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Centro de Preservação da Memória Negra recebe mais de 120 visitas por dia

Sediado no Paço Municipal, o novo espaço conta com a exposição inaugural gratuita ‘Estesia’, que reúne obras de artistas locais


Por Mafê Braga*

07/07/2025 às 16h26- Atualizada 07/07/2025 às 16h27

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Centro de Preservação da Memória Negra funciona no Paço Municipal de Juiz de Fora (Foto: Divulgação/PJF)

Inaugurado no dia 30 de junho, em Juiz de Fora, o Centro de Preservação da Memória Negra (CPMN) recebeu entre 120 e 140 visitantes por dia durante a primeira semana em funcionamento, conforme informações da Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial (SEIR). Localizado no Paço Municipal, o espaço exibe a exposição inaugural “Estesia“, que reúne obras com ênfase na comunidade negra, até o final do mês de outubro. As visitas são gratuitas e abertas ao público.

“É muito importante termos a oportunidade de ter esse Centro num espaço central, num endereço nobre, num prédio muito valorizado. É um espaço importante para a população negra de Juiz de Fora, mas sobretudo para as pessoas terem a possibilidade de reconhecer a história juiz-forana e o modo como essas memórias foram, durante muito tempo, silenciadas pela historiografia oficial da cidade”, destaca a Secretária Especial da Igualdade Racial, Giane Elisa.

Entre as obras em exposição está “Pequena África”, do artista Ramón Brandão. O principal critério para escolha das obras da exposição, de acordo com Giane, foi “mobilizar os sentidos para que se tenha a possibilidade de uma cosmopercepção em relação às presenças negras na cidade de Juiz de Fora, no seu processo de formação e no desenvolvimento da consolidação da cidade”, relata. “Foram priorizados os artistas que estivessem dispostos a trazerem obras que dialogassem com a memória negra para extasiar os sentidos e  discutir o ressurgimento da memória negra na cidade”, completa.

“Ela (Estesia) é composta por sete estações, que chamamos de ‘Roncós’. No Candomblé, ‘roncó’ refere-se a um espaço sagrado, geralmente um quarto, onde ocorrem rituais de iniciação e obrigações, um local de recolhimento e transformação para o iniciado. É um espaço de gestação, onde se renascem novas personalidades ligadas aos orixás. Cada Roncó, então, tem um tema e reflete algumas das muitas facetas da cultura negra”, explica a direção do CPMN.

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Centro de Preservação da Memória Negra recebe exposição inaugural ‘Estesia’ (Foto: Divulgação/PJF)


O Roncó Mei do Mato tem exibições de plantas ligadas ao culto dos Orixás. Já o Roncó AxéAmémSaraváShalomAleluia expõe três quadros de benzedeiras locais que foram cedidos pelos artistas plásticos Rodrigo Dias e Mariana de Andrade. Além disso, “Estesia” abrange o Roncó Saborices e Saborenças, que retrata a culinária que passa de geração em geração nos lares pretos do Brasil.

Nesta primeira exposição, há, também, uma sala dedicada ao Batuque Afro-brasileiro de Nelson Silva, patrimônio imaterial da cidade, e um vídeo produzido com várias pessoas que mencionam a importância da existência de um centro de memórias negras para o povo.

Nova perspectiva de espaço 

Para abranger as necessidades do novo Centro, foi necessária a reformulação dos ambientes do Paço, um projeto que foi assinado por Leonardo Soares de Paula, da Secretaria de Desenvolvimento Urbano, com Participação Popular, SEDUPP. 

“O Centro surge já na perspectiva de uma nova museologia, que aponta pra museus onde as populações se sintam pertencentes, longe de ser um espaço apenas contemplativo”. A secretária relata que “os movimentos sociais já se relacionam com o Centro a partir do momento em que se cria um Comitê Curador, que passa a discutir as presenças dentro do Centro, composto por entidades governamentais e também por movimentos sociais negros. É necessário deixar de pensar na tríade edifício-coleção-público, e focar nas redes territoriais, nas temáticas que queremos trazer pra dentro de um museu vivo e nas redes de conexão estabelecidas pelas comunidades por meio dele”, defende Giane.

Ela aponta que os próximos passos consistem em “realizar uma curadoria social para que seja possível montar um acervo para a organização de um museu a ser referenciado pela população negra e vindo dela”. Para isso, já há atividades de intercâmbio com outros museus que têm a mesma natureza de preservação de memória, como o Museu dos Quilombos e Favelas Urbanos (Muquifu), em Belo Horizonte; o Museu da Cultura e História Afro-Brasileira (MUHCAB) e o Museu da Maré, no Rio de Janeiro; o Museu Afro Brasil Manoel Araujo, em São Paulo; e o Centro Cultural Solar Ferrão, em Salvador; com o intuito de trocar experiências e conseguir consolidar esse nova perspectiva museológica em Juiz de Fora.

* Estagiária sob supervisão da editora Gracielle Nocelli

Serviço

Centro de Preservação da Memória Negra
Horário: terças às sextas (9h às 17h) e aos sábados (9h às 15h)
Local: Paço Municipal (Esquina da Rua Halfeld e a Avenida Rio Branco, Centro)
Entrada franca
Classificação livre
Exposição “Estesia” até o dia 30 de outubro