Botando os blocos na rua

Na ativa há mais de sete décadas, Demônios da Garoa participam da abertura do carnaval em Juiz de Fora
Carnaval, no Brasil, é coisa tão séria que ele “começa” antes mesmo de fevereiro chegar, com blocos desfilando, escolas de samba ensaiando e shows rolando pelo país inteiro a fim de esquentar os tamborins. No caso de Juiz de Fora, a folia começa mais cedo – e de forma oficial – nesta quarta-feira, com o início das festividades de Momo. Com o nome “+Carnaval”, o primeiro dia da programação terá abertura às 10h, no Parque Halfeld, com o desfile do bloco Unidos pela Vida. Mais tarde, haverá ainda a apresentação de grupos de afoxé, no Centro, e show dos veteranos dos Demônios da Garoa, na Praça Antônio Carlos.
A folia juiz-forana terá várias atrações até o próximo dia 14, boa parte delas na Praça Antônio Carlos. Na quinta-feira, o cantor Eduardo Dusek se apresenta no local, com os Bacharéis do Samba iniciando os trabalhos. É na Praça Antônio Carlos que também se apresentam o bloco Toca Rauuul (sexta-feira), a cantora Sandra Portella (dia 9) e a bateria da Beija-Flor de Nilópolis (dia 12). O sábado e o domingo terão os desfiles das escolas de samba da cidade. Nas ruas, serão vários blocos para quem tiver disposição, entre eles o Domésticas de Luxo (sábado, no Parque Halfeld), Parangolé Valvulado (domingo, na Praça da Estação) e a Banda Daki (dia 14, com concentração na Avenida dos Andradas). A programação completa pode ser conferida no site www.pjf.mg.gov.br/carnaval.
Mais antigo grupo musical do Brasil em atividade, os Demônios da Garoa foram formados há 73 anos por um grupo de jovens amigos, moradores de São Paulo. Com o sucesso na rádio ainda no início dos anos 40, o conjunto viu crescer sua popularidade poucos anos depois, graças às parcerias com Adoniran Barbosa. Até hoje, o quinteto é lembrado por clássicos como “Trem das onze”, “Samba do Arnesto”, Saudosa maloca”, “Malvina” e “Joga chave”, tornando o conjunto musical um dos ícones do jeito paulista de ser – ainda mais com o “estilo gaiato” tornado clássico pelos Demônios, misturando o forte sotaque italiano da Móoca (bairro paulistano) com o português, erros de concordância propositais e algumas onomatopeias.
Os últimos integrantes originais morreram no ano 2000. A formação atual inclui Sérgio Rosa, Ricardinho (filho e neto de Arnaldo Rosa, um dos fundadores do grupo), Canhotinho, Dedé Paraizo e Izael. O mais recente trabalho do quinteto paulistano é o CD “Um samba diferente”, de 2014.
Antes do show dos Demônios da Garoa, ainda pela manhã, a folia vai desfilar de mãos dadas com a solidariedade. Às 10h, no Parque Halfeld, haverá a concentração para o desfile do bloco Unidos pela Vida, que deve ter início às 11h. Em seu sétimo ano, o principal objetivo do bloco é conscientizar a população para a doação de sangue mesmo durante o período do carnaval: segundo o Hemocentro Regional de Juiz de Fora, a disponibilidade de doadores no Estado de Minas chega a diminuir em 30% no período.
O tema do bloco para 2015 será “Sete anos unidos pela vida”, com samba-enredo composto por Rosani Martins e Cláudia Lanna, funcionárias da instituição, e Zezé do Pandeiro, que vai puxar a música com Rosani. A harmonia do samba ficou por conta de Betinho do Cavaco, e a bateria da Feliz Lembrança vai ajudar a manter o ritmo. Segundo a chefe do Centro de Captação e Cadastro de Doadores de Sangue e Medula Óssea do Hemocentro local, Lidiane Laroca, a expectativa é que entre 200 a 250 pessoas participem do desfile, que terá distribuição de panfletos para conscientizar a população.
De acordo com ela, são necessários cerca de 160 doadores diários para manter os estoques em dia, mas a média é de 90 a 100 pessoas indo ao Hemocentro. “As pessoas pensam que nosso principal objetivo é ajudar as pessoas acidentadas que estavam viajando no período, já que aumenta o número de acidentes, mas não sabem que a quantidade de pessoas que necessitam de transfusão com frequência, por estarem em tratamento, é grande”, alerta, lembrado que a maior necessidade, atualmente, é para o grupo de Rh negativo. Mais que dar sangue pela folia ou sua escola ou bloco favoritos, doar sangue no carnaval pode fazer a alegria de muita gente.
Da passarela para às ruas do centro
Tradicional atração na abertura dos desfiles das escolas de samba de Juiz de Fora, o cortejo dos afoxés Niza Nganga Njungo e Filhos de Oyá, este ano, anima os foliões em novo endereço: Rua Paulo de Frontin, ao lado da Praça da Estação. A festa, que começa às 18h30, segue em direção à Praça Antônio Carlos. “Antes, nossa apresentação era muito cedo, na Passarela do Samba. Com essa mudança, acho que a adesão popular vai aumentar”, torce Maria Enóia, responsável pelo Afoxé Filhos de Oyá.
Os grupos prepararam uma homenagem a Iemanjá, que rege o ano de 2015. Oxossi, representante da fartura, também será reverenciado no hino dos Filhos de Oyá. De acordo com Rosemary Pereira, do Afoxé Niza Nganga Njungo, o objetivo do cortejo é romper preconceitos e reivindicar uma sociedade igualitária. “É uma forma de louvar nossa cultura. Muitas pessoas têm uma percepção errada da religião.”
CORTEJO DOS AFOXÉS NIZA NGANGA NJUNGO E FILHOS DE OYÁ
Nesta quarta-feira, às 18h30, na Rua Paulo de Frontin (ao lado da Praça da Estação)








