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A distribuição das obras de autores juiz-foranos, as políticas de cultura e os novos suportes literários são alguns dos assuntos que devem polarizar as discussões amanhã, na terceira semana do projeto "Dois pra lá, dois pra cá", realizado pela Tribuna. Os escritores Iacyr Anderson Freitas e Carolina Barreto e os escritores e professores Fernando Fiorese e Anderson Pires são os convidados da Tribuna para debater a atual produção literária em Juiz de Fora. Excepcionalmente, o encontro acontecerá no Anfiteatro João Carriço, por conta da abertura da programação do Natal na cidade.
As estratégias de circulação da literatura são um dos pontos chave da discussão na opinião do escritor Iacyr Anderson Freitas. Para o poeta, apesar de pródiga em escritores com reconhecimento nacional, Juiz de Fora carece de estratégias para que seus autores sejam mais lidos na cidade. "É necessário pensar um meio de levar essa literatura de uma maneira mais viva até as escolas, divulgar esse patrimônio da cidade", comenta.
"Não adianta produzirmos com continuidade em Juiz de Fora, se essa produção não é lida na cidade", acrescenta Fernando Fiorese. O professor enfatiza, ainda, a necessidade de se discutir políticas culturais mais inclusivas em relação ao que se produz na cidade como um todo. Nesse sentido, é necessário se manter atento não só ao que se produz na região central, como em áreas mais afastadas, que podem ter necessidades específicas para dar continuidade ao trabalho. "Às vezes, é mais necessário investimentos em outro tipo de estrutura que distribuição em recursos diretos."
O critério de inclusão ainda se aplica na relação entre os diferentes segmentos da arte, que demandariam ações em conjunto, uma vez que estão articulados. "Não entendo uma política exclusivamente literária. É necessário pensar em iniciativas globais. Uma determinada arte pode se apresentar sozinha, mas ela está acompanhada de todas as outras", opina Fiorese.
Um dos idealizadores do ECO – Performances Poéticas, Anderson Pires acredita que o êxito do projeto – que completou quatro anos – demonstra a existência de leitores interessados em poesia na cidade. O professor pondera, entretanto, para a predominância de uma plateia especializada nos encontros. "O público da poesia costuma ser formado por poetas. Precisamos discutir a produção de uma literatura que não seja apenas para literatos", opina.
A escritora Carolina Barreto destaca a necessidade de outro tipo de diálogo: entre os veteranos e as novas gerações. "Seria muito proveitoso que houvesse uma integração nesse sentido, sendo possível discutir a escrita do outro. Isso poderia contribuir para que o escritor conhecesse melhor seu próprio processo de criação."









