em 25 espaços culturais da cidade, como praças e casas de show. O atual projeto do trio também foi aprovado pela Lei Estadual de Incentivo à Cultura e prevê a realização de apresentações em várias cidades mineiras, somente em teatros que possuam acessibilidade. Atualmente, a empreitada está em fase de captação. "Não sei se chegaremos a concluir, mas estamos trabalhando muito para mostrar, na prática, que a música instrumental é para todos, em todos os sentidos, a começar pelos espaços onde ela é apresentada", arremata Pedro.
TRIUNVIRATO POWER TRIO
Hoje, às 20h
Museu de Arte Murilo Mendes
(Rua Benjamin Constant 190)









