Ouça agora

Em dez anos, tudo pode mudar


Por BRUNO CALIXTO

03/09/2011 às 07h00

Um show histórico para os jovens músicos do NX Zero, o registro Multishow ao vivo (Universal e Arsenal Music), gravado em São Paulo em maio, foi ao ar na última semana no canal pago. Em dez anos de carreira, a banda, que já subiu ao palco mais de mil vezes, se deparou com as mudanças ocorridas com cada um dos cinco integrantes ao longo desse tempo. O resultado, segundo o guitarrista Gee Rocha, é amadurecimento. Mudamos muito. No início, eu, por exemplo, ouvia hardcore, e hoje opto também pelo rock tradicional, assim como jazz e outros estilos, ressalta Gee, em entrevista um dia após a exibição do projeto. Estávamos devendo um DVD ao vivo para todo mundo. E tudo rolou de um jeito natural, comenta o guitarrista, sobre os seis meses de preparação para o momento que, de acordo com ele, pareceu o último show de suas vidas.

Para quem acompanha a banda, rotulada como emo no primeiro CD em 2004, desde o seu início independente, conferiu o timing mais profissional entre Gee, Di Ferreiro (vocal), Fi (guitarra), Dani (bateria) e Caco (baixo). A turnê, que começou em seguida à exibição do DVD, chegaria a Juiz de Fora esta sexta, no La Rocca, mas foi cancelada. Segundo a produção, ainda não há outra data prevista.

Entretanto, resta aos fãs daqui conferir na tela a vibração roquística de canções como ‘Só rezo, que contou com a participação do rapper Emicida – de terno e gravata – ativando o big bang do rap e do rock com rima no DVD. Além de mim, Inimigo invisível, Daqui pra frente, Onde estiver e Confidencial também entram na escala.

Todo mundo tem uma melhor parte dentro de si, e esta é a hora de colocar para fora, convocou, durante o show, Di Ferreiro, antes de A melhor parte de mim, com Eric Silver incrementando no violão, e Cedo ou tarde, que ganhou reforço de ninguém menos que o produtor Rick Bonadio no piano. O Rick foi o cara que acreditou na gente. Ele fez a banda tocar no Brasil inteiro, afirmando que iríamos ‘bombar’. Gravou todas as músicas que pediam piano e estava tão nervoso quanto a gente para esse registro, mas estávamos entre amigos, lembra Gee Rocha, citando ainda as canjas de Negra Li e Rappin Hood (O destino), Rincon Sapiência (na inédita Não é normal) e Tulio Dek (Bem ou mal/Além das palavras).

A despeito de qualquer dúvida, o hit Razões e emoções também está no repertório que pretende arrebatar a verve do grupo que, ao que parece, veio para fincar os pés no rock. As letras são todas de Di Ferreiro, e são nossas histórias. Só conseguimos levar para o palco o que vivemos, e isso acaba influenciando na arte do compositor, arremata Rocha.

8 a 80

Enquanto que algumas bandas levam anos para conquistar o seu lugar ao sol, o NX Zero, em menos tempo, tomou o coração de adolescentes e adultos, que parecem ter aprendido o sentimento passado pelas letras cujos temas vão de desilusões amorosas a conquistas da vida. Isso aconteceu depois que lançamos ‘Só rezo’ e ‘Cedo ou tarde’. Essa última, inclusive, veio do fato de que perdi meu pai com 2 anos. A música acaba refletindo a vida de muita gente, pois todo mundo perde alguém ou alguma coisa. E as pessoas mais velhas se identificam, diz Gee Rocha, confirmando a agenda do grupo no Rock in Rio no dia 24 de setembro.

As influências da fase áurea do rock brasileiro, nos anos 1980, trouxe o vigor de nomes como Titãs e Paralamas para o hall independente da banda cujos integrantes têm, em média, 25 anos. Tudo foi muito difícil no início. Mas aí veio o lance da internet que nos colocou entre a grande massa, destaca Gee, assegurando a essência uniforme dos jovens músicos, que, como outros do circuito, sentem o peso de, apesar da pouca idade, serem ricos e famosos. Até 2006 éramos independentes e não tínhamos muito dinheiro. Nem os instrumentos eram bons. Só a partir da chegada do Rick (Bonadio) é que passamos a viver de rock.