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‘O artista é um trabalhador’


Por RAPHAELA RAMOS

08/11/2011 às 05h00

A necessidade de compreender o artista como trabalhador foi um dos pontos mais abordados pela presidente do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões de Minas Gerais (Sated/MG), Magdalena Rodrigues, em sua palestra na cidade no último sábado. Aberto ao público, o evento foi realizado pelo Centro de Formação Artística Close, que também promove, neste mês, o Close Festival de Teatro (confira a programação em closefestival.blogspot.com). Pouco antes de falar sobre profissionalização no teatro do Colégio Machado Sobrinho, Magdalena conversou com a Tribuna e destacou a postura amadora de diversos artistas. Muitos atuam sem exigir carteira assinada ou contrato de trabalho.

Segundo a presidente, o sindicato procura manter ativa a relação com o interior por meio de exames para a aquisição do registro profissional (DRT). Também queremos deixar as pessoas antenadas. Temos um grupo no Google com mais de três mil nomes e estamos preparando nossos blog e site oficiais. No cargo desde 1992, a atriz, também presidente da Federação Internacional dos Atores Latino-Americanos, assistiu às mudanças na cultura trazidas pelo Governo Collor, berço da Lei Rouanet. Uma questão continua intocável: o artista não é visto como um trabalhador, insiste, lembrando que o Sated/MG organizou um dos primeiros movimentos da classe contra medidas de Collor, como a transformação do Ministério da Cultura (MinC) em Secretaria da Cultura (situação que se manteve entre 1990 e 1992).

A era das leis de incentivo, segundo Magdalena, possibilitou que muitos artistas desengavetassem sonhos. Por outro lado, deu oportunidade para que outros projetos se encaixassem nos moldes culturais e tomassem espaço. Deve-se diferenciar atividade profissional de manifestação amadora. Conforme acrescenta a presidente, no passado, havia mais trabalho e público. Sou atriz há 33 anos. Antes, tínhamos casa cheia sempre, menciona, questionando o fato de os espetáculos apoiados por leis já estarem pagos e não precisarem buscar ostensivamente os espectadores. De acordo com ela, muitas vezes, o ator é o último a receber seu salário, embora disponibilize tempo, saúde e, até mesmo, dinheiro do bolso. Apesar de reconhecer as vantagens desse tipo de incentivo, ela critica a postura do Estado, que não faz investimentos diretos, repassando a responsabilidade para empresas privadas. Acontece que os famosos, mais capazes de dar visibilidade às marcas, entram no mecanismo. Eles já vendem ingresso. Será que dependem de patrocínio?

Magdalena aponta ainda a necessidade que todo o indivíduo tem de se estabelecer em uma atividade. Ela lembra que, no caso dos artistas e técnicos, isso foi resguardado por lei (Lei 6.533, de meio de 1978). Anteriormente, os atores eram vistos como vagabundos. Essa é uma conquista que nos reconhece há 33 anos, finaliza.