Geraldo Azevedo e Chico César apresentam Violivoz em JF

Projeto reúne as canções dos compositores, além de trazer as parcerias que surgiram no processo; show vai acontecer no Cine-Theatro Central, a partir das 20h


Por Cecília Itaborahy, sob supervisão de Fabíola Costa

09/09/2022 às 07h00

Violivoz
Amizade e admiração mútua entre Chico César e Geraldo Azevedo ganham corpo sonoro no palco do Central (Foto: Marcos Hermes/Divulgação)

É extensa a lista de músicas que giram em torno do imaginário popular brasileiro e que foram escritas por Geraldo Azevedo. O músico, conhecido por “Dia branco”, “Táxi lunar” e “Dona da minha cabeça”, é acostumado a dividir os palcos e o próprio repertório, fazendo crescer o coro de canções em sua voz. Com Alceu Valença, Zé Ramalho e Elba Ramalho, lançou em 1996 “O grande encontro”, que continua a rodar o Brasil – sem Zé Ramalho – mesclando clássicos. Viver pelos encontros, então, é um caminho que Geraldo persegue nesses tantos anos de carreira – com parcerias que extrapolam gerações e gêneros. Agora, ele se junta a Chico César no projeto “Violivoz“, que será apresentado neste sábado (10), no Cine-Theatro Central, às 20h.
O grande guia desse projeto é a música regional dos vizinhos de estado: Geraldo é de Pernambuco, enquanto Chico, da Paraíba. Suas referências para compor, tocar e cantar, que persistem até os dias de hoje, estão intimamente ligadas à forma como eles aprenderam a ouvir as canções logo cedo e passaram a se expressar através de suas próprias músicas, transpondo, cada uma de sua maneira, suas raízes. Não é à toa que Chico tem em Geraldo uma de suas principais influências musicais, tanto que compôs “Pensar em você” inspirada em “Dia branco”. Não à toa também, a música de Geraldo foi oficialmente o primeiro single lançado pela dupla, já mostrando qual era a intenção de Violivoz. “Nós temos o violão como base, o que nos dá um universo harmônico e melódico parecido, porque a gente bebe muito da música nordestina. Fazer música sozinho é bom, mas tocar junto é melhor. A música existe para isso, para celebrar a vida e a amizade”, diz Chico César. “E a gravação de ‘Dia branco’, por ser uma canção de amor, nesses momentos turbulentos e de tanta violência, foi uma escolha natural. Além disso, é um hit que todos conhecem e que não pode deixar de estar em nenhum show”, completa Geraldo.
Esse novo encontro teve tempo de maturação. Aconteceu de maneira informal, logo após o lançamento do EP “É o frevo, é o Brasil”, de Geraldo, em 2019. Naquele momento, eles viram que dava para pensar em um projeto que crescesse da forma como nasceu: com vozes e violão, misturando o repertório de cada um e formando uma sonoridade “violivoz”. Com os shows impossíveis de serem realizados durante a pandemia, a primeira demonstração ao público dessa união foi o lançamento de “Nem na rodoviária”, no YouTube: a primeira parceria dos dois. “Foi uma gravação caseira, on-line, mas que apresenta bem o que é o show: eu e Chico César, juntos, cada um com seu violão”, explica Geraldo. O show, mesmo, só seria apresentado em 1º de outubro, um ano e cinco meses depois do previsto.

Um pouco de cada um

Mesmo que o encontro tenha sido natural, formar um repertório a partir de suas composições não foi tarefa fácil, já que, por se tratar de compositores de produção prolífica, é difícil fazer uma seleção, como o próprio Geraldo diz: “Selecionar o repertório foi o mais difícil, pois somos dois compositores com um repertório autoral muito extenso”. Chico completa: “Criamos um diálogo entre nossas canções, escolhemos as músicas para o repertório estimulados por essa grande amizade que nos une. As canções de Geraldo que eu tenho vontade de cantar, de tocar com ele, as minhas canções que Geraldo tem vontade de tocar comigo, e isso obviamente coincide bastante com o gosto do público, porque somos público um do outro”. Durante os ensaios, composições compartilhadas foram naturalmente surgindo para compor o set-list, como é o caso de “Tudo de amor”.
Apesar dessas músicas que dialogam entre si, Chico ainda acredita que alguns pontos são essenciais para ligar tudo isso: “O afeto, a vontade de tocar juntos e a entropia, a química do encontro”. Os dois veem no Violivoz a possibilidade de brindar e celebrar a música, principalmente a regional. “Violivoz é uma grande celebração da música nordestina. Um encontro de gerações e de canções eternizadas na memória afetiva de muitos brasileiros. Chico César é um artista fenomenal, um compositor maravilhoso. É um prazer enorme somar com ele no palco”, comemora Geraldo.
“O Violivoz proporciona um passeio por nossas músicas e pelo afeto mútuo. Sinto que a moderna música brasileira, pelo violão ser um instrumento muito popular, se apoia muito no violão, mais do que o piano, consagrado pelo maestro Tom Jobim. A canção brasileira dos últimos 40, 50 anos, com Gilberto Gil, João Bosco, Djavan, Lenine, Geraldo Azevedo, Caetano Veloso, tudo passa pelo violão. Nós levamos esta força do violão para o palco, com os dois juntos tocando”, finaliza Chico, que ainda considera esse encontro como um grande tributo.