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Um espaço de formação


Por MARISA LOURES

07/02/2013 às 07h00

"Sou mãe, tenho duas filhas em idade escolar e sei a importância que esse espaço tem na formação dos nossos jovens. Por isso, o que mais me encantou foi a proposta de aproximar o Mamm das escolas. Fico emocionada quando falo, porque realmente acredito na diferença que o nosso trabalho faz", revela Nícea Nogueira. Há pouco mais de uma semana no cargo de diretora do Museu de Arte Murilo Mendes – função desativada durante a gestão anterior da Pró-Reitoria de Cultura – a professora da Universidade Federal de Juiz de Fora e doutora em teoria literária pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp) recebeu a Tribuna em seu gabinete para falar sobre os projetos para o local.

Como medida imediata, reativou o conselho curador da instituição, que conta com oito membros, incluindo ela, e o conselho técnico-consultivo. "Foi uma iniciativa do professor Gerson Guedes (pró-reitor de Cultura). O objetivo é respaldar o Mamm perante o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) e obter o reconhecimento oficial dentro da própria universidade. Sem contar que é preciso garantir que todas as normas do regimento sejam seguidas e que medidas arbitrárias não sejam tomadas", destaca a diretora.

Douglas Fasolato, jornalista e diretor-superintendente do Museu Mariano Procópio, e os professores Luciene Tófoli, docente da Universidade Federal de São João del Rei; Moema Rodrigues Brandão Mendes e Luiz Fernando Medeiros de Carvalho, do Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora; Verônica Lucy Coutinho e Fernando Fiorese, da Universidade Federal de Juiz de Fora e Leila Rose Márie Batista da Silveira Maciel, do Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia Sudeste Minas Gerais (Ifet/JF), compõem a primeira equipe de conselheiros. "Convidamos pessoas da UFJF e de outras instituições que têm relevância nas áreas de literatura e artes. São todos frequentadores do museu. A função é supervisionar as ações", conta Nícea.

Já o segundo grupo é formado pelos diretores do Instituto de Artes e Design (IAD), Ricardo Cristófaro, Instituto de Ciências Humanas, Eduardo Salomão Conde, Faculdade de Letras, Marta Cristina da Silva, e Faculdade de Comunicação, Marise Mendes; os coordenadores dos programas de Pós-graduação em Letras (estudos literários), Rogério de Souza Sérgio Ferreira, Comunicação, Iluska Coutinho, e IAD, Maria Lúcia Bueno Ramos; o estudante Felipe de Freitas Fonseca, representando o DCE, e o conservador-restaurador de bens-culturais, Aloísio Arnaldo Nunes de Castro, em nome dos técnicos de ensino superior, além de três líderes do grupo de pesquisa cadastrados no CNPQ, a serem escolhidos pelo conselho setorial de pós-graduação e pesquisa. A primeira reunião está agendada para hoje. "Esse conselho é opinativo, atuando sobre pesquisa, acervo e publicações."

 

Retomando o enfoque literário

De acordo com Nícea, sem deixar de abrir espaço para as mostras de artes plásticas, um dos objetivos da atual administração é dar maior enfoque na literatura de Murilo Mendes, priorizando a pesquisa na obra do poeta. "O Mamm tem um papel muito importante na cidade como um centro cultural, mas nasceu de um centro de estudos. Uma das exigências da família de Murilo era que não perdêssemos esse direcionamento. Acontecem muitas ações aqui, e não podemos esquecer que o patrono era um escritor e não artista plástico. Era um crítico de arte sim, muito ligado ao meio cultural europeu, mas sua produção era literária. Assumi com a missão de enfatizar ainda mais esse viés", comenta a diretora.

Já em comunhão com as novas diretrizes, o projeto "Idade do serrote", que será posto em prática ainda neste semestre, consiste em visitas periódicas de escolas do ensino fundamental, principalmente da rede pública, ao Mamm. Entre as iniciativas previstas estão a reedição e distribuição do livro de mesmo nome e exposição itinerante de textos, imagens e objetos. "Vamos fazer contato com a Secretaria de Educação e com a superintendência de ensino. Tudo está dentro de uma proposta de arte-educação. O acesso ao museu ainda está bem tímido. Dessa forma, vamos também levá-lo aos estudantes." Conforme já divulgado pela Tribuna, para os meses de maio e junho, a expectativa é de que o "Juiz de Fora – verbo e cor" saia do papel – mostra que associa pintura, literatura e história de Juiz de Fora.

 

Continuidade dos trabalhos

"Não temos intenção de romper com o que já foi feito. Nossa meta é dar continuidade. O trabalho que foi realizado pelo professor José Alberto Pinho Neves era de excelência", afirma Nícea, se referindo à volta da exposição itinerante da Bienal de São Paulo. Em 2011, o Mamm, ainda sob supervisão do ex-pró-reitor, abrigou uma parte do acervo da 29ª edição da Bienal, alçando Juiz de Fora, naquele ano, ao lugar de única cidade do interior a sediar a mostra. De acordo com a diretora, ela e outros funcionários da instituição foram nesta semana ao Palácio das Artes, em Belo Horizonte, para selecionar as obras que virão para o município. O próximo passo é aguardar a aprovação do corpo técnico da fundação. "Fizemos uma seleção prévia. Agora eles têm que verificar se cumprimos certas exigências deles. Final de março, início de abril, já teremos toda uma estrutura montada", diz Nícea.

O setor de expografia do Museu de Arte Murilo Mendes já programa a instalação, assinada pelo artista juiz-forano César Brandão, "Homenagem a Kounellis" – pintor e escultor grego, que se deslocou para a Itália em 1956, onde se destacou por utilizar figuras simples, como sinais, setas, números e letras, para criar imagens de caráter simbólico. "O César é o único artista vivo de Juiz de fora que já participou da Bienal de São Paulo. Não podemos definir a abertura desta mostra porque dependemos da definição da data exata da vinda da exposição itinerante, já que vamos utilizar todas as galerias do Mamm", diz Paulo Alvarez, um dos responsáveis pelas montagens de exposições.

Também já oferecido no ano passado, o curso "A poesia partilhada – Uma introdução às linhas mestras da lírica de língua portuguesa", ministrado pelo professor Iacyr Anderson Freitas, já tem previsão de voltar à grade de programação. O primeiro módulo vai ser realizado entre os meses de abril e maio. Já o segundo está agendado para junho. Sem necessidade de pré-requisito, ele pode ser feito por qualquer pessoa. As aulas serão dadas nas quartas-feiras, a partir das 19h30.