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Os físicos estão loucos!


Por Tribuna

08/01/2015 às 07h00- Atualizada 08/01/2015 às 17h47

Albert (ou seria Albrecht?) Einstein é um dos cientistas insanos mostrados em 'Projeto Manhattan' (no detalhe)

Albert (ou seria Albrecht?) Einstein é um dos cientistas insanos mostrados em ‘Projeto Manhattan’ (no detalhe)

Criar histórias em quadrinhos sem super-heróis, com pessoas comuns ou nomes importantes da história, não é nenhuma novidade. Porém, quando alguém tem a coragem de pegar Albert Einstein, Franklin Delano Roosevelt, Enrico Fermi, Robert Oppenheimer, Wernher von Braun, Richard Feynman e Harry S. Truman e transformá-los em seres humanos dementes, insensatos, desprovidos de moral e psicóticos e cria uma série que te prende da primeira à última página, é preciso reconhecer que o sujeito é bom, muito bom. Este é o caso do roteirista Jonathan Hickman que, com o desenhista Nick Pitarra, criou a absolutamente insana “Projeto Manhattan” (Image Comics), uma das melhores séries surgidas em 2012 e que, enfim, estreia no Brasil, pela Devir.

A premissa é simples: “Ciência. Ruim”. A Segunda Guerra Mundial está próxima do fim, e o Governo dos Estados Unidos reuniu algumas das melhores cabeças pensantes da ciência no Projeto Manhattan, que tem por objetivo criar a primeira bomba atômica da história. Neste universo alternativo, entretanto, todos esses gênios têm liberdade para desenvolver os mais bizarros projetos, como extração do espaço pan-dimensional, materialização de armas imaginárias, 150 mil computadores interligados para criar a primeira Inteligência Artificial (com a mente do recém falecido presidente Roosevelt!), portais para realidades alternativas.

Nem tudo, entretanto, é o que parece ser nesse estranho mundo, principalmente nos casos de Einstein e Oppenheimer. Com isso em mente, Hickman cria uma das histórias mais interessantes dos últimos tempos, misturando conspirações, alienígenas, canibalismo, múltiplas personalidades, gêmeos malvados, contrapartes malignas, nazistas, assassinatos, extermínio de espécies extraterrestres, homens biônicos, robôs kamikazes e um Harry Truman simplesmente impagável. Com o roteirista garantindo a história e diálogos dos melhores já vistos, coube a Nick Pitarra completar o quadro alucinado com sua arte que, em “Projeto Manhattan”, beira o cartunesco, lembrando ainda o trabalho de outro mestre, o escocês Frank Quitely.

Ao final das cinco edições que compõem o primeiro volume, fica o desejo para que a Devir publique, o mais rápido possível, todos volumes restantes (nos EUA, a revista já chegou ao número 25), em que figuras como Yuri Gagarin e John Kennedy também passam a fazer parte do festival de insanidades criado por Jonathan Hickman.