Pela integração de espaços
Uma nova sala para exposições está em discussão para ser implantada, em 2012, no Museu de Arte Murilo Mendes (Mamm). A notícia foi dada pelo pró-reitor de Cultura da UFJF, José Alberto Pinho Neves, durante o último encontro do projeto Dois pra lá, Dois pra cá, na noite de segunda, na videoteca do Centro Cultural Bernardo Mascarenhas (CCBM). Além de Pinho Neves, participaram da mesa a arte-educadora do Mamm, Sandra Sato, o artista plástico e proprietário da Hiato – Ambiente de Arte, Petrillo, e a fotógrafa Nina Mello, proprietária do Espaço Experimental que leva seu nome. O I Ciclo de Debates Culturais promovido pela Tribuna foi concluído depois de debater artes cênicas, música, literatura e artes visuais. As discussões serão base para uma série de matérias especiais que serão publicadas entre o Natal e o Réveillon.
O projeto do novo espaço, segundo Pinho Neves, ainda está em fase de estudos, mas a proposta é que seja um local com edital público para ocupação tanto de artistas locais quanto de outras partes do país. Além disso, no próximo ano, o museu também deverá trazer para a cidade as exposições O universo gráfico de Glauco Rodrigues, do desenhista Glauco Rodrigues, e Pão e rosas para todos, do também desenhista Carlos Scliar.
O gestor ressaltou a necessidade de adequação dos espaços existentes a conceitos específicos, de modo a contemplar diferentes linguagens artísticas, sem renegar o diálogo entre os diferentes âmbitos culturais na cidade. Como exemplo, Pinho Neves citou o espaço de Nina, focado na fotografia. Para promover esta interação, Nina destacou a necessidade de se pensar não só nos conceitos, mas na estrutura dos lugares na cidade para receber os trabalhos. No Espaço Experimental, temos um ambiente pequeno, que estamos, como o nome diz, experimentando. É importante dar visibilidade para a fotografia na cidade, a exemplo do que vem ocorrendo no mundo. Para driblar possíveis faltas de estrutura, Petrillo já aponta a união de artistas como saída.
Nos editais e nas empresas
Para os convidados do debate, iniciativas como o atrelamento da arte a espaços culturais de empresas, como o Banco do Brasil, os Correios e a Caixa Econômica Federal, e a utilização de leis de incentivo trazem aspectos positivos para o circuito da cidade. Porém, alguns pontos devem ser levados em conta. Segundo Pinho Neves, é fundamental que a produção local seja levada em consideração. Para Nina, é necessário cuidado com possíveis interferências no processo criativo e na proposta do artista. Também favorável às medidas, Sandra aponta esses locais como oportunidade de conhecer novos trabalhos. Acredito que essas iniciativas provam que a arte pode ser sim um bom negócio tanto para o artista quanto para as empresas.
Questão recorrente nos quatro encontros do Dois pra lá, dois pra cá, a formação de público não passou ao largo das discussões. Na opinião de Sandra Sato, é necessário distinguir o aumento do número de visitantes nas galerias e museus de outras medidas mais efetivas. Se fazemos eventos paralelos à exposição, as escolas respondem. Vejo a arte como instrumento para promover cidadania, preservação de patrimônio e inclusão social. Deve-se estabelecer a diferença entre formar e apenas incrementar público. Para a arte-educadora, a cidade possui público para as artes, e a prova disto é a resistência e a longevidade de alguns locais na cidade.
Petrillo conta que, em sua exposição Imaterial, a obra de Petrillo, realizada este ano no Espaço Cultural Correios, antes das visitas guiadas das escolas, foi feito um trabalho de arte-educação com os estudantes sobre a proposta da exposição. Não queria que eles apenas olhassem. Criamos uma apostila para os professores trabalharem em sala de aula. Para o artista, ir às galerias com este conhecimento prévio auxilia o entendimento e permite que, uma vez gostando da exposição, o público retorne ao local para ver outra. Se você cria o jovem com o bom hábito em relação à arte, você terá um adulto com o mesmo perfil.









