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Documentário narra histórias de amor na terceira idade

“Sempre amor”, de Mariana Musse abre espaço de fala para idosos e rompe o senso comum; première do longa será nesta sexta-feira,10, às 20h, no Mamm

Por Julia Campos, estagiária sob supervisão da editora Isabel Pequeno

09/08/2018 às 17h36 - Atualizada 10/08/2018 às 08h09

Cena do filme “Sempre amor”, que relata histórias singelas de amor na terceira idade (Foto: Carime Elmor)

Não há idade para amar. Pode parecer um clichê, mas é por conta de um senso comum de que idosos não podem se apaixonar, ter vida amorosa e sexual ativa que a cineasta e jornalista Mariana Ferraz Musse idealizou seu primeiro longa-metragem autoral, o “Sempre amor”, que será lançado em uma première nesta sexta-feira (10), às 20h, no Museu de Arte Murilo Mendes (Mamm).

O documentário, segundo Mariana, começou a ser idealizado em meados de junho de 2016 e aprovado pela Lei Murilo Mendes do mesmo ano. A cineasta conta que a ideia de retratar o tema surgiu pela vontade de mostrar histórias singelas, mas, ao mesmo tempo, surpreendentes e únicas. “O amor é um sentimento tão simples, mas, ao mesmo tempo, tão complexo. Eu também queria tratar de um tema positivo. Acho que estamos vivendo um momento em que precisamos ter no espaço da arte bons assuntos. Vemos o tempo todo notícias pesadas, ruins. Falar de amor nos tempos de hoje é necessário.”

O amor em um “processo de envelhecimento”, como Mariana prefere dizer, foi uma escolha para ecoar a fala daqueles que, muitas vezes, são esquecidos. “Eu comecei a fazer uma reflexão sobre o envelhecimento, sobre as pessoas idosas e como elas eram vistas na sociedade e o pouco espaço de fala dedicado a elas.” A cineasta avalia que, assistindo ao filme, os idosos podem se sentir valorizados. “A gente vive o tempo todo neste imediatismo, neste culto ao corpo, culto à juventude… Nesse sentido, acho que é uma homenagem a eles. Uma valorização do envelhecer, com que a nossa sociedade tem que começar a lidar cada vez melhor, porque cada vez mais a ciência vai evoluir, e a gente vai viver mais tempo.”

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Referência a Eduardo Coutinho

Treze personagens compõem o documentário de 70 minutos. Entre eles, casais, viúvos e pessoas que encontraram seus companheiros na terceira idade. Há histórias de idosos de quase cem anos que não desistiram do amor. Os entrevistados, filmados em seus próprios lares, contam suas histórias de flertes, paixões, encontros e desencontros. A montagem do documentário, conta Mariana, teve como referência o cineasta e jornalista Eduardo Coutinho, premiado por três vezes no Festival de Gramado, um dos mais importantes prêmios do cinema brasileiro.

“Para mim, e acredito que para qualquer pessoa que trabalhe com documentários, ou com jornalismo, fazendo entrevistas em profundidade, ele é uma referência. Ao longo da obra dele, conseguiu mostrar como a entrevista pode esmiuçar sutilezas e riquezas das pessoas mais comuns possíveis, mostrando então que cada um tem em si diversas histórias que renderiam um filme”, explica Mariana sobre a influência de Eduardo Coutinho em “Sempre amor”.

A cineasta lança o longa após assinar a direção e roteiro de quatro curtas, entre eles “Jonathan” (2014) e “Dulia” (2011). “Sempre amor” tem direção de Mariana Musse, que também participa do roteiro com Felipe Huttler, e direção de fotografia de Mauro Pianta.

“Sempre amor”
Première nesta sexta-feira, 10, às 20h, no Mamm (Rua Benjamin Constant 79, Centro)

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