Ouça agora

Reforma no Central fica para 2012


Por Raphaela Ramos

04/12/2011 às 07h00

A reforma dos 21 sanitários e sete camarins do Cine-Theatro Central não ficará pronta em 2011. A última previsão, apresentada pelo pró-reitor de Infraestrutura da UFJF, Paschoal Roberto Tonelli, dizia que as intervenções, orçadas em cerca de R$ 350 mil, teriam fim no dia 24 de novembro. De acordo com ele, porém, a empresa Columbia Construções e Empreendimentos Ltda não conseguiu cumprir o cronograma de 90 dias, que conciliava as atividades do teatro. "Houve falhas dos dois lados", pondera Tonelli, destacando que, ao firmar contrato com a universidade, a empreiteira não possuía total conhecimento das condições de trabalho. "A eficiência não é a mesma quando não se pode atuar por dias consecutivos."

Camarins

No momento, o processo permanece estacionado. Somente seis banheiros da parte esquerda foram quebrados, sendo que cinco deles começaram a receber azulejos. Na última terça, a Columbia enviou uma nova sugestão de cronograma, na qual as obras seriam realizadas em 60 dias corridos, em maio e junho. Segundo Tonelli, a proposta foi encaminhada ao procurador geral da UFJF, Denis Franco Silva, e está em análise.

Na opinião do arquiteto Rogério Mascarenhas, responsável pelo projeto, a agenda movimentada do teatro é um fator complicador, mas não o principal. "Trata-se de um edifício histórico, que exige muito cuidado. Além disso, estamos lidando com ladrilho hidráulico, um material artesanal, sem tamanho padronizado. Mesmo assim, o acabamento necessita ser perfeito, o que demanda mais tempo", explica, salientando que esteve no espaço por diversas vezes para verificar a qualidade do trabalho. "Quando não está bom, pedimos para refazer, e a empresa atende." O proprietário da Columbia, Carlos Innocêncio, apresenta as mesmas justificativas para a demora: "além de ser um patrimônio da cidade, o Central acolhe uma série de eventos que não podem ser interrompidos".

 

"Sérgio Lessa" adiado

O pró-reitor de Cultura José Alberto Pinho Neves, entretanto, atesta que o assunto foi discutido em três reuniões, antes do início dos trabalhos, de modo a encontrar uma solução que não prejudicasse as obras nem a programação do Central. Pinho Neves comenta ainda que, "mediante a não conclusão da reforma no prazo estabelecido, o Conselho Diretor, por unanimidade, em reunião do dia 8 de novembro de 2011, resolveu não aceitar qualquer solicitação de reserva até o dia 31 de março de 2012". Os pedidos enviados antes da decisão serão mantidos. Além disso, o pró-reitor adianta que o edital do projeto "Sérgio Lessa" só deve ser aberto no segundo semestre do próximo ano, "caso as obras nos camarins e banheiros estejam concluídas".

De acordo com o pró-reitor de Infraestrutura, Paschoal Tonelli, por conta das características específicas do processo, a Columbia precisou remanejar seus funcionários, que não chegaram a ter seis dias consecutivos de atuação. "Muitos pontos prejudicam o andamento: entrar e sair com o material, limpar os cômodos, recomeçar", enumera. Por outro lado, como contrapõe Tonelli, a empresa tinha ciência do cronograma para os 90 dias. 

Conforme assegura Mário Ferrari, diretor da 13ª Regional do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em São João del Rei, apesar dos transtornos para o público, a extensão da reforma não compromete a conservação do Central, imóvel tombado em 1994. "Se fosse o caso de intervenções no telhado, seria diferente", explica. Ferrari observa ainda que a demora não impossibilita outras intervenções paralelas necessárias, como o ajuste de infiltrações nas marquises. Sobre essa questão, Paschoal Tonelli destaca sua urgência.

Segundo o reitor Henrique Duque, a realidade exige que seja dado um passo de cada vez. "Mantemos constante contato com o Iphan e estamos sempre em busca de recursos." Com relação às dificuldades atuais, Duque ressalta que elas serão passageiras, enquanto os benefícios, duradouros. "Importante é o trabalho ficar bom." Apesar de anunciadas em 2009, as obras só tiveram início em agosto deste ano. "Ficamos aguardando o parecer do Iphan", finaliza Duque.