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Mostra de teatro reúne peças locais e nacionais em dez dias

Segunda edição do InventaIncena tem início nesta quinta-feira (8) e prossegue até dia 18 em diversos pontos de JF

Por Júlio Black

06/11/2018 às 20h53

Realizado pela primeira vez em dezembro de 2017, a Mostra InventaIncena tinha como principal objetivo celebrar os dez anos de atividades da Cia. Teatrando, além de marcar o encontro de diversos artistas em duas datas no Museu Ferroviário. Para este ano, porém, o evento cresceu, e muito: com início nesta quinta-feira (8), a segunda edição da mostra vai se estender até o próximo dia 18, ocupando quatro espaços dedicados à cultura em Juiz de Fora: o Teatro da Praça CEU, em Benfica; o Tenetehara Instituto de Cultura, em São Pedro; o espaço Sala de Giz, no Mariano Procópio; e a Estação Palco e o CCBM, no Centro.

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“Motriz” é um monólogo encenado por Júlia Mota totalmente no escuro (Foto: Divulgação)

“A mostra terá dez dias, com movimentação de quase 120 artistas, oficinas e os lançamentos de livros. Conseguimos atingir vários pontos de Juiz de Fora, o que é maravilhoso. Conseguimos parceria com a Praça CEU, onde acontece o primeiro espetáculo, que terá entrada franca e mesa de debates em seguida”, comemora Adryana Ryal, uma das responsáveis pela organização do evento ao lado de Tiê Fontoura e Danyela Silvério.

A presença de espetáculos e cenas curtas com artistas de outras cidades mineiras (São João del-Rei, Ubá) e de outros estados (Rio de Janeiro, representado pela capital e por Angra dos Reis; e Bahia, por Salvador, com alunos da UFBA) é ponto fundamental para reforçar o tema proposto pela organização para esta edição. “A gente acredita que esse encontro teatral é uma das maiores comunicações humanas, de troca de vivências e experiências, a comunicação permeia todo o sentido da mostra”, afirma. Também haverá mesas de debates e oficinas.

O artista sempre se reinventa

Para este ano, o tema da mostra é Comunicação entre resistência e diversidade, a partir da visão de que com a arte é possível reinventar o mundo. E o evento vai fundo na proposta, com peças que trabalham diversas linguagens, temas e gêneros. A abertura, na quinta-feira (8), acontece às 19h no Teatro da Praça CEU, com o espetáculo “Velhos tempos de mim: Saberes e sabores da infância”, da Caravana de Histórias. Com direção de Cristiano Fernandes, é baseado em narrativas de infância dos professores participantes. Mais tarde, às 20h, é a vez de “Não recomendado à sociedade”, adaptação do conto de Caio Fernando Abreu que esteve recentemente em cartaz no espaço OAndarDeBaixo.

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"Velhos tempos de mim: Saberes e sabores da infância", da Caravana de Histórias; direção de Cristiano Fernandes (Foto: Divulgação)

“A diversidade, às vezes, é muito maior que nosso pensar, acreditamos que a questão da linguagem, do gênero, da comunicação é muito maior que um gesto, por exemplo”, ressalta Adriana. “A mostra é também um ato de resistência, para continuar incentivando a produção cultural, promovendo o fomento de cenas curtas. Acredito que seja um ato ainda mais intenso este ano, pelo momento que estamos passando na questão política. O artista tem sido muito desvalorizado, sendo que ele tem um papel fundamental na sociedade, como formador de opinião, comunicador. Freud já dizia que o artista trabalha com o vazio, a gente consegue se reinventar nas melhores, piores, mais diversificadas situações.”

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A ampliação de atrações permite que a mostra ofereça ao público histórias e cenas curtas que tratam de temas diversos, algo que Adryana faz questão de enfatizar e valorizar. “Teremos espetáculos que tratam de questões de valores financeiros, culturais, políticos, religiosos, inclusive na mostra de cenas curtas. Precisamos resgatar a humanidade, e por isso comunicar, diversificar e resistir é indispensável”, finaliza.

Programação intensa

Na sexta-feira (9), às 20h, também no Tenetehara, o GET (Grupo de Experimentação Teatral) leva ao palco a peça “Enquadros”, composta por quatro cenas curtas retratando personagens marginalizados. No sábado (10), a Estação Palco terá duas montagens. Às 19h, “Alguém acaba de morrer lá fora”, do Chão de Estrelas (Angra dos Reis), mostra um acidente com vítima que suscita uma série de questionamentos sobre a vida; às 21h, vem da Bahia o drama “Prosódia bastiana ou traçados silenciosos de uma fé chorosa”, que tem Matheus Menezes e Sidnaldo Lopes como responsáveis pela direção e interpretação dos personagens, numa obra que trata de temas como a xenofobia na história sem comunicação verbal, construída a partir do gestual da dupla e de efeitos sonoros.

A mesma Estação Palco recebe outras duas peças no domingo (11). A primeira, às 18h, é “Filho pródigo” da Peniel Ministério de Teatro, de Ubá, espetáculo religioso sobre a parábola do filho pródigo; depois, às 20h, o Coletivo de Teatro Experimental Libertas, também de Ubá, encena “Geni”, inspirada na “Ópera do malandro”.

Cenas Curtas em competição

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“Prosódia Bastiana…” aborda a xenofobia em uma história sem falas, contada por meio de gestos e efeitos sonoros (Foto: Divulgação)

A InventaIncena tem prosseguimento entre os dias 15 e 17, no CCBM, quando acontece a Mostra Competitiva de Cenas Curtas, sempre às 18h, seguida por mesas de debates no dia seguinte. O encerramento será no dia 18, no espaço Sala de Giz, onde serão conhecidos os vencedores da Mostra de Cenas Curtas e apresentação do espetáculo “Motriz”. Com direção de Maria Clara Ferrer e apenas Júlia Mota no palco, o monólogo busca um novo tipo de experiência sensorial com o público, sendo encenado totalmente no escuro.

Além dos espetáculo, a Mostra terá uma oficina com Matheus Menezes neste sábado (10), às 10h, na Estação Palco, e o lançamento de dois livros. “17 graus”, de Fabrício Sereno, será lançado também no sábado, às 19h, no Sala de Giz, com uma palestra do autor. Já “Entre memórias, ilusões e fábulas”, de Adryana Ryal, sobre a trajetória da Cia. Teatrando, será lançado no dia 18, no evento de encerramento.

II Mostra InventaIncena
De 8 a 18 de novembro, em vários pontos da cidade.

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