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Arte na rua


Por MARISA LOURES

08/07/2015 às 07h00- Atualizada 09/07/2015 às 15h54

Maria Rita canta, no dia 19, em palco montado na Avenida Tancredo Neves, em São João del-Rei  (Divulgação)

Maria Rita canta, no dia 19, em palco montado na Avenida Tancredo Neves, em São João del-Rei (Divulgação)

Luna Lunera encena

Luna Lunera encena “Prazer”, no dia 18, no Teatro Municipal (Adriano Bastos/divulgação)

No dia 24, no mesmo palco, é a vez de Marcelo Jeneci apresentar seu novo trabalho (Marcos Hermes/divulgação)

No dia 24, no mesmo palco, é a vez de Marcelo Jeneci apresentar seu novo trabalho (Marcos Hermes/divulgação)

Fazenda União, em Rio das Flores, abriga concerto de José Staneck e Yaniel Matos no dia 17 fotos (Divulgação)

Fazenda União, em Rio das Flores, abriga concerto de José Staneck e Yaniel Matos no dia 17 fotos (Divulgação)

Duo Eberhardt e Llerena é atração em Visconde de Mauá

Duo Eberhardt e Llerena é atração em Visconde de Mauá

Além de ministrar oficinas, Turibio dos Santos se apresenta na Fazenda São João da Prosperidade, em Barra do Piraí, no dia 18

Além de ministrar oficinas, Turibio dos Santos se apresenta na Fazenda São João da Prosperidade, em Barra do Piraí, no dia 18

Maria Rita é um dos mais conhecidos nomes da Música Popular Brasileira a se apresentar no Inverno Cultural de São João del-Rei, que nesta edição chega à terra onde os sinos falam entre 18 e 26 de julho. O evento recebe outros artistas, como Karina Buhr, Badi Assad, Zéu Britto e Toninho Resende. A programação, realizada ainda nas cidades de Sete Lagoas (17 a 22 de julho), São Tiago (23 a 26 de julho), Conselheiro Lafaiete (30 de julho a 1º de agosto), Santa Cruz de Minas (23 a 25 de julho), Ouro Branco (30 de julho a 2 de agosto) e Divinópolis (24 de julho a 1º de agosto), fica ainda mais recheada com a presença de atrações como Marcelo Jeneci e Casuarina.

Como sempre, o evento abriga performances teatrais, ciclos de debate e exposições. Bem precioso que merece ser preservado, a água está no centro das atenções. “A grande surpresa dessa temática é a simplicidade de dizer que a água é um elemento muito mais artístico que qualquer outro. A própria palavra cultura existe muito em função dela. É na beira do rio, por exemplo, que a vida de uma cidade surge”, assevera Paulo Caetano, pró-reitor de Extensão e Assuntos Comunitários da universidade Federal de São João del-Rei.

“É um assunto necessário devido ao momento em que o Brasil está vivendo. Acho assustador pensar que, no território que possui grande disponibilidade desse recurso, a dificuldade de abastecimento vem provocando rupturas enormes na sociedade. Que a arte e a cultura também tenham essa tarefa de acenar por uma sociedade mais justa.”

Mantendo a tradição, as oficinas pegam a dianteira dos destaques do evento. São mais de 90 divididas nas áreas de artes cênicas, arte-educação, artes plásticas, artes visuais, literatura e música. “Nossas oficinas têm duas facetas, uma de recreação e a outra de formação, de capacitação ou de reciclagem de um saber.” Para quem ainda quiser participar, as inscrições foram prorrogadas até 12 de julho. Os interessados devem se inscrever por meio do site www.invernocultural.com.br.

Arte em construção

O Centro Cultural da UFSJ, instalado no Largo do Carmo, abriga uma das mais curiosas exposições do período. Aberta no dia 18 de julho, às 20h, o “Benefício da dúvida”, do Coletivo Cerca, de Belo Horizonte, apresentará os artistas em processo de elaboração de sua obra. A proposta é que o público participe da construção do trabalho. “Os integrantes do coletivo vão estar uniformizados como se estivessem em um restaurante self-service, e as pessoas vão marcar em um cardápio os itens que elas gostariam de ter em uma obra de arte”, comenta Paulo Caetano.

“Não obrigamos os participantes a produzirem trabalhos sobre a água. O assunto começa a penetrar na vida dessas pessoas de forma natural durante o festival. Acontece como uma gotinha d’água escorrendo para dentro da terra”, observa ele.

