Traços distintos
Desenhos, fotografias, pinturas. Técnicas diversas que delineiam os traços das exposições que serão inauguradas hoje e amanhã em diferentes galerias de arte de Juiz de Fora. Resgatando a história da primeira rodovia macadamizada do Brasil, construída pelo engenheiro Mariano Procópio Ferreira Lage e inaugurada pelo imperador D. Pedro II em 1861, a exposição União e Indústria: uma estrada para o futuro será inaugurada no Espaço Cultural Correios de Juiz de Fora nesta quinta.
A mostra tem curadoria de Pedro Vasquez, pesquisador e estudioso dos registros fotográficos realizados durante o período imperial, e reúne uma rica coleção de objetos. Além de 22 fotografias de um dos mestres do século XIX, Revert Henry Klumb, pertencentes ao acervo do Museu Mariano Procópio, são expostas três litografias e uma seleção de obras entre documentos, publicações e objetos, que possibilitam ao visitante compreender a trajetória da rodovia e dos pioneiros empreendedores da região.
Formas pessoais de olhar o espaço permeiam o universo da produção do artista plástico e professor do CES, Petrillo, que assina a exposição Obras recentes, em cartaz a partir de amanhã na Hiato – Ambiente de Arte. A mostra reúne cerca de 40 obras inéditas do artista – colagens, impressões, desenhos em papel e acrílico- que, apesar do forte vínculo com a pintura, vê o desenho como o protagonista deste momento de seu trabalho.
Primeiramente, desenhava lugares que não existiam, mas acabei me apropriando dos levantamentos topográficos da cidade para criar esta série, conta Petrillo. As formas topográficas, impressas em transparências, ganharam novos traços, nuances e até texturas, já que o relevo é representado por dobraduras. O domínio do desenho me permitiu prospectar novas cartografias, territórios desconhecidos e, por isso, extremamente reveladores, diz.
No desdobramento da última exposição, Imaterial, o artista descobriu a invisibilidade, trabalhando com materiais de grande transparência e sensíveis a toques. Criadas entre 2010 e 2013, as obras exploram mais que dobras geográficas, fazem referência a espaços sensíveis do artista e de quem as enxerga.
Petrillo expôs, em janeiro e fevereiro deste ano, a mostra de pinturas Improvável em Salvador. Tal exposição seguirá ainda para o Museu Nacional do Correios, em Brasília, com abertura marcada para o dia 10 deste mês.
Arte espontânea
Desenhos expressionistas em preto e branco, de Wanderley Oliveira, será aberta nesta quinta na Galeria Arlindo Daibert, do Centro Cultural Bernardo Mascarenhas (CCBM). As obras ganharam forma a partir de um hábito cultivado ao longo dos anos: desenhos rabiscados com caneta-tinteiro em toalhas e guardanapos de papel, em mesas de bar, agilmente, e que desafiam a nossa imaginação e despertam a curiosidade em decifrar traços e composições, segundo a artista plástica e presidente da Academia de Letras da Manchester Mineira, Maria Helena de Oliveira.
Nos últimos 13 anos, Wanderley, que também é escritor e presidente da Associação de Cultura Luso-brasileira de Juiz de Fora, acredita ter esboçado mais de dez mil desenhos. Esse trabalho começou em 1974. Muitos desses desenhos eu guardei, enquanto outros dei de presente a quem pedia ou foram ainda descartados nos bares e restaurantes, conta . Seus riscos em preto-e-branco, soltos ou em conjuntos, conseguem transformar algo aparentemente simples em uma sofisticada forma de expressão, acrescenta o pesquisador e diretor do Museu do Crédito Real, Roberto Dilly.
Também no CCBM, a Galeria Celina Bracher recebe, na sexta, a mostra Bailarinas, composta por fotografias de Adriana Stehling e pinturas de Wesley Aragão. Esta é a segunda vez que os artistas expõem juntos. A partir do nosso contato diário, vão surgindo ideias como essa de trabalharmos com o universo da dança, proposta pelo Wesley, conta Adriana. Ainda que retratando o mesmo tema, a artista destaca a distinção das peças, já que os olhares sobre o objeto explorado são tão diversos. Outra diferença está relacionada à própria execução das obras. Enquanto a pintura é uma atividade mais solitária, na qual muitas vezes o pintor se fecha em seu ateliê, a fotografia trabalha com um conjuntos, entre artistas e modelos, completa. Quarenta e cinco fotografias e 32 pinturas dividirão o espaço.
Já a Galeria Narcise Szymanowsky abriga a exposição Cores da natureza. Compõem a mostra 58 fotos clicadas pelos integrantes do Clube de Fotógrafos Amantes da Natureza, presidido por Milo Sabião. As imagens compreendem flagrantes de várias partes do mundo, como o espetáculo da floração das sakurás, no Japão.
A natureza também é mote de Colcha de retalhos, exposição de Adriana Schubert e Vanêza Lara, em cartaz a partir desta quinta na Casa de Cultura da UFJF. As 25 peças de Adriana são produzidas a partir de materiais descartados da natureza, como pedras, sementes e fibras, incorporados às telas e às molduras. O resultado é um trabalho bem rústico, diz a artista e professora de português e literatura, que expõe suas obras, produzidas ao longo de quatro anos, pela primeira vez. Já Vanêza, artista plástica e professora de artes, representa paisagens e elementos naturais por meio de 11 aquarelas.
UNIÃO E INDÚSTRIA: UMA ESTRADA PARA O FUTURO
Abertura hoje, às 20h. De segunda a sexta, das 10h às 18h, sábados, das 10h às 14h
Espaço Cultural Correios
(Rua Marechal Deodoro 470- Centro)
OBRAS RECENTES
Abertura amanhã, às 20h. De segunda a sexta, das 9h ao meio-dia e das 14h às 18h, sábados de 9h às 13h
Hiato – Ambiente de Arte
(Rua Coronel de Barros 38 – São Mateus).
DESENHOS EXPRESSIONISTAS
CORES DA NATUREZA
Abertura hoje, às 20h
BAILARINAS
Abertura amanhã, às 20h
Visitação de terça a domingo, das 9h às 21h
Centro Cultural Bernardo Mascarenhas
(Av. Getúlio Vargas 200)
COLCHA DE RETALHOS
Abertura hoje, às 20h. De terça a sexta, das 14h às 20h, sábados, das 14h às 18h
Casa de Cultura da UFJF
(Av. Rio Branco 3.372)









