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O gênio por seus súditos


Por BRUNO CALIXTO

04/08/2011 às 07h00

Não é só pelo título de primeiro maestro-arranjador contratado por uma gravadora no Brasil que Pixinguinha se tornou o pai da música brasileira. Flautista virtuoso e um compositor genial, o músico criou o que hoje são as bases da canção genuinamente nacional, mesclando o que de melhor havia herdado por aqui, como Ernesto Nazareth , Chiquinha Gonzaga e os primeiros choros, que vinham acompanhados por ritmos africanos, europeus e norte-americanos. Hoje, esta mistura será revivida na Praça da Estação, reduto que, se revitalizado, poderia ser o centro da atenção boêmia da cidade.

Um dos contemplados pela Lei Murilo Mendes de Incentivo à Cultura, o Clube do Choro é quem assina a apresentação intitulada "Grandes flautistas". Terceiro de uma série de oito shows previstos em projeto temático, o encontro, marcado para acontecer no restaurante do Hotel Renascença, lança mão de importantes flautistas, além de Pixinguinha, como Benedito Lacerda, Altamiro Carrinho e o juiz-forano Kim Ribeiro.

Produtor executivo da proposta e integrante do Clube do Choro, Márcio Gomes (pandeiro) afirma que o principal objetivo é divulgar o gênero, além de valorizar músicos locais e dar visibilidade à obra de artistas consagrados. "O Clube, há 14 anos, vem cumprido o seu papel que é o de divulgar o gênero na cidade e estimular novos compositores e instrumentistas. Não diria que cabe aos seus integrantes a única manifestação local, mas com certeza é a principal e quase preponderante, inclusive com reconhecimento em outras cidades e até mesmo em outros estados", comenta.

O Clube do Choro conta também com Cazé (bandolim e violinha), Fernando César (violão de sete cordas e cavaquinho base), Cezar Ferreira (violão de sete cordas e cavaquinho solo), Fabrício Nogueira (cavaquinho base e cavaquinho solo), Júnior (violão de sete cordas), Wellington (violão de sete cordas), Denise (violão de seis cordas), Mário Tarcitano (sax), Daniel Manganelli (pandeiro), Caetano Brasil (clarinete), Felipe Madruga (violão), Silvana (flauta), Décio Terror (trombone) e Toinho Gomes (cavaquinho).

Com a intenção de valorizar o centro histórico local, o repertório traz Pixinguinha em choros ("Lamentos", "Um a zero", "Vou vivendo", "Naquele tempo", "Minha gente", "Cochichando", "Sofres porque queres", "Ainda me recordo", "Ingênuo" e "Cinco companheiros"), valsa ("Rosa") e polca ("O gato e o canário" e "Segura ele"). De Altamiro Carrinho, tem "Enigmático" e "Os carioquinhas no choro", enquanto que Benedito Lacerda será representado por "Seresteiro", e Kim Ribeiro por "Traça-coco". As próximas edições do projeto (sempre nas primeiras quintas do mês), segundo Gomes, serão, na sequência: "Os pianeiros", "Um cavaquinho no choro", "No tempo de Chiquinha Gonzaga", "Saxofone, por que choras?" e "Chorões juiz-foranos".

Novos talentos

"No que diz respeito ao samba, destaco Toinho Gomes, Roger Resende, Carlos Fernando, Dudu Costa, Kadu Mauad entre os novos talentos", elenca o pesquisador musical e percussionista Márcio Gomes. "O primeiro Concurso de Marchinhas Carnavalescas foi uma iniciativa importante, e espero que tenhamos o segundo em 2012. Quanto ao choro, tenho conhecimento de inúmeras obras de Toinho Gomes, Cazé e Caetano Brasil", exemplifica.

Hoje, o rock e a MPB encontram mais espaços nas casas noturnas, deixando até algum espaço para o samba. "A música cantada estabelece uma comunicação imediata com o público e permite uma participação maior do ouvinte. Por sua vez, a música instrumental, como o choro, o jazz ou a música erudita, é um gênero que exige maior atenção porque sua mensagem não se dá pela letra, mas por frases melódicas", observa o músico, sobre o fato de o choro em Juiz de Fora ainda sofrer preconceito. "Eu frequento bastante o meio musical do Rio e percebo um quadro completamente diferente, em que os músicos transitam com igual desenvoltura pelas diversas linguagens instrumentais", diz.

Com relação ao poder público, Márcio aposta no incentivo para popularizar o gênero. "No último Corredor Cultural, a Funalfa trouxe um grupo de choro de Belo Horizonte para se apresentar e não convidou nenhum grupo local. A apresentação dos dois grupos no mesmo evento seria não só uma forma de interação dos músicos locais com os músicos de fora mas também de enriquecer o espetáculo", lamenta o pesquisador, sem se dispersar de outro real motivo do projeto, que é retornar à Praça da Estação como súdito dos gênios que arquitetaram a canção verde e amarela.

 

CLUBE DO CHORO

Hoje, às 20h

Hotel Renascença (Praça da Estação)