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‘Tudo que vivo me inspira’


Por JÚLIA PESSÔA

05/10/2013 às 07h00

Se você já se flagrou cantarolando, ainda que sem querer, os versos "uísque ou água de coco, pra mim tanto faz", "cada vez eu quero maaaaaais", ou ainda uma série de repetidos "alto, em cima", certamente conhece o atual fenômeno pop brasileiro: Ronaldo Jorge da Silva, ou melhor, Naldo Benny. Com ares de um Chris Brown ou um Kanye West brasileiro, o cantor encerra a noite de shows da Expo Feira, subindo ao palco após a apresentação da dupla sertaneja dos irmãos Victor & Leo.

Famoso hoje por performances cheias de tecnologia e pirotecnia, o menino Ronaldo, que aos 9 anos trabalhava como engraxate, deu os primeiros passos na música cantando em uma igreja. A incursão no funk melody, que permeia muito de seu trabalho até hoje, começou em 2005, quando fez uma dupla de MCs com o irmão Lula, assassinado em 2008. Já em carreira solo, o sucesso veio com a gravação de "Meu corpo quer você", com a cantora Preta Gil. Daí para frente, a ascensão foi contínua, e Naldo emplacou diversos hits, como "Amor de chocolate" (a da água de coco), "Chantilly" e "Se joga", gravada com o rapper americano Fat Joe, todas presenças certas no repertório de hoje. Atualmente, o cantor se prepara para mais voos no mercado internacional, com o lançamento de um CD em espanhol e um DVD no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa.

Na noite de hoje, provavelmente os fãs juiz-foranos poderão conferir, além dos hits, a nova música de trabalho de Naldo, "Caipifruta", que traz em seus versos a mistura que consagrou o artista: bebida, sensualidade e um refrão-chiclete. No caso desta letra: champagne, lingerie e "mão pra cima". Em entrevista à Tribuna, o cantor fala sobre seu processo criativo e seus projetos atuais.

 

Tribuna – Em seus trabalhos, você passa pelo funk melody, o hip-hop, o dance pop e outros gêneros. Como trabalha todas estas vertentes no seu processo criativo?

Naldo – Meu som é uma mistura de quase tudo isso, sem rótulos. Quando acham que eu sou do funk, eu faço pop. Quando tenho vontade, faço hip-hop. Tenho meu próprio estilo (risos).

 

– Em seu site, você diz não trabalhar com "proibidões" (funks com conteúdo sexual explícito e/ou palavrões, e menção a drogas). O que você acha deste tipo de funk e por que prefere não seguir esta linha?

– Eu respeito todo mundo que faz música e vive dela. Mas a minha sonoridade é mais eletrônica. A minha onda tem a ver com o hip-house, hip-hop. Comecei no funk melody e me inspiro muito no que rola lá fora, até essa tendência de os artistas de hip-hop se tornarem mais pop. Outros artistas podem até ter mais dificuldade, mas eu acabei me identificando com tudo isso.

 

– Suas músicas são sempre em clima de festa. O que inspira suas letras e o que você pretende transmitir com elas?

– Como a música está presente para mim o tempo todo, tudo o que vivo me inspira para compor: uma conversa com os amigos, uma notícia de jornal, minha mulher, o amor que tenho pela vida e pelas pessoas.

 

– Você já gravou e esteve com importantes artistas do cenário mundial. Acredita que isso é uma possibilidade de carreira internacional?

– O sonho de levar minha música para o mundo é uma realidade. Já gravei com Timbaland e Fat Joe. Tenho uma relação de amizade hoje com vários artistas da black music e me sinto muito à vontade lá, todos curtem muito o que eu faço. Estou fazendo parcerias e em breve terei novidades. Ainda esse ano, lanço um CD em espanhol para o mercado latino, e o meu DVD "Benny" sairá em novembro simultaneamente no Brasil, Estados Unidos e Europa – onde as minhas músicas tocam demais nas boates.

 

– Como é voltar a Juiz de Fora?

– Eu amo cantar nessa cidade! É muita energia boa, e podem se preparar que vou incendiar tudo aí!

 

NALDO

Hoje, a partir das 21h

 

Parque de Exposições

(Avenida Juscelino Kubitschek 2.400)