Estação Ferroviária de Chapéu d’Uvas poderá ser restaurada com recursos da Lei Rouanet
Produtora cultural foi autorizada pelo Ministério da Cultura a captar R$ 337 mil em patrocínios para projetar o restauro
A Estação Ferroviária de Chapéu d’Uvas, distrito de Juiz de Fora, poderá ser restaurada com recursos captados pela Lei Rouanet. A produtora Akaiaka Cultura e Natureza, aberta por Juliana de Carvalho, obteve a autorização do Ministério da Cultura (MinC) para captar patrocínios no valor de R$ 337 mil, até 31 de dezembro (podendo ser prorrogado por mais três anos, caso necessário).
O projeto foi aprovado no artigo 18 da Lei, que permite que as patrocinadoras deduzam do Imposto de Renda 100% do valor depositado no projeto. Esse primeiro valor aprovado é apenas para fazer o anteprojeto, desenvolvendo os projetos estruturais, arquitetônico, plantas, medição e cálculo de todos os equipamentos, materiais e infraestrutura que será necessária. Em paralelo, será feito um mapeamento do acervo histórico da comunidade, resgatando, junto aos próprios moradores, fotos, documentos, artigos e memória oral.

O projeto já é de conhecimento da MRS, que utiliza a linha férrea, e está avaliando a possibilidade do patrocínio, de acordo com Juliana. Ela também afirma que o Instituto Estrada Real demonstrou interesse em criar um ponto no lugar, onde poderia ser feito o acolhimento de turistas, divulgação da rota histórica e emissão do passaporte da Estrada Real.
Depois que o projeto for concluído, a obtenção de verba para a execução dos serviços será uma outra etapa. Quando pronto, um outro ponto importante será definir de quem será a gestão, que tipo de atividades se autofinanciarão. Mas, para isso, a própria Lei Rouanet também tem vários mecanismos que sustentam uma autogestão de pontos de cultura. A própria população poderá desenvolver projetos de ocupação, por exemplo.
Por ser um espaço tombado, o edifício precisa ficar exatamente igual era na época do tombamento. Juliana cita, por exemplo, letreiros na fachada escrito “Chapéu d’Uvas” que foram retirados. Também haverá o projeto paisagístico do entorno, revitalizando a pracinha que tem próxima, onde será criado um espaço infantil e de exercícios físicos.
‘Vivo de memória’
Juliana conta que seu interesse na restauração vem das raízes familiares no distrito, que vão desde muitas gerações passadas. Ela pretende fazer tanto o restauro quanto ressignificar o patrimônio, e devolver à comunidade como um espaço sociocultural. A comunidade, que, inclusive, participará na definição do uso do espaço, “vivo de memória”.
Ela afirma que a estação está muito danificada, realmente abandonada, e que outras tentativas de restauro já foram feitas no passado, mas hoje o patrimônio se degradou muito. Chapéu d’Uvas é um lugar muito precário de apoio público, em sua avaliação, e é uma comunidade que sofreu grandes impactos, como com a construção da represa.
“É uma região que foi sendo muito esquecida, então o objetivo é restaurar a auto-estima dessa região, que é a subida da Mantiqueira”, ela cita ainda a localização na cabeceira do Rio Paraibuna, para unir a importância ambiental da região à cultura.
“Ontem escutei uma frase linda”, ela conta, “a gente foi visitar uma família que mora bem em frente à linha do trem e eu perguntei se eles não se incomodam com o barulho. Uma das mulheres disse: ‘Eu não, o trem foi minha canção de ninar”. “É uma comunidade muito ligada ao trem, que tem maior carinho por essa via e que não devolve nada para essa comunidade”, conclui.
Tópicos: Chapéu d'Uvas / Lei Rouanet









