Viola de respeito

Considerado um dos maiores instrumentistas da música brasileira, Almir Sater volta a Juiz de Fora
Independência é o norte para Almir Sater. O cantor, compositor e violeiro sul-mato-grossense se apresenta com sua banda em Juiz de Fora na próxima quinta-feira, aproveitando mais um intervalo na produção de seu novo CD – independente e em parceria com o amigo Renato Teixeira, que deve sair até o final do ano. Poucos meses depois de se apresentar na cidade, Almir volta para apresentar o repertório que o fez conhecido, incluindo “Cavaleiro da lua”, “Chalana” e “Trem do Pantanal”. “O show é basicamente o mesmo, muda uma ou outra canção. São músicas instrumentais, sucessos, outras pouco conhecidas e canções de gente que gosto muito, como Paulo Simões, Geraldo Espíndola, Renato Teixeira”, adianta.
Sem gravar desde o álbum “7 sinais”, de 2007, Almir Sater uniu forças com o parceiro para um novo CD de inéditas, que espera estar concluído até o final do ano. “A maioria das faixas é em parceria com o Renato, nas demais, nos revezamos na autoria. É um trabalho diferente até na forma de gravar, mas o resultado vai ser satisfatório”, conta. “No início, a produção estava sob minha responsabilidade, mas achei que estava muito parecida com o meu som. Então jogamos tudo fora e chamamos o (produtor) Eric Silver, que já havia trabalhado comigo no ‘Rasta bonito’ (1986). É bom que ele também pressiona a gente a terminar a produção” (risos).
A “pressão” amiga não quer dizer, porém, que exista atropelo. O novo trabalho vem sendo gravado no estúdio caseiro de Almir, na Serra da Cantareira (SP), quase vizinho à casa de Renato. Com o apoio da tecnologia, até as participações ficam facilitadas. “Quando precisamos de outro músico, ele grava no estúdio em que estiver, acompanhamos via Skype, conversamos, é uma forma diferente de produzir”, diz ele, que vê todo o processo como uma consequência dos novos tempos. “Hoje é mais fácil gravar de forma independente porque você pode ter estúdio em casa. Antes era caro, mas os custos melhoraram muito. E as gravadores estão repensando a função delas. Elas ainda são importantes para o artista, não gostaria que acabassem, pois elas investem em nós, o que é complicado para o artista independente mesmo com a internet, que ajuda. As gravadoras ficaram um pouco assustadas com todas essas mudanças.”
Mesmo com a rede mundial de computadores permitindo ampliar o leque de novos sons na discoteca, o cantor afirma que continua fiel aos artistas que ajudaram a moldar sua cabeça musical. “Continuo ouvindo os discos de antigamente: Eric Clapton, Mark Knopfler, Tião Carreiro e Pardinho, folias de reis. Gosto de escutar Beatles, Vivaldi. Acho que as músicas antigas me preenchem mais que as atuais, mas é legal ter a oportunidade de conhecer coisas novas pela internet. Acho, porém, que falta aquela criatividade que havia nos anos 1960 e 1970.”
Cuidando do futuro
Fortemente ligado à sua terra, Almir Sater concilia a carreira musical com a de produtor rural, mas sem se esquecer dos cuidados com o meio ambiente. “Sou preocupado em manter o lugar que vivo. Precisamos nos conscientizar sobre essa questão, sou a favor de produzir alimentos mas preservar nosso ar, nosso planeta. É preciso preservar nossas nascentes, é perigo o que muita gente faz, de desmatar até a beira do rio. Tento fazer o melhor, o possível para termos uma boa convivência entre homem e natureza”, diz ele, acrescentando: “Na casa dos meus pais, dizia-se que os recursos eram infinitos, ‘peixe nunca acaba’. A minha geração já foi sendo criada com a consciência de que as coisas acabam, sim. A geração dos meus filhos é ainda mais consciente que a minha. É preciso cuidar do nosso mundo para quem vem aí.”
Ator, produtor rural, preocupado com o meio ambiente… Houve tempo em que Almir Sater ainda se dedicava à carreira de ator. Famoso nacionalmente graças a sua participação em “Pantanal”, da finada Manchete, o artista pode ser visto na telinha graças à reprise de “O rei do gado”. “O pessoal fala que me viu na novela, e isso é muito legal. Há quem vá aos shows, porque me conheceu pela TV, outros, pela moda de viola, as músicas… Mas é certo que ‘Pantanal’ foi um divisor de águas, mais marcante até que ‘O rei do gado’. Foi ela que me tirou do anonimato e me permitiu cantar para grandes multidões, e todo artista quer isso. A novela ajudou muito nessa parte.”
Perguntado se tem acompanhado a reprise, ele diz que os compromissos e o horário impedem assistir à produção. “Só vi uma cena quando estava na fazenda de um amigo meu, era uma em que eu e o Sérgio Reis estávamos tocando numa rádio. Mas hoje eu me vejo de uma forma diferente do que via naquela época, parece outra pessoa.”
E voltar a atuar, alguma perspectiva? “Não penso mais nisso, ‘pendurei’ o texto. Recebi alguns convites, mas não dá para conciliar com minha agenda de shows. Não posso prometer que estaria livre, até porque na novela você trabalha muito. Percebi que foi um tempo que passou, mesmo tendo sido bom”, afirma o artista, ansioso por voltar às terras mineiras. “Tocar em Minas Gerais é um privilégio, pois é o berço dos violeiros. Tenho muito respeito e responsabilidade ao me apresentar aí.”
ALMIR SATER & BANDA
Dia 9 de abril,
às 21h
Cine-Theatro Central
3215-1400








