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É na batida, é no suingue


Por JÚLIO BLACK

11/02/2015 às 07h00- Atualizada 11/02/2015 às 12h24

João Paulo de Oliveira
Foto: João Paulo de Oliveira

Integrantes do coletivo de DJs vão divulgar o trabalho com apresentações em Juiz de Fora, Belo Horizonte, Rio e São Paulo

Ele é preto. Tem um buraco no meio. E vai fazer você dançar. Melhor definição não existe para o lançamento nesta quarta-feira, no Bar da Fábrica, do projeto de remixes do coletivo de DJs mineiros, cariocas e paulistas Vinil É Arte. Com oito faixas, o álbum “Vinil é Arte remixes” reúne canções de artistas da cena independente mineira reinterpretadas pelos rapazes, contando com participações especiais, prensadas no bom e velho formato analógico do vinil. A tiragem de mil LPs será colocada à venda em lojas direcionadas ao público que curte o som analógico e distribuída para outros amigos DJs, a fim de colocar no mapa das pistas o melhor que pode existir do encontro dos beats eletrônicos com o suingue e a melodia dos artistas das Gerais. O disco também pode ser baixado gratuitamente pela internet por meio da página do grupo no Facebook.

Durante a festa, os DJs Pedro Paiva (de Juiz de Fora), Bruno Niggas e Caio Formiga (São Paulo), Marcello MBgroove e Tuta Discotecário (Rio) e Luiz Valente (Belo Horizonte) vão criar um set coletivo com os álbuns que cada um levará de casa. A promessa é de que a pista seja invadida pelos sons dos anos 50 até o que rola de mais interessante nos dias atuais. Os convites (gratuitos) para o evento podem ser retirados no Museu do Disco. Haverá, ainda, uma lista amiga através da página do evento no Facebook. Além da festa desta noite em Juiz de Fora, a turnê de lançamento do álbum vai passar por Belo Horizonte (quinta-feira), São Paulo e Rio de Janeiro (1º e 5 de março, respectivamente).

Na correria dos preparativos finais da produção do evento, Pedro Paiva encontrou um tempo para conversar com a Tribuna. Ele conta que a ideia surgiu em 2011, e que em 2013 conseguiram – por meio da Lei Estadual de Incentivo a Cultura – o apoio da Natura Música para colocar em andamento a empreitada. “O objetivo inicial era lançar uma coletânea com artistas de Juiz de Fora, mas vimos que isso talvez não interessasse o ouvinte, porque pode reunir estilos diferentes. Então percebemos que seria mais interessante fazer uma releitura desses nomes, colocar nossa assinatura nos trabalhos de artistas que consideramos importantes. Como não conseguimos recursos municipais, resolvemos mostrar um panorama da produção em Minas”, destaca. “Foi então, por meio da lei, que a Natura abraçou a ideia, e com isso a responsabilidade cresceu muito.”

A partir daí, o Vinil é Arte procurou artistas que já tivessem lançado álbuns por meio de incentivo fiscal ou mesmo de forma totalmente independente, sem se preocupar com os medalhões mineiros. “Nossa vontade era lançar esse pessoal também por meio do vinil. Nós vemos essa necessidade de lançar discos novos e também aqueles antigos, raros. Queremos mostrar que o disco não é uma coisa do passado, que também valoriza o artista atual. Hoje tem muita gente que lança apenas em vinil ou no formato digital, às vezes uma tiragem limitada em CD”, exemplifica. “O público do vinil é bem específico, mas que se dedica muito, que tem uma relação mais íntima com a música. Vemos muitos jovens montando suas coleções de LPs.”

Nova roupagem sonora

Projeto aprovado, foi hora de selecionar os artistas que teriam suas músicas retrabalhadas pelos DJs do coletivo, a partir de uma lista extensa dentro da produção autoral mineira, e partir para a alquimia sonora. Segundo Pedro, cada música foi produzida de forma diferente, dependendo do feeling de cada integrante. O resultado? Um conjunto de canções para dançar, curtir e sentir o suingue maroto de quem entende do balanço e do groove que cada música pode ter. “Todas as músicas foram feitas conversando com os artistas, não rolou de só mostrar o resultado final. Alguns participaram da produção, mas todos deram pelo menos opiniões sobre o que estava sendo feito. Foi legal aproximar o trabalho do DJ com o do músico, e quem melhor para dizer se ficou bom que o próprio compositor?”, diz ele.

O álbum tem início, porém, com a única exceção presente nas oito faixas. “Congado”, do DJ Truta e da produtora Rafa Prestes, registrou os cantos e tambores do congado de Nossa Senhora do Rosário e Escrava Anastácia, liderado pelo Mestre Prego. “O grupo foi convidado para gravar a canção, e a partir daí foram colocados os beats de base, convidamos alguns amigos para adicionar o som de uma banda. Dessa pré-produção foi realizado o remix”, conta. Outro exemplo do trabalho do Vinil é Arte pode ser observado em “Frevo maracatu”, do Quinteto São do Mato (de Juiz de Fora), que foi retrabalhada pelo DJ Niggas com fragmentos sonoros. Em “Não dê bobeira”, Pedro trabalhou com os locais do Silva Soul. “Eles me passaram algumas pistas dos instrumentos, abertos, e gravamos harmonias e outros detalhes. A canção original, inclusive, tinha um andamento mais rápido.”

Em “Dinamites”, do Coletivo Dinamite, de Belo Horizonte, o DJ Luiz Valente contou com a participação especial do beatmaker Coyote Beatz para dar nova roupagem ao som do grupo que fala da vida na capital mineira a partir da mescla de estilos como rock, jazz, rap e funk. “O Coyote é um garoto novo, que quando ouvimos falamos que ele participaria do projeto. É a oportunidade de mostrar um novo talento”, pontuou.

“VINIL É ARTE REMIXES”

Lançamento do LP nesta quarta-feira, às 22h

Bar da Fábrica

(Praça Antônio Carlos s/nº)