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Musical carioca estreia no Teatro Paschoal neste fim de semana

Inspirado em álbum infantil de Adriana Calcanhotto, ‘Lá dentro tem coisa’ tem apresentações neste sábado (13) e domingo (14) no Teatro Municipal Paschoal Carlos Magno

Por Júlio Black

11/04/2019 às 18h46- Atualizada 11/04/2019 às 20h26

Álbum ‘Partimpim’, de Adriana Calcanhoto, foi a inspiração para a peça sobre a menina que passa a descobrir sozinha o mundo exterior (Foto: Léo Aversa/Divulgação)

Todo mundo teve infância; Maomé já foi criança; Arquimedes, Buda, Galileu. E todo mundo teve medo (mesmo que seja segredo): Nietzsche e Simone de Beauvoir, Fernandinho Beira-Mar. Quem cantou isso foi Arnaldo Antunes em sua carreira solo, mas bem que serviria para dar uma ideia sobre “Lá dentro tem coisa”, espetáculo infantil que terá apresentações neste sábado (13), às 15h e 17h30, e domingo (14), às 11h e 16h, no Teatro Municipal Paschoal Carlos Magno, inspirado no trabalho de outro nome da MPB. No caso, Adriana Calcanhotto e seu projeto infantil, cujo primeiro álbum, “Partimpim”, foi lançado em 2004 e ficou tanto tempo na cabeça do empreendedor cultural Felipe Lima que ele só descansou quando reuniu nomes como Adriana Falcão e Vik Muniz para darem vida no palco ao que a cantora gaúcho havia registrado em CD.

Esta será a primeira apresentação do espetáculo em Juiz de Fora, que depois segue para Uberaba e Belo Horizonte. Desde a sua estreia, em setembro de 2017, foram duas temporadas no Rio de Janeiro (nove e sete semanas, respectivamente), mais uma temporada de 11 semanas em São Paulo. Foram mais de 50 apresentações, em que ele estima um público superior a 20 mil pessoas.

Fã de Adriana Calcanhotto, Felipe conta que “Partimpim” tinha algo de especial para ele pelo fato de a artista ter resgatado para o projeto músicas de outros artistas que povoaram tanto sua infância quanto a adolescência e início da vida adulta. Por isso, ele a convidou para assistir a outro espetáculo idealizado por ele (Mas por quê??! – A história de Elvis”), em 2015, e aproveitou para propor a adaptação teatral. “Ela se mostrou interessada e perguntou quem eu convidaria para o projeto. O primeiro nome que me veio foi o da (escritora, roteirista e dramaturga) Adriana Falcão, além do (artista plástico) Vik Muniz para a direção de arte, o que ela gostou muito. Acabou numa feliz coincidência, reunindo três profissionais únicos em suas áreas num projeto inédito.”

“Lá dentro tem coisa”, porém, não é mero musical que repete no palco as músicas de “Partimpim”. Era preciso contar uma história, que foi surgindo e sendo escrita por Adriana Falcão com a audição do álbum, sendo que nem todas as músicas estão na peça. Foi a partir do disco que surgiu a história da pequena Isabel – que no palco se divide em duas, Isa e Bel -, que no dia de seu aniversário de 9 anos ganha como um dos presentes de seus pais poder sair sozinha pela primeira vez. Ela escolhe como primeiro destino de sua “aventura” uma livraria perto de casa, mas a liberdade e independência vêm acompanhadas do medo e da coragem que descobre dentro de si, além de sentimentos como ansiedade, tristeza, raiva, amor e insegurança, entre outros.

 

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Emoção e questionamentos

“É um espetáculo em que as pessoas se emocionam, com vários questionamentos, mas acredito que chega no coração de todo mundo de forma especial, há momentos em que percebemos que os pais se identificam com o sentimento da síndrome do ninho vazio. Como em qualquer obra aberta, você vai se identificar de formas diferentes”, diz. Quanto à própria Adriana Calcanhotto, Felipe conta que ela ela leu o argumento do texto para aprovar e assistiu a um ensaio uma semana antes da estreia. “Ela adorou, ficou muito feliz com o resultado, tanto que em outubro vamos estrear a montagem de ‘Baile Partimcundum’, inspirada no disco ‘Partimpim dois'”, adianta.

Apesar de ser o idealizador do espetáculo, ter uma ideia do que desejava, Felipe Lima entregou a parte de adaptação, criação do texto, direção artística, para outras pessoas. O resultado final é parecido com o que idealizou? “Parte do trabalho de conceber alguma coisa, uma obra, é saber se vai para o caminho que imaginou, ainda mais quando tem muitas pessoas trabalhando, pois outras possibilidades são abertas. Mesmo com coisas diferentes, foi da forma que imaginei. Muita criatividade junta acaba criando um produto híbrido, com cores diferentes, mas dentro do que idealizei.”

 

LÁ DENTRO TEM COISA

Sábado (13), às 15h e 17h30, e domingo (14), às 11h e 16h, no Teatro Municipal Paschoal Carlos Magno (Rua Gilberto de Alencar s/nº – Centro)

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