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Vocação trabalhada dia a dia


Por BRUNO CALIXTO

04/11/2011 às 07h00

A exemplo dos caminhos de tantos profissionais em busca de um lugar ao sol, os músicos também enfrentam uma rotina de audições, ensaios, conflitos e interesses pessoais para conquistar seu espaço. No documentário Prova de artista (produzido pela Coevos Filmes com distribuição da Formosa Filmes), que estreia hoje, o diretor José Joffily acompanha alguns jovens representantes do meio artístico musical, registrando a rotina de cinco integrantes das principais orquestras sinfônicas do país. Nos primeiros momentos, conhecemos estes personagens para, após 15 minutos, nos envolvermos com suas histórias, resume o diretor, sobre sua escolha, pela internet, por histórias tão diferentes quanto a currículo e tão semelhantes quanto a muitos anos de preparo e um único momento de decisão.

O violinista americano Byron Hitchcock, músico da Filarmônica de Minas Gerais, tenta uma vaga na Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp), mas acaba no Rio, na Orquestra Sinfônica Brasileira. Catherine Carignan, fagotista da orquestra mineira, se inscreve na prova da Osesp, mas sua vida tomará outros rumos. Ricardo Barbosa, oboísta do interior de São Paulo, tenta passar da Academia da Osesp para um posto profissional na orquestra. Rodrigo de Oliveira, violinista de São José dos Campos, resolve tentar a sorte em Minas, assim como o violista carioca Rodney Silveira, músico da Sinfônica Brasileira Jovem.

Através dessa aproximação, o filme revela também as relações que se estabelecem nesse ambiente de trabalho, entre solistas, maestro e orquestra. Isso é o legal do documentário. Ir aprendendo junto, semana a semana, de acordo com o andamento da história de cada um, pontua. Todo músico tem o dilema de tocar de acordo com o que o maestro determina ou ser singular, partir para uma carreira como solista ou continuar músico de orquestra, pois, assim como em qualquer manifestação artística, a música tem a dialética da reflexão, enfatiza Joffily, antes de explicar sobre o desfecho que, conforme tudo na vida real, pode ser (ou não) de sucesso. O sujeito fica ensaiando loucamente e na hora da audição se torna um número, podendo ser aceito ou rejeitado. É como um golpe.

Fruto do desdobramento de dois documentários realizados anteriormente pelo mesmo diretor – O chamado de Deus (2002) e Vocação do poder (2006) -, o filme estreou recentemente na mostra Première Brasil do Festival do Rio, quando foi exibido – hors concours -, no último dia 8 de outubro.

José Joffily afirma que, nos personagens do filme, revela-se, além do amor absoluto pela música, a batalha pela estabilidade financeira e a dificuldade em obtê-la através do ofício que escolheram. O filme tem contradições. Ricardo (Barbosa), por exemplo, acha que o ‘cara’ (músico) tem que ter noção da sonoridade executada pela orquestra, enquanto Byron (Hitchcock) acredita na singularidade, diz. Como em geral são de origens modestas, os músicos colocam na carreira uma grande expectativa.

De fato, comecei com aquela audição inicial em que o menino é convidado a fazer estágio probatório na Filarmônica de Minas, mas me surpreendi com aquela dramaturgia mais pura em sua essência, tanto é que tomamos a decisão de transformar o contexto da audição no mote principal, complementa Joffily, que, durante os 84 minutos do projeto, acompanha, não só os personagens, mas a vocação que impulsiona casa um. Isso tudo apesar de ele não manter ligação com o tema. Foi tudo resultado de minha curiosidade, finaliza.

Documentário, Brasil, 2011, 84 min. Direção: José Joffily.

O dia a dia de cinco jovens músicos em suas audições, seus estudos e ensaios, incluindo conflitos, paixões e disciplina. Alameda 3: 18h. Classificação: livre.

Os pinguins estão de volta

‘Happy feet 2’ estreia, prometendo reproduzir todo o sucesso da primeira parte, que foi lançada em 2006 e conquistou Oscar de melhor animação. A continuação, que já está na lista de pré-indicados ao Oscar 2012, é dirigida por George Miller e traz Mano (Daniel de Oliveira, na versão brasileira, e Elijah Wood, na original) mais velho e agora com filhos. Cabe a ele ensinar sapateado para o seu filho Erik (Yago Machado), já que seu canto não é lá essas coisas. Mas o pequenino não leva muito jeito e passa a ser motivo de piada, o que faz com que ele tenha raiva de sapatear. Com esse mote, o filme toca na questão do bullying.

O assunto é tratado de maneira leve, tamanha a habilidade do premiado roteirista. Para completar, a produção ainda conta com Sidney Magal dublando o engraçadíssimo Amoroso, um pinguim que, acreditem, é capaz de voar.

Alameda 4 (dub): 14h10, 16h20, 18h30 e 21h. Santa Cruz 1 (dub): 14h (somente amanhã e domingo). Santa Cruz 2 (dub): 16h, 18h30 e 20h45. UCI 2 (3D/dub): 12h15 (somente amanhã e domingo), 14h30, 16h45, 19h e 21h25. Hoje e amanhã, sessão também às 23h40

Classificação: livre

Malabarismo feminino

Sim, Sarah Jéssica Parker está de volta. Mas calma, não se trata de Carrie Shaw (Sexy and the city). Não sei como ela consegue estreia hoje e traz uma Sarah diferente, apesar de ainda ser uma mulher com uma carreira de sucesso no disputado e ultra masculino mercado americano. Nesta produção, ela não passa por uma crise para conseguir um marido, ao contrário, ela interpreta Kate, uma mulher que tenta sobreviver aos filhos, ao mercado financeiro, ambiente que ela domina como ninguém, e ao marido, esmagado pelo sucesso e contra-cheque, visivelmente maiores, da esposa.

Ao conseguir um posto importante em uma empresa, a família se muda para outra cidade, e Kate se vê entre ser uma perfeita mãe de família ou atingir o ápice de sua carreia. Incapacitada de abrir mão, ela escolhe os dois e passa a fazer malabarismo para harmonizar tantas funções e pressões.

O longa, adaptação do best-seller americano homônimo, é dirigido por Douglas McGrath. Além de Sarah, o filme conta com Pierce Brosnan (007), outro ator marcado por fazer personagem tão popular.

UCI 4: meio-dia (somente amanhã e domingo), 14h, 16h, 18h, 20h e 22h. Hoje e amanhã, sessão também à meia-noite

Classificação: livre