Mergulhando em sensações
A inusitada trajetória de um viajante que se depara com a cidade Suagh’Leng’hor, cujos habitantes não vêem seus próprios rostos, não como uma proibição, mas sim por um desejo voluntário, e uma diferente forma de viver é contada no espetáculo, que leva o nome da cidade, em cartaz no Diversão & Arte (Rua Halfeld 1.322 – Centro). A peça é encenada pela Advance Cia. de Dança, de quinta a domingo, às 20h30, até o dia 14 de agosto. A pré-estreia foi ontem para convidados. E
O autor do texto, o professor da Unicamp Milton José de Almeida, veio à Juiz de Fora exclusivamente para acompanhar a apresentação e, em entrevista à Tribuna antes do espetáculo, relatou a expectativa para ver sua obra adaptada para os palcos da dança. Esta é a primeira vez que o texto de Milton, escrito em 1987, é encenado. E justamente esse ineditismo é o grande motivo da ansiedade para o autor. Não tenho ideia do que vai resultar essa adaptação. O bom do texto é que ele pode ser visto de várias formas. Desta vez, vai ser através da dança.
Em cena, os bailarinos que representam os habitantes apenas se comunicam pelas sensações transmitidas pelo outro a partir de cores, cheiros, dança e sons. Dentro desse universo de sentidos, desenvolve-se um grande romance entre o viajante, que deseja conhecer os hábitos de Suagh’Leng’hor, e uma das habitantes da cidade. Segundo Milton, a história tem como inspiração personagens que se dispõem a conhecer novas culturas, como o explorador Marco Polo, que ajudou o autor a construir o viajante. É uma história que mistura várias histórias imaginárias. Acontece em um passado não linear, mas carrega o presente em que foi escrito, já que toda obra traz consigo o momento em que se passa dentro do autor. Naquele instante, ele experimenta uma realidade imaginária, a história existe dentro dele, explica.
Além de escritor e professor, Milton dedica seu tempo também à pintura e acredita na pluralidade e na intercessão entre diferentes formas de arte. Quando você pinta, está escrevendo com tinta. E quando escreve, está pintando com palavras. O material que você utiliza é que muda, mas a necessidade de se expressar é a mesma.
Transformando texto em dança
Segundo a coordenadora da companhia, Andrea Ventura, todo o trabalho foi realizado em parceria com os bailarinos. Através de oficinas, eles estudaram o texto de Milton e, a partir de suas impressões, desenvolviam em conjunto a coreografia. No laboratório, cada um propôs sua interpretação do texto em forma de movimento. Isso contribuiu para dar o caráter contemporâneo que buscamos com a apresentação, relata. Ao todo, dez bailarinos participam da apresentação. O espetáculo é encenado com o apoio da Lei Murilo Mendes de Incentivo à Cultura.
SUAGH’LENG’HOR
De 5 a 7 e de 11 a 14 de agosto, às 20h30
Diversão & Arte
(Rua Halfeld 1.322 – Centro)









