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Na estrada da música


Por BRUNO CALIXTO

08/11/2011 às 05h00

Entre a função de administrar bandas e seguir em formações de garagem, o carioca Carlos Fernando Cunha nunca pensou em compor. Como para muitos músicos, bastou um estímulo para ele ingressar no ramo. Trocando o Rio por Juiz de Fora, Carlos Fernando veio para atuar como professor da UFJF em 2000. Por aqui, enxergou no Coral da UFJF o canal certo para manter seu contato com o circuito musical. Juiz de Fora foi o lugar escolhido para eu fazer minha vida. Me casei e tive meu filho na cidade, onde a cena cultural é bastante rica, diz. Meu primeiro contato musical por aqui aconteceu por meio de André Pires (ex-regente do Coral da UFJF), com quem tive a oportunidade de aperfeiçoar minha formação como cantor, comenta Carlos Fernando, demonstrando o resultado de 11 anos de idas e vindas à Cidade Maravilhosa durante show hoje no Pró-Música.

Zeroquarenta é o primeiro CD do músico, produzido com recursos da Lei Murilo Mendes de Incentivo à Cultura. Com lançamento marcado para as 19h30, o disco traz 13 faixas autorais e a produção musical do próprio Carlos Fernando Cunha, além dos músicos André Pires e Roger Resende. (A ideia do disco) surgiu a partir de quando comecei a levar música a sério, no momento em que entrei na Bituca (Universidade de Música Popular de Barbacena), onde tive aulas de canto, harmonização e teoria musical. Por meio do contato com a técnica musical, comecei a compor e gravar o CD, conta Carlos Fernando, sobre o período (2006-2008) em que, na Bituca, constatou que poderia almejar uma carreira entre as notas musicais.

Segundo ele, são vários os ritmos brasileiros reunidos em Zeroquarenta, apesar de o forte estar no samba e em suas variações. Um CD de samba, mas com destaque para canções que não são samba, como ‘Nhá moça’, um música influenciada pelo interior de Minas, das modas de viola, e ‘A moça e o cello’, gravada com piano de André Pires e voz, uma valsa bem engajada no que conhecemos por composição erudita, explica o músico, acrescentando ainda a participação de cariocas, como a cantora Ana Costa, o soprista Dirceu Leite e o violonista Carlinhos Sete Cordas.

Ele informa também que, após vencer o 1º Concurso de Marchinhas com Perambulando, em 2010, resolveu inserir a canção como a 13ª do projeto. A música fala de blocos e escolas de samba de Juiz de Fora, um modo peculiar de encerrar para cima, com uma marchinha.

Carlos Fernando Cunha começou a dar os primeiros passos na música quando passou a participar, em 1990, do Núcleo de Folclore e Cultura Popular da UERJ. Ali desenvolveu as primeiras batidas nos instrumentos percussivos do samba e acabou conhecendo de perto a Unidos de Vila Isabel. Não à toa, ele integrou o projeto de comemoração aos 70 anos de Martinho da Vila em 2010, encontro cujo registro está disponível no site www.carlosfernandocunha.com.br, onde o músico vem viabilizando duas faixas de Zeroquarenta e inúmeros outros momentos da carreira.

Estou sempre conectado à internet, um caminho fundamental para a democratização dos bens culturais, com mais possibilidades de atingir públicos diferenciados, ressalta o compositor, atualmente ocupando três cargos na UFJF: professor na Educação Física, no curso de Música e no programa de pós-graduação da Educação.

À espera de colher os frutos do primeiro disco, Carlos Fernando adianta que vem articulando sua carreira de músico e professor com uma proposta de recuperação de trabalhos musicais do Rio e de Juiz de Fora. Além disso, ele planeja levar o show de divulgação às cidades cortadas pela BR que intitula o álbum: Barbacena, Petrópolis, Rio, Belo Horizonte e Brasília.

CARLOS FERNANDO

Hoje, às 19h30

Pró-Música

(Av. Rio Branco 2.329)

Entrada gratuita