Ingoma destaca identidade afro-mineira e tradição dos congados no carnaval de Juiz de Fora

Festejo acontece no sábado, a partir das 14h, e se encerra na Praça da Estação


Por Beatriz Bath*

06/02/2026 às 11h00

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Shows do Ingoma são feitos com parceiros de longa data, como Rita Benneditto (Foto: Brenda Marques/ Divulgação)

Celebrando 18 anos de atuação em Juiz de Fora, o Ingoma se consolida como bloco e projeto pautado na identidade afro-mineira. Este ano, as celebrações no carnaval juiz-forano integram o Circuito Zé Kodak (Centro), neste sábado (7), com concentração no Parque Halfeld às 14h e cortejo até a Praça da Estação.

Além de apresentações de composições autorais e releituras, samba, frevos e marchinhas com Roger Resende, Carlos Fernando, Armando Junior e Rodrigo Calichio, toadas tradicionais, DJ, Bloco Pisa Ligeiro, Capivara Endiabrada e Bizarra Bateria, o Ingoma também terá o show com participação Rita Benneditto, parceira de longa data do grupo, para fechar o dia.

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Festejo integra o Circuito Zé Kodak (Foto: Igor Tibirica)

Com expectativa de público entre oito e dez mil pessoas, Lucas Soares, coordenador do Ingoma, explica que o carnaval “é de uma importância imensurável”. E segue: “Momento em que a alegria ganha as ruas, não importa o que esteja acontecendo. Ao mesmo tempo, a alegria é uma das melhores formas de resistência e de não ceder aos tempos obscuros, sejam eles quais forem”.

Lucas ainda destaca que a construção do bloco é coletiva: tanto na programação, desenvolvida com “gente que está sempre próxima e disposta a construir”, quanto na arrecadação de recursos. Esse ano, o Ingoma criou uma vaquinha on-line para obter parte do seu financiamento – a iniciativa é uma forma de fazer o público participar e se sentir pertencente.

A vaquinha ainda está aberta, pois não atingiu a meta. Entretanto, o coordenador explica que foram ousados no valor e colocaram uma quantia que seria o suficiente para cobrir todos os gastos e, com mais alguns dias para receber contribuições, eles esperam que o valor suba ainda mais. “Estamos bem felizes. O valor é bem substancial e já substitui um patrocinador.”

Sobre colocar o bloco na rua, Lucas ainda afirma: “Ser artista independente no Brasil é ser um pouco maluco. A gente se joga.” O coordenador também conta que obter financiamentos independentes é um desafio, uma vez que o poder público não pode – e não deve, em sua opinião – financiar a totalidade do evento. Por isso, iniciativas como a vaquinha se mostram necessárias.

Trabalho de um ano inteiro

O cortejo do Ingoma é desenvolvido ao longo do ano, por meio das oficinas promovidas pelo projeto com um trabalho de ensino musical e difusão cultural das tradições dos congados e moçambiques de Minas Gerais. Segundo Lucas, a principal atividade do projeto é a participação em encontros de congadas e em festas tradicionais. “Ser um grupo artístico e ser convidado por tradicionais significa muito.” Através da permissão dos mestres, o Ingoma consegue ser um elo entre a tradição mineira e Juiz de Fora, reverberando composições autorais e releituras. “O Ingoma é particular, carrega a identidade todos os dias do ano.”

Confira a programação de carnaval no fim de semana

Sexta-feira (6)

16h – Bloco da Alô, na Praça Tarcísio Delgado (Ex-PAC – Centro).
16h – Maracabloco, na Praça da Estação (Centro).
16h – Bloco da Culture JF, no Circuito Júlio Guedes (Centro), com concentração no Viaduto Roza Cabinda e cortejo até a Praça da Estação.
17h – Bloco do Servidor, no Circuito Zé Kodak (Centro), com concentração no Parque Halfeld e cortejo até a Praça da Estação.
18h – Bloco Irmãos Metralha, no Circuito Zé Kodak (Centro).

Sábado (7)

10h – Tributo da AESBLOC, na Praça João Pessoa (em frente ao Cine-Theatro Central).
10h – Bloco Bem Bolado, na Praça Tarcísio Delgado (Ex-PAC – Centro).
11h – Só Love, na Rua Dom Viçoso (Alto dos Passos).
12h – Bloco do Mestre, na Praça Menelick de Carvalho (Santa Helena).
14h – Capivara Endiabrada, no Parque Halfeld (Centro).
14h – Se Fiz Não Lembro, na Avenida Sete de Setembro, 1574 (Centro).
15h – Meu Concreto Tá Armado, na Praça São Mateus.
16h – Makoombloco, na Praça Clodesmidt Riani (Centro).
16h – Bloco do Valle, na Praça Tarcísio Delgado (Ex-PAC – Centro).
16h – Bloco do Ingoma, no Circuito Zé Kodak (Centro), com concentração no Parque Halfeld e cortejo até a Praça da Estação.
16h – Resenha Bar, na Rua Prof. Valquirio Seixas de Faria (Esplanada).
16h – Bloco Ninguém Vai, na Rua Afonso Barra (Araújo).
16h – E o Puf Puf? Nada!, na Rua Deputado Arlindo Leite (Progresso).
17h – Bloco do Santo, na Praça Menelick de Carvalho (Santa Helena).

Domingo (8)

10h – Blocão do Totó JF, na Praça do Bom Pastor.
10h – Bloco da Helô, na Praça Menelick de Carvalho (Santa Helena).
11h – Os Parças, na Rua Couto e Silva (Mundo Novo).
12h – Bloco do Ben, na Rua Luiz de Camões (São Mateus).
12h – Carná Castelo, na Rua Branca Mascarenhas (Monte Castelo).
13h – Parangolé Valvulado, no Circuito Júlio Guedes (Centro), com concentração no Viaduto Roza Cabinda e cortejo até a Praça da Estação.
14h – Bazuka, na Praça Agassis (Manoel Honório).
16h – Resenha Bar, na Rua Prof. Valquirio Seixas de Faria (Esplanada).
16h – Xota Éfe, na Praça da Estação (Centro).
16h – Bloco Progresso Folia, na Rua Deputado Arlindo Leite (Progresso).
16h – Bloco na Melhor Hora, na Rua Olívia Moreira (Bela Aurora).
16h – Bloco Santa Luzia Folia, na Praça de Santa Luzia.
16h – Bloco Balança Mas Não Cai, na Rua Padre Acácio Duarte (Jardim Esperança).

*Estagiária sob supervisão da editora Cecília Itaborahy

Tópicos: carnaval 2026

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