Dentre os espetáculos teatrais, a Companhia de Teatro Luna Lunera apresenta a peça “Prazer” no dia 18, às 20h, no Teatro Municipal. Num país qualquer, distante do Brasil, quatro amigos se reencontram. Apesar das angústias, seus impasses cotidianos, suas frustrações, eles tentam a coragem de buscar a alegria. O destaque das artes cênicas ainda vai para o Grupo de Teatro Armatrux, de Belo Horizonte. Em “Thácht”, a trupe aborda fragmentos da vida de Rafa e Rufo, artistas de variedades que vivem de suas recordações. Com muito humor negro, os dois cômicos desenvolvem um diálogo absurdo, usando de forma única a musicalidade nas palavras e instigando o imaginário do espectador. A montagem será apresentada no Teatro Municipal de São João del-Rei, no dia 19 de julho, às 20h.

Vivendo realidade nada diferente de outras iniciativas culturais, o Inverno Cultural de São João del-Rei precisou se adequar. De 15 dias, ele diminuiu para nove em 2015. “Tivemos dificuldade de captação de recursos. Como estávamos antevendo uma crise financeira nas empresas, adaptamos o projeto às condições atuais. Ainda assim, fizemos tudo com muita riqueza e qualidade.” Conforme Paulo, com exceção das oficinas, em que é cobrada uma taxa de participação, toda a programação é gratuita. Em São João del-Rei, o palco principal ocupa a Avenida Tancredo Neves.

Música e história

Há 13 anos, a música se mistura à exuberância de fazendas seculares no interior do Estado do Rio de Janeiro. “Por isso esse ar campestre dos concertos. Você tem até passarinho cantando e maritaca voando”, diz Turibio dos Santos, diretor artístico do Festival Vale do Café, realizado entre os dias 17 e 26 de julho em cidades como Valença, Vassouras, Paty do Alferes, Barra Mansa, Rio das Flores, Piraí, Pinheiral, Barra do Piraí e Paulo de Frontin.

Além de servir de palco para as apresentações, as charmosas residências aristocráticas do século XIX proporcionam uma volta ao passado por meio de um passeio por sua história. Durante esses dez dias, a programação gratuita toma conta de casarões, praças públicas e igrejas. O período ainda é de aprendizado e troca de experiências, já que a maratona inclui os tradicionais cursos de música comandados todos os anos por professores renomados.

Wanda Sá, Nicolas Krassik, Carol McDavit, Délia Fischer, José Staneck e Cristina Braga compõem a lista de atrações. Segundo Turibio, o festival continua com o mesmo perfil e a mesma qualidade, embora o ano seja de dificuldades. “O patrocínio caiu muito como em todos os lugares, mas a programação continua encantadora. Diminuíram os espetáculos de música popular nas praças públicas, porque as prefeituras estão sem recursos”, explica o diretor artístico, que também integra a agenda de apresentações. Ele e convidados fazem o show “Bach passeia nas cordas brasileiras”, no dia 18 de julho, às 10h, na Fazenda São João da Prosperidade, em Barra do Piraí.

Em 2015 o festival não prestará reverência a um único grande nome da música. “Teremos tributos, como Carol Mac Davit, com “100 anos de Sinatra”, e Daniela Spielmann e Sheila Zagury convidam Catherine Bent, com ‘Homenagem a Jacob do Bandolim'”.

Tempo de aprender

A “coluna vertebral” dessa temporada são os cursos oferecidos gratuitamente, entre 20 e 24 de julho, a alunos não só da região, mas de outras partes do país. Sob a direção de Turibio, os cerca de 400 participantes têm a oportunidade de se aperfeiçoar em violoncelo, piano, contrabaixo, violino, sax, clarineta, trompete, flauta, entre outras áreas. Aproximadamente 150 pessoas recebem bolsas integrais, incluindo hospedagem e alimentação. No final, mestres e alunos sobem ao palco para um recital. “Há jovens que frequentam o evento há alguns anos e pegam gosto pelo reencontro. Nosso repertório é muito aberto, tem música de câmera e arranjos de música popular.”

Duo em Mauá

Já Visconde de Mauá, entre Rio e Minas, abriga o 3º Visconde de Mauá Concerto. O duo Marcus Lherena (violão) e Rosene Eberhardt (voz) apresenta 13 peças da Europa renascentista nos dias 17 e 24. Já nos dias 18 e 25, será a vez do concerto “Canções através dos séculos”, com composições de Brahms, Schubert, Debussy, Carlos Gomes e Villa-Lobos. Os dois artistas são de Joinville e assinam uma discografia de 24 CDs lançados no Brasil, na França e nos Estados Unidos. As apresentações ocorrem sempre às 18h, na Igreja São Sebastião, com entrada gratuita.