Um olho no circo, o outro no pão
Samir Hauaji, 41 anos, nasceu ator. Formado em letras, tendo se dedicado à sala de aula como professor de literatura por mais de uma década, foi aos poucos se entregando aos palcos, sem nunca ter passado por uma escola dramática. O que se vê no pequeno cercado montado para sua performance ao lado de Gibran Lahma em O cego e o louco foi sendo construído durante um tempo com um olho no circo e outro no pão, conforme ele mesmo conta. Compenso a carência teórica com uma prática zelosa e disciplinada. O sucesso, não o persigo. Segundo me consta, ele brota da renúncia das vaidades, acredita ele, que nunca recusou o que bateu a sua porta, seja comercial para TV, teatro de rua e de bonecos, vídeos, cinema, locuções e dublagens. Procuro amamentar com carinho os trabalhos que me trazem ao colo. Apesar disso, nunca deixei de roçar um Shakespeare ainda que para uma propaganda de creme dental.
Carioca de nascimento, mas radicado em Juiz de Fora, Samir dispensa laboratórios e segue sua intuição. Depois de cumprir curtas temporada aqui na cidade por dois anos, partiu com Lahma, Rodrigo Portella e Claudia Barral para a Alemanha a convite da Universidade de Passau, na Baviera, onde fez apresentações no mês de junho para estudantes de língua portuguesa em um congresso de cultura latino-americana. Ao que parece, nem mesmo a distância cultural foi suficiente para impedir que Dionísio enviasse sobre a trupe suas bênçãos. Confesso que não fazia ideia do quanto poderíamos nos comunicar tendo em mãos um texto em que o verbo é assumidamente o motor de todo o resto, e com nossa interpretação latina.
Escritor
Júlio Cortázar
Uso seu ‘Jogo da amarelinha’ para me justificar: ‘O mero fato de nos interrogarmos sobre a possível eleição já vicia e perturba o elegível’
Conto
O timoneiro, de Franz Kafka
Descrições minuciosas e vívidas, personagens pulsantes; dissecção psicológica da natureza humana; tudo o que você mais queira revelado em um miniconto de 150 palavras
Ator
Steve McQueen
Difícil não perceber no homem a dor intensa que tentava, em vão, aplacar com as máscaras fajutas que vestia em seus personagens. Dispensava dublês nas cenas de ação. Acabou dispensando a si mesmo do mundo real
Filme
Goodfellas, de Martin Scorsese
É impressionante como a autêntica violência desse filme seja promovida pelos momentos de silêncio
Cineasta
Akira Kurosawa
Não é para qualquer um pôr as mãos em Hamlet
CD
In the wee small hours, de Frank Sinatra
Sinatra, abandonado por Ava Gardner, desentala a solidão na voz
Site
www.nationalgeographic.com
Para os grandes exploradores que ainda não saíram de seus jardins
Música
Folia de reis, de Chico Anysio e Arnaud Rodrigues
Música sacra. Peregrinação mental. Viagem ao centro do ser
Vídeo na internet
Nina Simone _ feelings, disponível em www.youtube.com/watch?v=VmO_0tIGo-4
Já viram a cara da alma?









