Leticia Malvares mistura flamenco e música brasileira em show em Juiz de Fora
Flautista radicada na Espanha se apresenta nesta quinta-feira (06), às 20h
Com uma trajetória artística construída entre o Brasil e o universo flamenco, Leticia Malvares, flautista especializada em música instrumental e que já levou suas composições para diversos países, se apresenta nesta quinta-feira (6) no Mercado Cultural AICE, às 20h. Em seu repertório, estão composições próprias, de seu parceiro musical Luciano Camara e de compositores que são referência na sua trajetória.

Leticia começou na música quando tinha por volta dos 18 anos e, desde então, nunca mais parou. Sua primeira casa musical foi a Itiberê Orquestra Família (IOF) e, em seguida, a Escola de Música Villa Lobos, no Rio de Janeiro, espaço que ela define como fundamental para chegar onde está nos dias atuais.
“Justo nessa época, o Itiberê Zwarg, baixista do Hermeto, tinha acabado de fazer uma oficina sobre a nossa amada música universal na escola, e eu conheci um monte de gente da minha idade que fez essa oficina e estava vidrado nessa linguagem.” Entre os corredores da escola e o Café do Villa, Leticia foi descobrindo um novo mundo.
Em meio a isso tudo, após uma festa na casa do baixista, Leticia sonhou que tocava flauta. A partir daí, ela e o instrumento não se desgrudaram mais. Ela obteve seu bacharelado em flauta na Unirio, cumpriu o repertório flautístico de música europeia de concerto e seguiu na IOF por 10 anos, onde aprendeu tudo o que define como sua essência.
‘Tudo se concilia’
Outro ponto de virada para a artista foi o flamenco, ritmo que começou a tocar em 2006 e a guiou para a Espanha, onde vive desde 2015. “Hoje em dia tenho o meu trabalho autoral que inevitavelmente tem os universos misturados. Sou do choro, da música universal, do forró, das bulerías, dos tanguillos e o que mais tiver, e tudo se concilia assim, misturadinho mesmo”, explica.
A flautista participa de diversos projetos musicais em Madrid, como o Los Choros de Madrid, uma roda de choro mensal, e faz diversas participações, tocando em tablados e galas flamencas. Em sua vida de artista, ela toca, escreve arranjos, idealiza projetos – e recebe vários nãos -, produz, grava e leciona.
“Do flamenco eu importo uma coragem pra tocar, uma certeza mesmo quando a gente não tem tanta certeza assim, isso eu aprendi lá. Daqui para lá eu levo o jeito amoroso que a gente faz o nosso trabalho”, afirma, ao comentar as identidades dos lugares aos quais sente que pertence.
Para ela, não há diferença se é um boteco ou um teatro lotado: todas as suas apresentações são feitas com o mesmo nível de energia e empenho, que podem ser esperadas também na apresentação desta quinta-feira em Juiz de Fora.
Um movimento não organizado, mas muito harmônico
Leticia, que já passeou por diversos pontos do globo, chegou a Juiz de Fora por um misto de curiosidade e afeto: ela se define como uma consumidora voraz da música que é produzida em Minas Gerais e possui muitos amigos que são músicos na região.
Para sua apresentação, ela traz seu parceiro musical, Luciano Camara, e a bailaora Tatiana Bittencourt. “Nós três já fizemos muitas coisas juntos, formamos a Cia de Arte Flamenca, uma companhia que durou uns bons anos, e já tivemos muitas horas de ensaios juntos, o que faz com que tudo soe muito natural, uma conversa entre amigos, que além de tudo, é uma realidade: uma amizade de pelo menos 20 anos em cena”, define Leticia.
Leticia e Luciano compõem juntos desde a época de IOF e foi por influência dele que ela acabou indo para o flamenco. Por isso, a dinâmica entre os dois artistas, unidos por muito tempo de amizade, é fluida e ambos dividem linguagens e maneiras de se fazer música. “Quando eu escrevo alguma coisa, me dou conta que estou pensando no jeito dele de tocar, na mão direita dele, nas montagens de acorde que ele costuma fazer.”
Outro ponto interessante de sua apresentação é a presença de Tatiana no palco. O baile é um elemento que faz parte das composições de Leticia e as palmas no flamenco são uma parte importante, tornando a bailaora uma percussionista virtuosa.
Sobre as músicas selecionadas para a apresentação, estão desde composições para o baile até encontro entre os jaleos flamencos e o maracatu. Além, claro, de homenagens a artistas como Chick Corea, Paco de Lucía e Hermeto Pascoal, e composições próprias de Leticia.
“Faço parte de um movimento não organizado, mas muito potente e muito presente, de mulheres brasileiras que temos projetos autorais, botamos nossas composições e nosso jeito de fazer música no mundo”, explica. A artista cita Carol Panesi, Aline Gonçalves, Mariana Zwarg, Nara Pinheiro, Adriana Losi, Maria Clara Valle e um mar infinito de etcéteras, além de Lea Freire e Jorge Pardo, referências flautísticas.
Leticia já foi reconhecida como semifinalista do Prêmio Toca! (Brasil) com a música “Malemolente”; do Prêmio Profissionais da Música (Brasil) nas categorias de Arranjadora e Instrumentista e Popular Feminina; além de vencedora do Prêmio Ibermúsicas 2022 com “Suíte imigrante”, EP disponível nas plataformas digitais.
Serviço
Quinta musical – Leticia Malvares
Mercado Cultural AICE (Avenida Getúlio Vargas, 200 – Centro)
Quinta-feira (6), às 20h
Entrada franca
*Estagiária sob a supervisão da editora Cecilia Itaborahy









