Sons de outros tempos
"A cada ano, é mais difícil superar a edição anterior, manter a qualidade sempre crescente." Com expectativas e responsabilidades em constante elevação, o diretor do Pró-Música, Júlio César Santos, fala sobre a realização do 24º Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga, referência máxima no país e reconhecido entre os mais importantes do mundo. Parceria do Pró-Música com a UFJF, o evento tem inscrições abertas e deve receber cerca de 700 músicos de todo o Brasil, que poderão participar de 37 cursos de instrumentos antigos e modernos, ministrados por 48 professores brasileiros e estrangeiros.
De 14 a 28 de julho, a cidade será palco de mais de 30 concertos vespertinos e noturnos, todos gratuitos, em teatros, igrejas e ao ar livre. O evento reúne atrações do calibre da Orquestra Sinfônica Heliópolis (concerto de abertura), Camerata Antiqua de Curitiba, os catarinenses do Anima, o quarteto de violões Quaternaglia, a Camerata Fukuda, Orquestra Sinfônica de Barra Mansa e Orquestra Filarmônica de Minas Gerais (concerto de encerramento).
Sempre entre os pontos altos, a Orquestra Barroca do Festival, dirigida por Luís Otávio Santos, fará mais um registro em CD da música barroca e colonial interpretada por músicos que se encontram durante o evento. Luis Otávio Santos também fará recital solo.
Além de muitos se apresentarem durante o festival, os inscritos também poderão participar de aulas de traverso, viola da gamba, violino, violoncelo, cravo, canto e dança barroca, além de instrumentos modernos, como percussão. "Haverá um levantamento da percussão desde a Idade Média até os tempos atuais, com uma perspectiva histórica, e ainda um concerto, inédito no festival", adianta Júlio César Santos.
Outro destaque vai para as oficinas de prática de orquestra brasileira histórica e transcrição e edição de documentos antigos. Para as crianças, há atividades de formação, como a de prática de orquestras. Master class internacional de música antiga e palestras, ministradas pelos professores Rodolfo Valverde, Luis Otávio Santos, Viviane Alves Kubo e James Hall, completam a oferta pedagógica.
Como em outras edições, os professores da rede estadual terão acesso a cursos de didática da musicalização. "Desde que a musicalização entrou para a grade curricular, oferecemos esta atividade, que é uma forma de ajudar a capacitar o corpo docente das escolas", explica Júlio.
Pensando no público, cada concerto será precedido por comentários didáticos de Rodolfo Valverde. "Todo o festival é voltado para a continuidade da música antiga, por isso investimos muito nos futuros grandes nomes do gênero e também no público. O fato de as pessoas continuarem voltando, para tocar e assistir, é a prova máxima do êxito da proposta."
Ecoando pelos continentes
Uma das novidades deste ano é a ampliação da internacionalização do festival na formação de instrumentos tradicionais, com a participação de oito músicos dos Estados Unidos para ministrar aulas (cinco deles também farão apresentações), além da presença do renomado traversista francês Marc Hantai, que estará nas salas de aula e também fará concerto.
Para Júlio, este é um claro reflexo da incorporação do Pró-Música pela UFJF. "Já tínhamos um elo bem fortalecido com a Europa. Com a incorporação, pudemos almejar outros países, e o resultado está começando a aparecer."
Além da projeção fora do país, o pró-reitor de Cultura da UFJF Gerson Guedes acredita que a instituição pode contribuir para o alcance da iniciativa também em âmbito local. "O papel da UFJF é contribuir estruturalmente, seja oferecendo mais espaços para os eventos ou custeando parte das atrações ou fazendo com que pessoas que nunca tiveram acesso a um festival desse porte estejam presentes." Segundo Gerson, a ideia é ampliar a participação de escolas públicas não apenas de Juiz de Fora, mas também da região. "E a UFJF dispõe de todo aparato logístico para permitir que isto aconteça", completa.
Buscando a integração entre linguagens, o festival também promoverá exposições de arte e outras iniciativas artísticas. "Neste ponto, a UFJF tem um papel decisivo, já que possui um instituto completamente voltado para a arte", pondera Júlio César, referindo-se ao IAD (Instituro de Artes e Design). "Hoje as linguagens estão muito integradas, as manifestações artísticas nunca aparecem solitárias. Um evento como esse desperta possibilidades que extrapolam a música, como expressões corporais e as artes plásticas, por exemplo", acrescenta Gerson. A UFJF também será palco do festival, recebendo atrações em espaços como a concha acústica e o Museu de Arte Murilo Mendes. "Como estaremos repondo, em julho, as aulas perdidas devido à greve do ano passado, esta será a primeira vez que o público universitário participará em massa do evento", destaca Gerson.









